Esporte
Juventus voltou a ser gigante após inauguração de seu estádio
Esporte
Abertura de sua casa, em 2011, fez clube italiano aumentar muito a arrecadação
Da Redação
No dia 8 de setembro de 2011, a Juventus inaugurou seu estádio, tornando-se o primeiro – e até agora único – clube grande da Itália a ter uma casa própria. Depois disso, o time alvinegro conquistou o Campeonato Italiano em todas as temporadas. São cinco títulos consecutivos, e o sexto será alcançado no domingo, com duas rodadas de antecedência, em caso de vitória sobre a Roma, na capital do país.
A Juventus ter se tornado uma força dominante na Itália logo depois da inauguração de sua arena não foi uma coincidência. O Estádio Juventus, onde o time não perde desde agosto de 2015, fez o clube elevar muito a sua média de público (que saltou da casa das 25 mil pessoas por jogo para cerca de 40 mil) e também a arrecadação de dinheiro. Na última temporada antes da abertura da casa, o faturamento da Juventus foi de 153 milhões de euros (R$ 533 milhões, em valores atuais). No ano passado, de acordo com a empresa de consultoria Deloitte, os alvinegros faturaram 341 milhões de euros (R$ 1,19 bilhão).
O sucesso financeiro permite que o clube de Turim faça “loucuras” como pagar ao Napoli 90 milhões de euros (R$ 314 milhões) pelo argentino Gonzalo Higuaín, no ano passado. Assim, e também fazendo aquisições inteligentes como a de Daniel Alves, que chegou de graça do Barcelona, a Juventus montou um elenco muito superior aos dos concorrentes domésticos e capaz de encarar sem complexos os gigantes do continente, como o Barça e o Real Madrid.
Em 2015, a Juventus chegou à final da Liga dos Campeões da Europa, mas perdeu para o time catalão. Dois anos depois, volta à decisão para mais uma vez enfrentar uma equipe espanhola – Real ou Atlético de Madri. O clube de Turim persegue seu terceiro título continental, para somá-lo aos conquistados em 1985 e 1996.
Para o futebol italiano, o excelente momento da Juventus é, ao mesmo tempo, uma maldição e uma bênção. Uma maldição porque transformou o campeonato nacional em um torneio monótono, em que todos sabem quem será o campeão antes mesmo do início. E uma bênção porque, em uma época muito ruim para os clubes da Itália, que foram deixados para trás por espanhóis, ingleses e alemães, o país volta a ter uma equipe capaz de brigar de igual para igual com as melhores. E que está a apenas um jogo de se tornar a melhor.
Fonte: Veja/Placar
Esporte
Quando perder músculo também ameaça o cérebro
Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.
Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.
Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.
Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.
O que a ciência mostra :
Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.
Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.
Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.
Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.
Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?
Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.
Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.
O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.
Por que o músculo influencia a saúde cerebral?
A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.
A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.
Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.
Como enfrentar cientificamente esse problema ?
O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.
O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.
A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.
Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.
Envelhecer bem ,exige preservar força
A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.
Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.
Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.
Saúde não é sorte. É rotina.
Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308 Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.
Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.
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