Mato Grosso
Da potência agrícola à potência industrial: o próximo salto de MT
Mato Grosso
Agregar valor ao que o estado já produz pode ampliar empregos, fortalecer a arrecadação pública e abrir uma nova etapa de desenvolvimento econômicoPara quem vive ou acompanha de perto a realidade econômica de Mato Grosso, o sucesso agrícola do estado é evidente. O desafio que se coloca agora é outro: transformar essa potência produtiva também em uma economia cada vez mais capaz de agregar valor ao que produz.Ao longo das últimas décadas, Mato Grosso consolidou-se como um dos grandes protagonistas do agronegócio mundial. O território mato-grossense ocupa posição de liderança na produção brasileira de soja, milho e algodão, além de abrigar um dos maiores rebanhos bovinos do país. Essa extraordinária capacidade produtiva transformou profundamente sua estrutura econômica e colocou a região entre os territórios mais relevantes para a oferta global de alimentos e insumos essenciais às cadeias alimentares. Entretanto, justamente em razão dessa impressionante vocação primária, Mato Grosso ainda convive com um paradoxo que merece reflexão: parte significativa da prosperidade gerada em seu território acaba sendo capturada em outras etapas das cadeias produtivas localizadas fora do estado.A razão é conhecida. A economia regional permanece fortemente baseada na produção de matérias-primas, enquanto parcela expressiva dos bens manufaturados consumidos pela população e pelas próprias cadeias produtivas locais é fabricada em outras unidades da federação. Quando Mato Grosso adquire computadores, móveis, eletrodomésticos, roupas, alimentos industrializados, máquinas ou equipamentos produzidos em outros estados, parte relevante da arrecadação tributária associada à produção desses bens permanece vinculada ao estado onde se localizam as etapas industriais da cadeia produtiva. Em outras palavras, embora o território mato-grossense produza enormes volumes de riqueza agrícola, a etapa de transformação industrial — aquela que agrega valor aos produtos e multiplica empregos, renda e tributos — frequentemente ocorre fora de suas fronteiras.Esse quadro não diminui a extraordinária importância do agronegócio mato-grossense, mas evidencia um desafio estratégico para o futuro regional: ampliar e aprofundar sua base industrial. Industrializar não significa abandonar a vocação agrícola que tornou Mato Grosso uma potência produtiva. Ao contrário, significa levá-la a um novo patamar, agregando valor às matérias-primas produzidas localmente e permitindo que parcela maior da prosperidade gerada permaneça no próprio território.Embora ainda possua uma estrutura fabril em processo de consolidação e diversificação quando comparada às regiões que passaram por processos de industrialização mais antigos no Brasil, Mato Grosso já dispõe de um conjunto relevante de atividades produtivas, sobretudo vinculadas à agroindústria. O setor de alimentos constitui o núcleo mais robusto dessa estrutura econômica. Frigoríficos instalados em diversas regiões realizam o abate e o processamento de carne bovina, transformando o enorme rebanho regional em produtos destinados tanto ao mercado interno quanto à exportação. Essa atividade gera milhares de empregos diretos e indiretos e representa uma base importante da arrecadação tributária vinculada à indústria.Entre os segmentos industriais mais relevantes destaca-se o processamento da soja. Plantas industriais localizadas em cidades estratégicas realizam o esmagamento do grão, produzindo óleo vegetal, farelo proteico e outros derivados utilizados na alimentação humana, na nutrição animal e em diversos processos produtivos. Trata-se de uma etapa importante na agregação de valor à atividade agrícola regional.Nos últimos anos, um novo eixo industrial passou a ganhar relevância crescente: o dos biocombustíveis. Usinas modernas de etanol de milho e unidades de produção de biodiesel vêm sendo instaladas em diferentes regiões do estado, aproveitando a ampla disponibilidade de matéria-prima agrícola. Além do combustível renovável, essas plantas geram subprodutos importantes, como óleo de milho, leveduras e insumos destinados à alimentação animal, ampliando a integração entre agricultura e indústria.Também merece destaque a cadeia do algodão, que possui grande importância econômica. Mato Grosso figura hoje entre os maiores produtores dessa fibra no Brasil, mas parcela significativa da pluma ainda é enviada para outros estados ou exportada para outros países, onde se transforma em fios, tecidos