Economia
Presidente da Desenvolve-MT afirma que prioridade é potencializar crédito emergencial aos micro e pequenos empresários
Economia
Da Redação
A Desenvolve-MT, agência de fomento estadual, está capitalizada e já iniciou a oferta de linhas de crédito emergenciais para atender micro e pequenos empresários que sofreram com os impactos financeiros da pandemia da Covid-19, segundo o presidente da autarquia, Jair de Oliveira Marques.
Na semana passada, o Governo de Mato Grosso lançou o programa Desenvolve Emergencial, que, através da autarquia, está liberando R$ 55 milhões em três linhas de crédito para atender emergencialmente as pequenas empresas.
“O resultado será a liberação de maior volume de operações e estar presente nos 141 municípios do Estado em melhores condições de ofertar recursos no que se refere a prazos e juros”, afirma ele, em entrevista especial.
Leia a entrevista
A Desenvolve-MT chegou a figurar na lista de autarquias e empresas estatais a serem extintas por baixo desempenho, porém conseguiu reverter a situação. Qual o trabalho desenvolvido, para torná-la economicamente viável e estabilizada?
Jair de Oliveira Marques – Uma das primeiras atitudes tomadas pela atual diretoria, foi levar aos nossos colaboradores uma mensagem de motivação, de que havia possibilidade de reversão daquela situação. Para isso, era preciso o comprometimento de todos para tornar a agência novamente relevante.
Não só para o próprio governo, como, e especialmente, para a sociedade. Por isso, a necessidade deste comprometimento, para que pudéssemos atender nossos clientes com eficácia e rapidez.
Presidente, 2020 foi um ano difícil economicamente para muitos setores, por conta da pandemia do coronavírus. De que forma, a Desenvolve-MT atuou para diminuir o impacto financeiro negativo das empresas?
Jair de Oliveira Marques – De imediato, o Governo do Estado, por meio da agência de fomento, implementou programas emergenciais para atender os segmentos empresariais mais impactados pela pandemia.
Entendemos que, naquele momento, nossa missão era manter os empregos e as empresas em funcionamento. Para isso, simplificamos e facilitamos o acesso ao crédito.
A decisão em optar, até por necessidade, pela inovação tecnológica, levou a Desenvolve a implantar o Crédito Digital, facilitando nossa chegada em 130 municípios mato-grossenses com ações de crédito. Os resultados foram imediatos, tornando 2020 no melhor ano da Desenvolve, desde sua fundação em 2004.
Houve redução de despesas, reversão de 80% do prejuízo contábil, redução nos índices de inadimplência, maior liberação, em quantidade e em valores, de operações e, ainda, o aumento de quase 100% do lucro contábil, entre os resultados obtidos pela atual gestão.
Quais as linhas de crédito oferecidas pela Desenvolve MT e quem pode acessá-las?
Jair de Oliveira Marques – A agência possui nove linhas de crédito em seu portfólio, além dos programas emergenciais, disponibilizados por tempo determinado, com recursos repassados pelo Governo do Estado e Assembleia Legislativa, visando amenizar o impacto negativo das empresas dos segmentos de bares, restaurantes e eventos.
Temos também recursos do Fundes/Sedec, do Governo do Estado. Recursos do Fungetur, do Ministério do Turismo, para giro e investimento do trade turístico. Recursos do Finep, para financiar projetos de inovação de empresas – nesse momento, especialmente para a área de saúde.
Podem acessá-las, micro e pequenas empresas, ativas, constituídas, no mínimo, há 12 meses, estabelecidas em Mato Grosso, com faturamento anual até R$ 4,8 milhões.
Qual o planejamento da Desenvolve MT para os próximos anos e o que a população, mais especificamente os pequenos empresários, pode esperar da autarquia para 2021?
Jair de Oliveira Marques – Uma das exigências do governador para a não extinção da agência, cujo decreto foi publicado em 11 de agosto de 2020, foi exatamente a apresentação, por parte da diretoria, de um planejamento para os próximos cinco anos, visando sua sustentabilidade.
Entre as necessidades identificadas para execução deste planejamento estratégico, a maior era a capitalização. Era pequena para as demandas apresentadas. No início da atual gestão, em 2019, o capital social era de cerca R$ 17 milhões. Encerramos 2020 com R$ 22 milhões e mais R$ 4 milhões em processo de capitalização.
Com o aporte de R$ 55 milhões em seu capital pelo Governo do Estado e Assembleia Legislativa, a Desenvolve deve saltar da 15ª posição entre 16 agências de fomento dos pais, para ocupar o 7º lugar.
O resultado será a liberação de maior volume de operações e estar presente nos 141 municípios do Estado em melhores condições de ofertar recursos no que se refere a prazos e juros, incluindo alguns programas de alcance social como o recém-lançado Desenvolve Emergencial para atender ao microempreendedor individual (MEI).
