Mato Grosso
Alta Floresta inicia preparativos para receber 7ª edição da Caravana da Transformação
Mato Grosso
Da Redação
A Caravana da Transformação levará serviços de saúde e cidadania ao município de Alta Floresta, no extremo Norte de Mato Grosso, dos dias 06 a 16 de junho. Além da cidade-sede, outros 11 municípios também serão atendidos no Complexo Esportivo Geraldo Ramos “Pezão”.
Carro-chefe da Caravana da Transformação, os atendimentos oftalmológicos já possuem um calendário para atendimento do público-alvo do programa, que são as pessoas acima de 55 anos: de 6 a 12 de junho acontecem as consultas e exames para detecção de doenças, em especial da catarata. Já entre os dias 08 e 16 de junho, serão realizadas as cirurgias agendadas após a consulta.
“Todos os pacientes, até mesmo aqueles que já possuem indicação para cirurgia oftalmológica, devem passar pela consulta com os oftalmologistas da Caravana da Transformação. Por isso, estamos finalizando os agendamentos dos municípios que serão atendidos”, explica a coordenadora de Saúde da Caravana da Transformação, Simone Balena.
Na última semana, parte da coordenação-executiva do programa esteve no município de Alta Floresta para se reunir com prefeitos, secretários de Saúde e reguladores para apresentação da iniciativa e explicação do funcionamento da edição. Por dia, serão atendidas cerca de 800 pessoas, podendo chegar até mil. Em relação as cirurgias, a capacidade para a realização é de 300 por dia.
Somente em Alta Floresta, 1.600 pessoas aguardam atendimento em oftalmologia e a secretaria de Saúde do município atua na busca ativa de mais pacientes. Segundo o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010, o município possui 5.916 pessoas acima de 55 anos, idade em que a incidência da catarata é maior.
Para o prefeito da cidade, Asiel Bezerra, a Caravana da Transformação trará impacto social, político e econômico. “Essas pessoas que estão na fila de espera para fazer uma cirurgia, terão seus casos resolvidos na caravana. Além disso, terá casamento comunitário, confecção de documentos, a visita do governador. Sem contar o ganho econômico, com pessoas de outras regiões vindo para cá, além dos servidores do Governo, então o saldo é muito positivo”, ressaltou o prefeito.
O município de Apiacás (a 210 km de Alta Floresta) será um dos atendidos durante a sétima edição do programa. Até o momento, 250 pessoas receberão atendimento em Alta Floresta, o que para a secretária de Saúde do município, Fabiana Pessoa é motivo de comemoração. “Quem está na ponta sabe das dificuldades que as pessoas enfrentam para ter acesso aos serviços de saúde. Então eu gostaria de agradecer o empenho do governador Pedro Taques em beneficiar a região do Alto Tapajós com essa caravana”.
Representando o coordenador-geral da Caravana da Transformação, José Arlindo de Oliveira, a secretária adjunta de Articulação Política da Casa Civil, Paolla Reis, solicitou que os municípios se empenhassem na mobilização de seus pacientes. “Essa é uma oportunidade única para essa região e juntos faremos o trabalho de levar dignidade a essas pessoas. E essa é nossa função como gestores públicos: não deixar nenhum mato-grossense para trás”.

A Secretaria Adjunta de Articulação Política da Casa Civil participa da Caravana da Transformação na mobilização dos municípios beneficiados a cada edição. Assim, cada liderança política, a exemplo de prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e até mesmo a sociedade civil organizada toma conhecimento do projeto e dos ganhos que os municípios têm ao mobilizar seus pacientes antes mesmo do início das atividades da Caravana.
Como ser atendido
Para receber atendimento durante a sétima edição da Caravana da Transformação, os interessados devem procurar a secretaria de Saúde de seu município portando seus documentos pessoais e Cartão SUS atualizado. O município fica responsável pelo transporte e alimentação de seus pacientes.
Os 12 municípios atendidos nessa edição são: Alta Floresta, Apiacás, Carlinda, Colíder, Itaúba, Marcelândia, Nova Bandeirantes, Nova Canaã do Norte, Nova Guarita, Nova Monte Verde, Nova Santa Helena e Paranaíta.
Mato Grosso
Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.
Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.
Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.
Já estava escrito
“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.
Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.
“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.
A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.
Legado construído com exemplo
Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.
Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.
Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.
Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.
Apoio incondicional
Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.
Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.
Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.
Adoção
Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.
Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.
Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.
Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.
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