e vestuário. O desenvolvimento de um parque têxtil mais robusto permitiria reter parcela maior desse valor dentro do próprio território.Além da agroindústria, existem atividades produtivas complementares ligadas à fabricação de equipamentos e estruturas utilizadas na própria atividade agrícola. Metalúrgicas e empresas de engenharia produzem silos metálicos, estruturas de armazenagem, implementos agrícolas e componentes mecânicos necessários para o funcionamento das cadeias produtivas rurais. Esse segmento nasceu da própria expansão do agronegócio e demonstra como a agricultura pode estimular o surgimento de novos setores industriais.Outro componente relevante da economia regional é o setor energético, que inclui usinas de geração elétrica e plantas voltadas à produção de combustíveis renováveis. Embora muitas vezes não sejam lembradas como parte da indústria tradicional, essas atividades desempenham papel importante na estrutura produtiva e na arrecadação tributária.Mesmo com esses avanços, a estrutura industrial mato-grossense permanece relativamente concentrada e fortemente associada à atividade agropecuária. Ampliar e diversificar essa base produtiva representa, portanto, um passo decisivo para o desenvolvimento econômico regional. Esse movimento pode ocorrer, em primeiro lugar, pelo aprofundamento das cadeias já existentes. Em vez de apenas produzir soja e transformá-la em óleo e farelo, Mato Grosso pode avançar na fabricação de alimentos industrializados, proteínas vegetais, ingredientes alimentícios e compostos químicos derivados. A cadeia do milho, por sua vez, pode sustentar não apenas a produção de etanol, mas também uma variedade de produtos alimentícios e industriais.A cadeia do algodão oferece oportunidades semelhantes. Em vez de exportar a fibra bruta, a região poderia ampliar a produção de fios, tecidos e peças de vestuário, consolidando uma indústria têxtil mais completa. O mesmo raciocínio se aplica à indústria de máquinas e implementos agrícolas. Como Mato Grosso possui uma das agriculturas mais mecanizadas do planeta, existe espaço para o desenvolvimento de um parque industrial especializado na fabricação de equipamentos agrícolas, peças de reposição e tecnologias de agricultura de precisão.Expandir o parque industrial também abre espaço para setores ligados à tecnologia e à inovação. Nos últimos anos começaram a surgir empresas especializadas em soluções digitais voltadas ao agronegócio, desenvolvendo softwares de gestão agrícola, sistemas de monitoramento por satélite, plataformas logísticas e ferramentas avançadas de análise de dados. Essas iniciativas indicam que Mato Grosso reúne condições para se consolidar como um polo relevante de tecnologia aplicada ao campo.O fortalecimento da indústria também produz efeitos diretos sobre a arrecadação pública. Quando novas fábricas se instalam, ampliam não apenas a base do ICMS estadual, mas também a arrecadação de tributos federais, como o IPI, o PIS e a COFINS, além de impostos municipais, como o IPTU e o ISS. O surgimento de polos industriais tende a gerar novas áreas urbanizadas, estimular o setor de serviços e criar uma rede de atividades econômicas capaz de multiplicar os efeitos positivos sobre a economia regional.Entretanto, a expansão industrial exige enfrentar desafios estruturais relevantes. A logística continua sendo um dos principais obstáculos. Mato Grosso localiza-se no centro do continente sul-americano, distante dos principais portos marítimos e dos maiores centros consumidores do país. Apesar dos avanços recentes na infraestrutura de transporte, o custo logístico ainda representa um fator relevante para muitos investimentos industriais.Um desafio adicional está relacionado à infraestrutura de armazenagem e escoamento da produção. O crescimento da agroindústria exige sistemas eficientes de armazenagem, transporte ferroviário e hidroviário, além de rodovias adequadas para o fluxo de mercadorias.Igualmente crucial é a formação de mão de obra qualificada. Indústrias modernas demandam profissionais com formação técnica e tecnológica. Nesse aspecto, instituições como o SENAI, o SENAR e o SEBRAE podem desempenhar papel decisivo na qualificação profissional.Cursos voltados ao processamento de carnes, tecnologia de alimentos, manutenção eletromecânica, automação industrial, logística, produção de biocombustíveis, processamento de grãos e operação de plantas industriais poderiam elevar significativamente o nível de qualificação da mão de obra disponível na região. Da mesma