Economia
Dívida Pública sobe 0,97% em setembro e encosta em R$ 9,4 trilhões
A incidência dos juros da dívida pública fez a Dívida Pública Federal (DPF) subir em setembro. Segundo números divulgados nesta quinta-feira (29) pelo Tesouro Nacional, a DPF passou de R$ 9,293 trilhões em agosto para R$ 9,383 trilhões no mês passado, alta de 0,97%.

Em maio deste ano, o indicador havia superado a barreira de R$ 9 trilhões. Apesar da alta, a dívida pública está abaixo do previsto.
De acordo com o Plano Anual de Financiamento (PAF), apresentado em janeiro e revisado em agosto, o estoque da DPF deve encerrar 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.
A Dívida Pública Mobiliária (em títulos) interna (DPMFi) avançou 1,04%, passando de R$ 8,944 trilhões em agosto para R$ 9,037 trilhões em setembro.
No mês passado, o Tesouro emitiu R$ 3,78 bilhões em títulos a mais do que resgatou, volume baixo para os padrões históricos. A apropriação de R$ 89,29 bilhões em juros, porém, impediu a queda do endividamento.
Por meio da apropriação de juros, o governo reconhece, mês a mês, a correção dos juros que incide sobre os títulos e incorpora o valor ao estoque da dívida pública. Com a Taxa Selic (juros básicos da economia) em 13,75% ao ano, a apropriação de juros pressiona o endividamento do governo.
No mês passado, o Tesouro emitiu R$ 189,44 bilhões em títulos da DPMFi. Os resgates em setembro somaram R$ 185,66 bilhões, motivados principalmente pelo elevado volume de vencimentos de títulos corrigidos pela Taxa Selic, juros básicos da economia.
A Dívida Pública Federal externa (DPFe) caiu 0,82%, passando de R$ 348,26 bilhões em agosto para R$ 345,41 bilhões em setembro. O principal fator foi a estabilidade do dólar no mês passado e o pagamento corrente de cerca de R$ 3 bilhões.
Colchão
Após cair em agosto, o colchão da dívida pública (reserva financeira usada em momentos de turbulência ou de forte concentração de vencimentos) subiu em setembro. Essa reserva passou de R$ 1,208 trilhão em agosto para R$ 1,273 trilhão em setembro.
Atualmente, o colchão cobre 7,71 meses de vencimentos da dívida pública. Nos próximos 12 meses, está previsto o vencimento de R$ 1,87 trilhão em títulos federais.
Com o forte vencimento de títulos vinculados à Selic, a composição da DPF variou da seguinte forma de agosto para setembro:
- Títulos vinculados a Selic: 52,74% para 51,6%;
- Títulos corrigidos pela inflação: 23,22% para 23,59%;
- Títulos prefixados: 20,31% para 21,14%;
- Títulos vinculados ao câmbio: 3,74% para 3,67%.
Revisado em agosto, o PAF prevê que os títulos encerrarão o ano nos seguintes intervalos
- Títulos vinculados a Selic: 49% a 53%;
- Títulos corrigidos pela inflação: 21% a 25%;
- Títulos prefixados: 20% a 24%;
- Títulos vinculados ao câmbio: 3% a 7%.
Normalmente, os papéis prefixados (com taxas definidas no momento da emissão) indicam mais previsibilidade para a dívida pública, porque as taxas são definidas com antecedência. No entanto, em momentos de instabilidade no mercado financeiro, as emissões caem porque os investidores pedem juros muito altos, que comprometeria a administração da dívida do governo.
Em relação aos papéis vinculados à Selic (juros básicos da economia), esses títulos estão atraindo o interesse dos compradores por causa dos juros altos definidos pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom). A dívida cambial é composta por antigos títulos da dívida interna corrigidos em dólar e pela dívida externa.
Prazo
O prazo médio da DPF manteve-se estável em 4,1 anos. O Tesouro só fornece a estimativa em anos, não em meses. Esse é o intervalo médio em que o governo leva para renovar (refinanciar) a dívida pública. Prazos maiores indicam mais confiança dos investidores na capacidade do governo de honrar os compromissos.
A composição dos detentores da Dívida Pública Federal interna ficou a seguinte:
- Instituições financeiras: 31,33% do estoque;
- Fundos de pensão: 22,41%;
- Fundos de investimentos: 22,93%;
- Não-residentes (estrangeiros): 9,58%
- Demais grupos: 13,76%.
Com a maior tensão no mercado financeiro em setembro, com a guerra no Oriente Médio, a participação dos não residentes (estrangeiros) caiu em relação a agosto, quando estava em 9,91%. Quanto maior a fatia de estrangeiros na dívida interna, maior a confiança no Brasil.
Por meio da dívida pública, o governo pega dinheiro emprestado dos investidores para honrar compromissos financeiros. Em troca, compromete-se a devolver os recursos depois de alguns anos, com alguma correção, que pode seguir a taxa Selic (juros básicos da economia), a inflação, o dólar ou ser prefixada (definida com antecedência).
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