Mato Grosso
“Investimentos em equipamentos e trabalho integrado melhoraram prevenção aos incêndios”, afirma comandante-geral dos Bombeiros
Mato Grosso
Da Redação
O comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso, Alessandro Borges, destaca em entrevista que o maior objetivo é ampliar as unidades para outras regiões do Estado, que vão facilitar o trabalho de prevenção aos incêndios florestais.
“Além disso, estamos investindo em capacitação, equipamentos modernos e em trabalho integrado para potencializar ainda mais nossa atuação”.
Leia a entrevista na íntegra:
Em 2020, a região do Pantanal foi bastante castigada pelos incêndios, que, em anos anteriores, atingiram outras regiões de Mato Grosso. Como o senhor avalia o que ocorreu nos últimos anos e o que ainda pode ser feito para evitar os incêndios florestais?
Alessandro Borges – O Governo do Estado tem trabalhado firmemente para estruturar seus órgãos de proteção ambiental, que não se restringem ao Corpo de Bombeiros. Temos ainda a Sema (Secretaria de Estado de Meio Ambiente) e a Polícia Militar, com seu Batalhão Ambiental. Devemos destacar que municípios e Governo Federal também são importantes neste processo, uma vez há atribuições para todos os entes federativos.
Estamos investindo em capacitação, em equipamentos modernos, em trabalho integrado para potencializar a atuação dos agentes em todas as regiões do Estado. Um trabalho feito de forma paulatina, mas que precisa da colaboração da sociedade, porque a prevenção começa na ponta. Como, por exemplo, não utilizar o fogo em período proibitivo, fazer aceiros ou ter sistema preventivo nas propriedades rurais.
Estamos evoluindo muito, porque este é um trabalho recorrente em Mato Grosso. Temos uma expertise muito grande nesta área e estamos integrados aos demais agentes.
Quais os principais desafios para o Corpo de Bombeiros?
Alessandro Borges – O maior deles é aumentar a nossa capilaridade, para que possamos atuar em todas as regiões do Estado. São mais de 900 mil km2 de área. Há uma grande área preservada e outra produzindo grãos, além de áreas de extração.
Esta é a complexidade e o desafio. Por isso, o Corpo de Bombeiros tem se aperfeiçoado para atuar em conjunto com a iniciativa privada e com o poder público municipal e federal.
O que já foi feito pelo Corpo de Bombeiros, para evitar que, em 2021, os incêndios se propaguem como ocorreu em 2020, no Pantanal?
Alessandro Borges – Tivemos uma situação muito atípica no Pantanal, mas conseguimos preservar a maior parte apesar da queima de 40% de sua área. Foi uma atuação muito forte por parte de Mato Grosso, considerando o clima severo, com fortes ventos e tempo seco, e a vegetação abundante, que há muito tempo não queimava, propiciando uma queima muito rápida. Apesar de todas as dificuldades, contamos com o apoio dos municípios, dos pantaneiros e do governo federal para trabalhar forte e evitar uma tragédia ainda maior.
Começamos 2021, com a implantação de uma unidade do Corpo de Bombeiros em Poconé, que irá trabalhar preventivamente neste período de chuva, para, no período da seca, enviarmos um efetivo maior para atuar no combate a incêndios.
Existe previsão de abertura de unidades em outras regiões do Estado?
Alessandro Borges – O Governo do Estado tem como meta a interiorização para prestar um serviço mais completo e, assim, garantir salubridade, segurança e tranquilidade pública.
Há um projeto de abrir mais quartéis no interior do estado. Começamos por Poconé e temos perspectiva para Chapada dos Guimarães, Nobres, Santo Antônio do Leverger, para municípios da região do Araguaia, Colniza e Aripuanã, no noroeste do Estado, Comodoro e Sapezal, no sudoeste.
Nosso objetivo é a ampliação de unidades presenciais. Mas, de qualquer forma, de acordo com as necessidades, enviamos efetivos para atender ocorrências específicas. Em áreas de incêndios florestais, abrimos, no período da seca, unidades móveis para ficarmos mais próximos do problema.
Temos projetos de inclusão, de bombeiros temporários trabalhando com as prefeituras, para abrir e efetivar bases, como em Poconé, e assim faremos nos demais municípios.
Qual o planejamento do Corpo de Bombeiros para os próximos anos? O que a sociedade pode esperar da corporação?
Alessandro Borges – Podemos dizer que o Corpo de Bombeiros está sempre preparado para atender a sociedade. Nossa credibilidade é muito alta, acima de 90% e nosso planejamento é contínuo.
Estamos avaliando as ações de anos anteriores para fazer os ajustes necessários e firmar as ações para os próximos anos, em um planejamento estratégico de médio e longo prazo.
Em conjunto com a Secretaria de Segurança Pública, em um contexto maior, certamente, alcançaremos resultados ainda melhores, prestando serviços à sociedade.
Mato Grosso
Wanderley nega manobra e diz que eleição pode ocorrer até dezembro
O presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), negou que esteja tentando adiar deliberadamente a eleição da Mesa Diretora para o biênio 2027/2028. Segundo ele, o Legislativo ainda está dentro do prazo previsto para realizar a votação, que pode ocorrer até 31 de dezembro.
A declaração ocorre em meio à pressão de um grupo de vereadores ligado à prefeita Flávia Moretti (PL), que cobra a convocação de uma nova eleição e acusa Wanderley de postergar o processo por não contar com votos suficientes para garantir a permanência na presidência.
“Eu não estou me recusando em nada, eu não tenho nenhuma ordem judicial, então eu não estou recusando nada”, afirmou o presidente.
Wanderley ressaltou que cumprirá eventual determinação da Justiça, mas defendeu que, enquanto não houver uma ordem nesse sentido, a Câmara pode seguir o calendário que considera previsto nas normas vigentes.
“Se a lei determinar que eu tenho que fazer, não tem problema nenhum. Enquanto a lei não determinar, nós estamos dentro do prazo. Porque tem até 31 de dezembro para fazer eleição”, declarou.
O presidente também destacou que o mandato da próxima Mesa Diretora começa em 1º de janeiro de 2027.
“E eu não tô [negando], tem presidente, e o próximo presidente assume a partir de 1º de janeiro de 2027. Nós estamos dentro do marco temporal, que é outubro a 31 de dezembro”, acrescentou.
A eleição anterior da Mesa Diretora, realizada em maio, reconduziu Wanderley ao comando da Câmara para o próximo biênio, mas acabou anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou irregular a antecipação da votação.
Após a anulação, vereadores contrários ao presidente passaram a cobrar a realização de um novo pleito. O grupo apresentou à Justiça um pedido para obrigar Wanderley a convocar a votação em até 24 horas. A iniciativa recebeu apoio de 15 dos 23 parlamentares da Casa.
No início de outubro, o juiz Carlos Roberto Barros de Campos, da 3ª Vara Especializada da Fazenda Pública de Várzea Grande, determinou que o presidente prestasse esclarecimentos antes de decidir sobre o pedido de urgência. Na ocasião, o magistrado não concedeu nem negou a liminar.
Wanderley afirma que não existe, até o momento, determinação judicial obrigando a convocação imediata da eleição. A disputa sobre o calendário do pleito segue em análise, enquanto os vereadores aguardam uma definição sobre os próximos passos.
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