forma, formações voltadas à indústria têxtil, à produção de fertilizantes, à engenharia de implementos agrícolas e aos processos químicos industriais poderiam preparar trabalhadores para novos segmentos produtivos.A formação profissional voltada aos jovens também merece atenção especial. Programas educacionais destinados a estudantes entre 14 e 18 anos poderiam incluir cursos de programação, desenvolvimento de aplicativos, ciência de dados, inteligência artificial, robótica e automação industrial. Iniciativas desse tipo não apenas preparariam as novas gerações para os desafios da economia digital, mas também poderiam contribuir para transformar Mato Grosso em um polo de inovação tecnológica aplicada ao agronegócio.Ao lado da qualificação profissional, o poder público estadual e os municípios podem adotar medidas concretas para estimular o crescimento industrial. A criação de distritos industriais planejados, com infraestrutura adequada e acesso logístico eficiente, constitui um instrumento importante para atrair investimentos produtivos. Políticas de incentivo fiscal transparentes e previsíveis também podem contribuir para reduzir riscos e estimular novos empreendimentos.Investimentos em infraestrutura logística, expansão de ferrovias e hidrovias, melhoria das rodovias e ampliação da capacidade de armazenagem são igualmente essenciais para reduzir custos e aumentar a competitividade da produção industrial. Parcerias entre universidades, centros de pesquisa e empresas também podem estimular a inovação tecnológica e a criação de novos negócios.Industrializar, em última análise, não se resume à fabricação de bens manufaturados. É o processo pelo qual o potencial econômico se converte em desenvolvimento concreto, multiplicando empregos qualificados, ampliando a arrecadação tributária, estimulando a inovação e abrindo novas oportunidades para as gerações que chegam.Mato Grosso já demonstrou sua extraordinária capacidade produtiva no campo para o Brasil e para o mundo. O desafio que se apresenta agora é dar o próximo passo: transformar essa potência em uma economia cada vez mais capaz de agregar valor àquilo que já produz com tanta eficiência. Se conseguir avançar nesse caminho, o estado poderá inaugurar uma nova etapa de prosperidade, na qual a riqueza gerada no campo se multiplique em inovação, produção industrial e desenvolvimento sustentável para toda a sociedade mato-grossense. Com isso, teríamos um ciclo virtuoso, com a geração de mais recursos públicos para aplicar em educação, saúde, segurança pública e infraestrutura.Márcio Florestan Berestinas – Promotor de Justiça em Sorriso – MT
Fonte: Ministério Público MT – MT
Mato Grosso
Avanços e desafios da saúde pública em Cuiabá são tema de entrevista
“Quando a gente fala de saúde, a gente fala de vida e vida é o nosso bem mais precioso.” A afirmação do promotor de Justiça Milton Mattos deu o tom da entrevista realizada nesta quinta-feira (16), no Espaço MP Por Elas, no Pantanal Shopping, em Cuiabá. O encontro integrou a programação do projeto Diálogos com a Sociedade, do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), e reuniu o promotor, que também coordena o Centro de Apoio Operacional (CAO) da Saúde, e a secretária municipal de Saúde, Deisi Bocalon. Durante a entrevista, os convidados traçaram um panorama da saúde pública na capital. Segundo o promotor de Justiça Milton Mattos, apesar dos avanços registrados nos últimos anos, ainda persistem desafios importantes, especialmente na atenção primária, que enfrenta limitações estruturais e dificuldades no fornecimento de medicamentos. “Eu sinto que a saúde, no geral, vem avançando, mas existem níveis dentro do SUS. Na atenção primária, ainda há uma precariedade estrutural, há áreas às quais não conseguimos chegar, e a medicação enfrenta problemas de fornecimento, além de ter custo elevado”, afirmou. O promotor destaca ainda que na média e alta complexidade, houve ampliação no número de leitos, incluindo UTIs. Ainda assim, a demanda segue superior à oferta, impactando diretamente a realização de procedimentos eletivos. “Os números de UTI dobraram no último ano, mas, mesmo assim, muitas pessoas ainda não conseguem acesso. É um sistema complexo, e ainda faltam recursos”, completou o promotor. A secretária municipal de Saúde, Deisi Bocalon, destacou que o subfinanciamento do Sistema Único de Saúde (SUS) continua sendo um dos principais entraves. Como alternativa, o município tem buscado apoio em iniciativas como o programa Fila Zero, do Governo do Estado, que viabiliza