Mato Grosso
CONTEMPLADOS COM CASAS DO SÃO BENEDITO JÁ ESTÃO RECEBENDO SUAS CHAVES
Mato Grosso
Mais do que a entrega das casas a inauguração do Residencial São Benedito abre a perspectiva para que outros seis residenciais também sejam inaugurados o quanto antes.
Da Redação
No segundo dia de efetiva assinatura de contratos e entrega de chaves para as pessoas sorteadas e contempladas com casas na Etapa III do Residencial São Benedito, inaugurado na última segunda-feira, 15, pelo ministro das Cidades, Bruno Araújo, pelo governador Pedro Taques e pela prefeita Lucimar Sacre de Campos se efetivaram no Banco do Brasil em Várzea Grande, Agência Filinto Muller.
O Residencial São Benedito inaugurado no Aniversário do Jubileu dos 150 Anos de Várzea Grande tem 1.281 casas já sorteadas tanto por unidades, como por lotes e quadras, sorteios estes feitos pela administração municipal que junto com o Governo do Estado iniciam no segundo semestre deste ano, as obras de uma Escola Estadual e um Centro Municipal de Educação Infantil – CMEI, antiga creche para atender aos mais de 5 mil moradores do residencial e das adjacências com investimentos próximos de R$ 10 milhões.

Depois de concluída a entrega da Etapa III, será a vez da Etapa II e por fim a Etapa I.
Segundo a prefeita Lucimar Sacre de Campos, ali no Grande São Mateus está nascendo uma nova cidade, uma nova opção de vida para milhares de pessoas que aguardam a dignidade de ter um lar em suas vidas.
“Eu acredito que nada representa mais dignidade para um chefe de família do que o lar para acolher os seus”, disse a prefeita que formalizou ao ministro da Cidades, Bruno Araújo o empenho para que outras 4 mil residências que ainda tem restrições sejam liberadas para atender a população que precisa.

Em Várzea Grande as estimativas apontam para outros 10 residenciais aguardando entrega. O maior problema encontrado foi na relação comercial entre a instituição financeira e empreiteiras que passam por recuperação judicial.
O secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Kalil Baracat, lembrou as palavras do ministro durante a inauguração de que ao chegar ao Ministério da Cidade não encontrou recursos necessários para atender a demanda existente e nem as obras já lançadas.
Bruno Araújo considerou como uma vitória da população, de Várzea Grande e de Mato Grosso, o empenho da prefeita Lucimar Campos, do governador Pedro Taques e das bancadas federais e estaduais de deputados e senadores para solucionar o impasse que impediu durante mais de dois anos a entrega daquele condomínio.
“Apesar de algumas pessoas torcerem contra Várzea Grande e seus moradores, as casas estão sendo entregues, principalmente respeitando a lei e a ordem, além da lista de contemplados que venceram os sorteios realizados pelo município com acompanhamento da Controladoria Geral da União – CGU, da Polícia Federal e do Ministério das Cidades”, disse o secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Kalil Baracat.
O secretário apontou que por exigência do Banco do Brasil e da própria lei, são necessárias seis etapas finais para que a população se torne a proprietária definitiva.
“Temos seis passos a serem seguidos para os beneficiários do Residencial São Benedito:
1o Passo: Vistoria da Residência;
2o Passo: Assinatura do contrato no Banco do Brasil;
3o Passo: Recebimento das chaves no Banco do Brasil;
4o Passo: Ligação da energia elétrica na Energisa;
5o Passo: Ligação da água no DAE;
6o Passo e definitivo a Mudança”.
Segundo Nico Baracat, o sonho da casa própria em Várzea Grande se tornou uma realidade, apesar de por causa de políticas, muitos tentarem criar um clima desnecessário e que em nada ajudou aos verdadeiros proprietários.
“Várzea Grande deu um passo enorme ao diminuir o abismo que existe na questão habitacional e ao conseguir tirar do papel as primeiras de mais de 5 mil residenciais construídos através do Minhas Casa, Minha Vida e que voltará com a carga total nos próximos anos”, disse a prefeita Lucimar Sacre de Campos.
O ministro Bruno Araújo assegurou a prefeita Lucimar Sacre de Campos e ao governador Pedro Taques a retomada dos financiamentos para novos residenciais e considerou como ousada mas possível a meta de se acabar com o déficit habitacional em Mato Grosso, suas cidades e no Brasil.


Mato Grosso
Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.
Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.
Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.
Já estava escrito
“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.
Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.
“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.
A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.
Legado construído com exemplo
Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.
Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.
Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.
Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.
Apoio incondicional
Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.
Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.
Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.
Adoção
Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.
Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.
Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.
Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.
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