Mato Grosso
Investimentos em inteligência e logística melhoram rendimento policial, afirma comandante-geral da PM
Mato Grosso
Da Redação
Mais de seis toneladas e meia de drogas apreendidas, redução de 30% nas ocorrências de furtos e roubos e aumento de quase 70% nas prisões em flagrante.
Esta performance, registrada em 2020 pela Polícia Militar de Mato Grosso segundo o comandante-geral, coronel Jonildo José de Assis, é resultado dos investimentos da atual gestão em logística e inteligência, como a rádio digital, que impede a interferência de criminosos nas comunicações policiais e a aquisição de 1.300 pistolas.
Além dos novos fardamentos, mais leves e maleáveis, permitindo mais agilidade ao policial.
Leia a entrevista na íntegra
Comandante, temos um Estado de dimensões continentais, com uma extensa fronteira internacional. Mesmo com todo este território para proteger, a Polícia Militar tem conquistado ótimos resultados, principalmente na apreensão de drogas e no combate ao crime organizado. O uso do setor de inteligência tem contribuído neste trabalho?
Coronel Assis – Com certeza. A inteligência operacional detalhada é fundamental para que possamos direcionar nossos recursos humanos e materiais. Toda a logística operacional da Polícia Militar é devidamente orientada.
Nossa inteligência é muito atuante. Conseguimos, por meio de denúncias, averiguações e ações próprias da inteligência, produzir conhecimento e transformá-lo em relatórios, que subsidiam a parte estratégica e operacional da Polícia Militar.
Apreendemos, em 2020, mais de 6.500 quilos de drogas. A maioria das ações, quase 75%, teve como origem informações e informes, que transformados em conhecimento, subsidiaram a orientação de nossa tropa.

Em sua opinião, aliar inteligência a equipamentos e tecnologia resulta em aplicação mais eficiente da tropa? Ou seja, é possível fazer mais com o mesmo efetivo?
Coronel Assis – Estamos fazendo isso, seguindo uma orientação da atual gestão. Trabalhar mais com inteligência, agregar a inteligência policial à análise criminal, seja com tecnologias abertas ou fechadas.
Para ter uma ideia, atualmente tudo na Polícia Militar é transformado em conhecimento. Semanalmente, nos reunimos com os comandantes regionais, para analisar as ocorrências da semana anterior, com informações extraídas do sistema único de registro de ocorrências, gerenciado pela Secretaria de Segurança Pública – um produto nosso, de Mato Grosso.
Aliado à proposta de agregar cada vez mais tecnologia ao nosso cotidiano, entrará em operação o Projeto Águia, conectando inúmeras câmeras OCR (reconhecimento ótico de caracteres) ao banco de dados da Secretaria de Segurança Pública. Já temos algumas distribuídas pelo Estado.
Estamos trabalhando em um grande projeto, o Policiamento Rural, cujas operações serão por meio de georreferenciamento. Cada propriedade rural catalogada, cada grupo regional de proprietários rurais, inseridos no georreferenciamento, estarão conectados diretamente à nossa base operacional e de inteligência.

Afirma-se que a troca de viaturas, a cada dois anos, como governo está fazendo, permite que policiamento, em especial o rural, seja mais eficiente, porque os veículos sempre estarão em melhores condições. É isso?
Coronel Assis – Claro. Uma viatura de qualidade, apropriada ao terreno, sempre é mais eficiente. Renovamos toda a nossa frota, que, apesar de não ser antiga, tinha dois anos. Isso realmente faz toda a diferença, pois uma frota renovada nos permite prestar um serviço de qualidade ao cidadão mato-grossense.
O governo tem investido em equipamentos para melhorar a atuação dos policiais. Esta ação já é sentida pelo cidadão?