a contratação de serviços da rede privada para ampliar o acesso a exames e cirurgias. “O subfinanciamento do SUS é algo gritante. É um absurdo que um profissional da saúde, especialista, receba cerca de dez reais por consulta. O que tem ajudado é o programa Fila Zero, que triplica esse valor e torna mais atrativa a participação da rede privada, ampliando o atendimento à população”, explicou a secretária. Ela também ressaltou os investimentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), com obras em andamento e previsão de melhorias estruturais, além de ações para recompor as equipes médicas. “Atualmente, o município atua para suprir a falta de 22 médicos nas UBSs, por meio de processos seletivos e remanejamento de equipes, além do andamento de licitações para medicamentos e do planejamento de obras estruturais com recursos de emendas parlamentares”, concluiu. A saúde mental foi apontada como uma das principais frentes de avanço em Cuiabá. De acordo com o promotor de Justiça, o município passa por um processo de reestruturação da rede, com recursos destinados por meio de acordos firmados pelo Ministério Público. Entre os investimentos, está a aplicação de cerca de R$ 6 milhões, provenientes do Banco de Projetos e Entidades (Bapre) na implantação de novos serviços, como o CAPS III e o CAPS Adolescer. A secretária explicou que os Centros de Atenção Psicossocial funcionam como espaços de acolhimento e cuidado contínuo, sem o caráter de internação hospitalar. “O CAPS III não é uma unidade de internação, é de hospitalidade. É um lugar onde a pessoa pode procurar se quiser dormir, receber acolhimento”, disse. A previsão é que as novas unidades entrem em funcionamento nos próximos meses. Durante a entrevista, também foi destacada a mudança no modelo de atenção em saúde mental ao longo das décadas, com a superação da lógica manicomial e a adoção de políticas voltadas ao cuidado em liberdade, como as residências terapêuticas. O promotor relembrou o histórico do atendimento psiquiátrico no estado. “Na década de 80, cerca de 600 pessoas foram internadas no Adauto Botelho. As pessoas ficavam lá, muitas vezes abandonadas. Hoje, a ideia de manicômio foi mudando, o ideal são as residências terapêuticas”, afirmou. Insalubridade – outro tema abordado foi a regularização do pagamento de insalubridade aos profissionais da saúde. O promotor de Justiça, Milton Mattos, explicou que a medida corrige distorções históricas na aplicação da legislação, especialmente quanto à base de cálculo e à ausência de laudos técnicos que definam o grau de exposição dos servidores. “Essa questão da insalubridade já vem se arrastando há muitos anos. Havia várias leis, e o pagamento estava sendo feito de maneira errada, em desacordo com a legislação”, explicou o promotor de Justiça. A partir de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), foram estabelecidos critérios legais para o pagamento do benefício, o que resultou em mudanças nos valores recebidos pelos profissionais. A secretária, Deise Bocalon, reconheceu os impactos da medida “É uma situação delicada para o gestor, porque mexe diretamente no rendimento das pessoas. Mas, acima de qualquer coisa, a lei precisa ser cumprida”, afirmou. O futuro da Santa Casa – ao final do encontro, o Hospital Estadual Santa Casa de Cuiabá também ganhou destaque. O promotor de Justiça tranquilizou a população ao informar que o hospital aceitou a proposta do Estado e não fechará as portas. O Ministério Público acompanhou o caso desde o início para evitar o fechamento. A unidade continuará como hospital estadual, mas com uma mudança de perfil, além de manter os leitos de UTI, focará no fortalecimento da oncologia e em cuidados de home care. Espaço MP Por Elas – aberto ao público até a próxima sexta-feira, o Espaço MP Por Elas integra a programação da temporada 2026 do projeto Diálogos com a Sociedade. As entrevistas permanecem disponíveis nos canais digitais do Ministério Público de Mato Grosso, ampliando o acesso à informação e reforçando o compromisso institucional com a promoção da cidadania. A edição 2026 do projeto Diálogos com a Sociedade é realizada pelo MPMT em parceria com a Fiemt, o Serviço Social da Indústria (Sesi-MT), Águas Cuiabá, Energisa Mato Grosso, Amaggi, Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Pantanal Shopping, Monza Tintas, Sofisticato, Janaína Figueiredo – Arquitetura e Interiores, e Roberta Granzotto Decor.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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