Mato Grosso
PF desarticula organização criminosa que causou prejuízo de R$ 12 milhões em MT
Mato Grosso
Da Redação
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (23) a Operação Ecdisona, para desarticular uma organização criminosa acusada de praticar crimes tributários e empresariais, falsidades ideológicas, fraude a credores, estelionato, organização criminosa e lavagem dinheiro.
Segundo a PF, estão sendo cumpridos 10 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva em Barra do Garças. As ordens foram expedidas pela Justiça Federal do município.
Conforme a Polícia Federal, as investigações apontam que os suspeitos vinham realizando operações fraudulentas em empresas da região com grandes dívidas tributárias e previdenciárias, aliciando empresários que se beneficiam de forma ilícita ao frustrarem o pagamento de obrigações.
A fraude operada consiste na prática de alterações societárias fictícias e concomitante sucessões societárias fraudulentas, sempre com uso de “laranjas” (pessoas que “emprestam” os nomes para ocultar a identificação de outras pessoas). Assim, estes indivíduos tornavam-se sócios proprietários das empresas inadimplentes, procedendo alterações de dados e espécie empresarial, sempre com informações inverídicas.
Enquanto isso, novas sociedades empresariais eram constituídas pelos verdadeiros empresários, muitas vezes no mesmo endereço das empresas. O esquema permitia a continuação da exploração de atividade econômica desonerada de qualquer dívida inscrita.
Por meio de sucessões e alterações fictícias de regimes empresariais, bem como constituição de novos CNPJs, os empresários conseguiam desonerar-se de forma criminosa de diversas dívidas, entre elas, as tributárias e previdenciárias.
Para ilustração, uma das empresas investigadas possuía dívidas ativas com a União na ordem de R$ 5 milhões. Ao mesmo tempo, as antigas empresas (inadimplentes) eram deixadas nas mãos dos “laranjas” (alguns dedicados ao crime de tráfico de drogas), que não possuíam qualquer capacidade financeira para serem alcançados em futuros processos de execução, concretizando o “estouro de empresas”.
As investigações da Polícia Federal em Barra do Garças prosseguirão com ações previstas para os próximos dias.
O nome da operação é uma referência ao hormônio responsável pela “ecdise”, processo de troca de exoesqueleto (troca de pele) de alguns animais como as cobras. De forma análoga a estes animais, as empresas beneficiadas pelo esquema criminoso, antes endividadas, realizaram alterações empresariais que permitiram continuar suas atividades sob nova roupagem, livre de dívidas.
Foto: PRF
Mato Grosso
Wanderley nega manobra e diz que eleição pode ocorrer até dezembro
O presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), negou que esteja tentando adiar deliberadamente a eleição da Mesa Diretora para o biênio 2027/2028. Segundo ele, o Legislativo ainda está dentro do prazo previsto para realizar a votação, que pode ocorrer até 31 de dezembro.
A declaração ocorre em meio à pressão de um grupo de vereadores ligado à prefeita Flávia Moretti (PL), que cobra a convocação de uma nova eleição e acusa Wanderley de postergar o processo por não contar com votos suficientes para garantir a permanência na presidência.
“Eu não estou me recusando em nada, eu não tenho nenhuma ordem judicial, então eu não estou recusando nada”, afirmou o presidente.
Wanderley ressaltou que cumprirá eventual determinação da Justiça, mas defendeu que, enquanto não houver uma ordem nesse sentido, a Câmara pode seguir o calendário que considera previsto nas normas vigentes.
“Se a lei determinar que eu tenho que fazer, não tem problema nenhum. Enquanto a lei não determinar, nós estamos dentro do prazo. Porque tem até 31 de dezembro para fazer eleição”, declarou.
O presidente também destacou que o mandato da próxima Mesa Diretora começa em 1º de janeiro de 2027.
“E eu não tô [negando], tem presidente, e o próximo presidente assume a partir de 1º de janeiro de 2027. Nós estamos dentro do marco temporal, que é outubro a 31 de dezembro”, acrescentou.
A eleição anterior da Mesa Diretora, realizada em maio, reconduziu Wanderley ao comando da Câmara para o próximo biênio, mas acabou anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou irregular a antecipação da votação.
Após a anulação, vereadores contrários ao presidente passaram a cobrar a realização de um novo pleito. O grupo apresentou à Justiça um pedido para obrigar Wanderley a convocar a votação em até 24 horas. A iniciativa recebeu apoio de 15 dos 23 parlamentares da Casa.
No início de outubro, o juiz Carlos Roberto Barros de Campos, da 3ª Vara Especializada da Fazenda Pública de Várzea Grande, determinou que o presidente prestasse esclarecimentos antes de decidir sobre o pedido de urgência. Na ocasião, o magistrado não concedeu nem negou a liminar.
Wanderley afirma que não existe, até o momento, determinação judicial obrigando a convocação imediata da eleição. A disputa sobre o calendário do pleito segue em análise, enquanto os vereadores aguardam uma definição sobre os próximos passos.
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