Coronel Assis – Com certeza. O cidadão sente isso a todo instante. No passado recente, viaturas com problemas mecânicos eram recolhidas e não voltavam. Chegamos a ficar sem viaturas. Veículos novos fazem total diferença.
Outro fator importantíssimo, um grande legado para a segurança pública estadual, é a rádio digital. Foram R$ 10 milhões investidos 2020, por meio de um TAC entre Ministério Público, SESP e Governo do Estado. Uma empreitada institucional que revolucionou toda a Baixada Cuiabana.
É criptografada, impedindo que o criminoso copie a Polícia, ao contrário de um tempo atrás, quando era possível adquirir um rádio, que “invadisse” a rede da Polícia Militar e antecipasse nossas ações. Hoje isso não acontece mais. Estamos em um novo patamar.
Para este ano, o secretário de Segurança Pública anunciou que o Governo do Estado investirá mais R$ 22 milhões. Então, vamos incluir mais regiões na realidade do rádio digital. Realidade nascida de um termo de cooperação com a Polícia Rodoviária Federal, que nos auxilia com sua infraestrutura e o próprio sistema.
A sociedade já sente os efeitos, porque em 2020 tivemos uma redução de 30% em roubos e furtos. Um resultado importante, porque quando o criminoso não consegue copiar a polícia, diminui suas ações. Também tivemos um acréscimo de quase 70% nas prisões em flagrante.
Nesses investimentos, já realizados, há compra de fardamento e de pistolas. Ajuda no processo de valorização do policial?
Coronel Assis – Estamos para receber, nos próximos dias, 1.300 pistolas de alto padrão, com calibre desenvolvido para o setor de segurança. Será um grande impacto para o moral da tropa. Vai melhorar o serviço prestado, baratear a capacitação e custeio de munição. É um grande avanço, uma virada de chave no material bélico da Polícia Militar.
Nos próximos 20 dias, entregaremos o fardamento operacional. Dentro de 60 dias, está prevista a entrega do novo fardamento, um uniforme mais leve, mais maleável, para dar mais agilidade e conforto ao nosso policial na rua. Foram quase cinco anos sem aquisição de uniforme. Também já iniciamos o processo de aquisição para 2021 e teremos mais novidades em equipamentos.
Mato Grosso
Wanderley nega manobra e diz que eleição pode ocorrer até dezembro
O presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), negou que esteja tentando adiar deliberadamente a eleição da Mesa Diretora para o biênio 2027/2028. Segundo ele, o Legislativo ainda está dentro do prazo previsto para realizar a votação, que pode ocorrer até 31 de dezembro.
A declaração ocorre em meio à pressão de um grupo de vereadores ligado à prefeita Flávia Moretti (PL), que cobra a convocação de uma nova eleição e acusa Wanderley de postergar o processo por não contar com votos suficientes para garantir a permanência na presidência.
“Eu não estou me recusando em nada, eu não tenho nenhuma ordem judicial, então eu não estou recusando nada”, afirmou o presidente.
Wanderley ressaltou que cumprirá eventual determinação da Justiça, mas defendeu que, enquanto não houver uma ordem nesse sentido, a Câmara pode seguir o calendário que considera previsto nas normas vigentes.
“Se a lei determinar que eu tenho que fazer, não tem problema nenhum. Enquanto a lei não determinar, nós estamos dentro do prazo. Porque tem até 31 de dezembro para fazer eleição”, declarou.
O presidente também destacou que o mandato da próxima Mesa Diretora começa em 1º de janeiro de 2027.
“E eu não tô [negando], tem presidente, e o próximo presidente assume a partir de 1º de janeiro de 2027. Nós estamos dentro do marco temporal, que é outubro a 31 de dezembro”, acrescentou.
A eleição anterior da Mesa Diretora, realizada em maio, reconduziu Wanderley ao comando da Câmara para o próximo biênio, mas acabou anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou irregular a antecipação da votação.
Após a anulação, vereadores contrários ao presidente passaram a cobrar a realização de um novo pleito. O grupo apresentou à Justiça um pedido para obrigar Wanderley a convocar a votação em até 24 horas. A iniciativa recebeu apoio de 15 dos 23 parlamentares da Casa.
No início de outubro, o juiz Carlos Roberto Barros de Campos, da 3ª Vara Especializada da Fazenda Pública de Várzea Grande, determinou que o presidente prestasse esclarecimentos antes de decidir sobre o pedido de urgência. Na ocasião, o magistrado não concedeu nem negou a liminar.
Wanderley afirma que não existe, até o momento, determinação judicial obrigando a convocação imediata da eleição. A disputa sobre o calendário do pleito segue em análise, enquanto os vereadores aguardam uma definição sobre os próximos passos.
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