Mato Grosso
Abertura do 2º simpósio em Mato Grosso reúne 750 pessoas na ALMT
Mato Grosso
Idealizado pelo deputado licenciado Wilson Santos, o simpósio discute políticas inclusivas para pessoas com distúrbios de aprendizagem
Da Redação
A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT) sedia o II Simpósio sobre Dislexia em Mato Grosso com o tema “Um jeito de ser e de aprender”. O primeiro dia de evento reuniu cerca de 750 pessoas entre pesquisadores, professores e pais de disléxicos.
Organizado e idealizado pelo deputado estadual licenciado Wilson Santos (PSDB), o II Simpósio foi aberto na noite desta quarta-feira (24), no Teatro Zulmira Canavarros, e encerra-se nesta quinta-feira (25). O evento busca discutir políticas públicas inclusivas para pessoas com distúrbios de aprendizagem (dislexia, disgrafia, disortografia e discalculia).
“A importância desse evento é irradiar que a dislexia não é uma doença, de que as pessoas que possuem esse distúrbio de aprendizagem podem perfeitamente conviver no ambiente familiar e escolar. Precisamos construir uma estrutura de Estado, especialmente na Secretaria de Educação, para preparar os professores, capacitá-los para diagnosticar a dislexia e impedir qualquer bullying”, disse Wilson Santos, que é também professor.
Wilson Santos destaca que a ideia do Simpósio da Dislexia em Mato Grosso para 2018 é torná-lo um simpósio regional.
“Já no ano que vem esse simpósio não será mais estadual, nós iremos transformá-lo num simpósio regional que abrangerá os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul Goiás e Distrito Federal. Neste agora estamos recebendo: professores, parlamentares, membros de secretarias de estados e municipais de educação de outros estados que está vindo conhecer a experiência de Mato Grosso”, pontuou Santos.
O deputado estadual de Brasília, Robério Negreiros (PSDB-DF), que veio a Mato Grosso a fim de conhecer a estrutura do evento, parabenizou o colega de partido pela iniciativa do debate.
“Eu vim de Brasília para aprender um pouco mais, colocar a Assembleia do Distrito Federal à disposição de Mato Grosso. Voltando para lá irei propor também um simpósio lá porque acredito que faltam debates acerca deste assunto, porque confesso que sou leigo nesse tema. Quero enfatizar meus agradecimentos ao colega Wilson Santos por me convidar a participar de um seminário que discute um assunto tão relevante e pouco lembrado pelos governos”, disse Robério Negreiros, durante o evento.

O palestrante da 1° noite do evento foi Dr. Rafael Silva Pereira (Portugal), doutor em Ciências da Educação, pós-doutor em Ciências da Reabilitação, especialista em distúrbios de aprendizagem, diretor da Disclinica e apresentador do programa de televisão “Viagem pelo Cérebro”, da TV Lisboa, em Portugal.
O profissional falou por duas horas sobre dislexia, disgrafia, disortografia e discalculia. A dislexia, segundo Rafael Silva, “é uma transtorno de aprendizagem de origem neurobiológica. Essa dificuldade resulta tipicamente num déficit do componente fonológico da linguagem, que é inesperada em relação a outras habilidades cognitivas consideradas na faixa etária”, disse durante a palestra.
No decorrer da palestra, ele explicou que a discalculia é a capacidade abaixo da média para a realização de operações aritméticas, apesar do nível de inteligência normal, oportunidade escolar, motivação e estabilidade emocional. Já a disortografia se dá pela dificuldade em fixar as formas ortográficas das palavras. Por fim, a disgrafia é uma alteração funcional no componente motor do ato de escrever, que afeta a qualidade da escrita.
Rafael Silva ressaltou que a pessoa com dislexia pode ter uma vida normal e, para se ter uma ideia, basta saber que algumas personalidades que se destacaram eram ou são disléxicos, dentre eles: Pablo Picasso, Albert Einstein, George Washington, Steven Spielberg, John Lennon, Tom Cruise, Orlando Bloom, Keanu Reeves, Dercy Gonçalves e muitos outros que se destacaram não apenas no mundo artístico, mas também empresarial, como o dono da rede McDonald’s, Ray Kroc.
Depoimentos – A primeira noite do Simpósio teve a participação de algumas mães, que fizeram depoimentos contando como foi para elas a descoberta de ter um filho com dislexia. Eryka Patricia Fernandes de Souza, disléxica e mãe do disléxico Vinicius Alves de Souza, 15 anos, emocionaram o público contando sua experiência com o transtorno. “Eu sofri muito na infância e até hoje tenho dificuldades, sofro preconceitos dentro da própria faculdade onde estudo. Hoje eu luto para que meu filho não passe pelo o que eu passei e ainda passo”, disse.
Outras mães, como Gabrielle Maria de Andrade e Marilda Alves da Silva Santos contaram suas histórias. O diretor executivo da Faculdade Evangélica Integradas Cantares de Salomão, Maury Borges da Silva, também palestrou durante o encontro.
“Para a Feics, essas ações fazem com que os acadêmicos e profissionais se aproximem e compreendam melhor o perfil do disléxico, e quando a faculdade abraça projetos como este do Simpósio sobre Dislexia em nosso estado aumenta nossa responsabilidade social e a importância do comprometimento da empresa com políticas publica de inclusão. Com isso nossa faculdade agradece a participação nesse segundo simpósio e acreditamos que, momentos como esses são fundamentais para incentivar a troca de conhecimento das novas gerações”, concluiu Maury.
Participaram da mesa de debate, além do deputado Wilson Santos; o deputado estadual Robério Negreiros (PSDB-DF); o secretário-adjunto de Políticas Educacionais de Mato Grosso (Seduc-MT), Edinaldo Gomes de Sousa; Maria Ângela Nogueira Nico, vice-presidente da Associação Brasileira de Dislexia (ABD); diretor do Hospital de Câncer de Mato Grosso, Dr. Laudemi Moreira Nogueira; diretor-executivo da Faculdade Evangélica Integradas Cantares de Salomão, Maury Borges da Silva; Regina Lúcia Borges Araújo, presidente da União Nacional dos Conselhos de Mato Grosso e presidente do Conselho Municipal de Educação; secretário-adjunto de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Casa Civil, Marcione Mendes de Pinho; e representantes da Secretaria de Estado de Saúde.
Mato Grosso
Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.
Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.
Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.
Já estava escrito
“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.
Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.
“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.
A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.
Legado construído com exemplo
Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.
Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.
Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.
Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.
Apoio incondicional
Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.
Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.
Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.
Adoção
Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.
Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.
Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.
Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.
-
Política6 dias atrásMarco legal da IA deve proteger jornalismo e direitos autorais, aponta debate
-
Política6 dias atrásMax Russi admite possibilidade de disputar o Governo de Mato Grosso após incentivo de lideranças
-
Política5 dias atrásNa CMO, especialistas pedem mais recursos para melhorar educação infantil
-
Política6 dias atrásCRE amplia esforço contra barreiras da União Europeia à carne brasileira
-
Política5 dias atrásComplexo Penitenciário Ahmenon Lemos Dantas ganha quatro novos barracões para ampliar oportunidades de trabalho aos reeducandos
-
Cidades5 dias atrásJayme volta a falar em traição no União e diz que candidatura foi derrotada pelo “poder econômico”
-
Cidades4 dias atrásNovo confirma Marcelo Maluf como vice de Wellington Fagundes na disputa pelo Governo de MT
-
Política6 dias atrásEspecialistas alertam para riscos de expansão de data centers de IA no Brasil


Você precisa estar logado para postar um comentário Login