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Prefeitura intensifica ações contra “bolsões de lixo” e amplia fiscalização

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Levantamentos recentes da Secretaria Municipal de Serviços Públicos e Mobilidade Urbana apontaram áreas com maior incidência do problema, como os bairros Costa Verde, Jardim Monte Líbano e a região da Estrada da Guarita

A Prefeitura de Várzea Grande tem reforçado o combate aos chamados “bolsões de lixo”, pontos críticos de descarte irregular que se acumulam em vias públicas e terrenos baldios, gerando riscos à saúde pública e ao meio ambiente. A iniciativa integra uma estratégia contínua que alia limpeza urbana, fiscalização e conscientização da população.

Levantamentos recentes da Secretaria Municipal de Serviços Públicos e Mobilidade Urbana apontaram áreas com maior incidência do problema, como os bairros Costa Verde, Jardim Monte Líbano e a região da Estrada da Guarita. Nessas localidades, equipes foram mobilizadas em força-tarefa para a retirada de resíduos e eliminação dos focos de descarte clandestino.

Somente em uma dessas operações, realizada no fim de março, foram retiradas cerca de 200 toneladas de lixo descartadas irregularmente. No bairro Costa Verde, ações mais recentes intensificaram a limpeza e o combate aos bolsões, com foco na prevenção de doenças e na melhoria da qualidade de vida dos moradores.

Além da retirada de entulhos, a Prefeitura também tem ampliado a fiscalização para coibir o descarte irregular. As ações contam com o apoio da Guarda Municipal, que atua no monitoramento das áreas críticas, realização de rondas e abordagem de infratores. Em alguns pontos, medidas como bloqueio de vias e controle de acesso têm sido adotadas para impedir a entrada de veículos utilizados no despejo clandestino.

Outro eixo fundamental é a orientação à população. A gestão municipal reforça que a colaboração dos moradores é essencial para evitar que os bolsões voltem a se formar. A educação ambiental tem sido trabalhada como ferramenta de conscientização, alertando sobre os impactos do descarte inadequado, como a proliferação de insetos, animais peçonhentos e a contaminação do solo.

A população pode contribuir denunciando pontos de descarte irregular e solicitando serviços de limpeza e retirada de entulho pelo telefone (65) 3688-8034, canal direto da Secretaria. O atendimento presencial também está disponível na sede da pasta, localizada na Avenida Castelo Branco, no bairro Centro Sul, de segunda a sexta-feira, das 12h às 17h.

Moradores que conviviam com o problema relatam melhora significativa após as intervenções. No bairro Jacarandá, o aposentado Antônio Sales, morador há 10 anos, afirmou que a ação era aguardada há muito tempo. Segundo ele, o acúmulo de lixo — inclusive com animais mortos — tornava o ambiente insuportável, além da presença constante de insetos. Para ele, o bloqueio da via deve ajudar a impedir novos descartes irregulares.

Também morador da região há 13 anos, Antônio Tomás classificou a limpeza como uma medida necessária e positiva para todo o bairro.

O secretário municipal de Serviços Públicos e Mobilidade Urbana, Gerson Scarton, destacou que o enfrentamento ao problema exige atuação integrada. “Estamos intensificando as ações em toda a cidade, com retirada de grandes volumes de resíduos e reforço na fiscalização. Mas é fundamental que a população também faça sua parte, utilizando os canais oficiais e descartando corretamente seus resíduos”, afirmou.

Fonte: Prefeitura de Várzea Grande – MT



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Cortes em auxílios sociais podem gerar retração em cidades do interior

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São Paulo – A estagnação ou cortes no valor dos benefícios sociais e previdenciários poderão causar uma retração severa à atividade econômica em municípios do interior do Brasil, mostra levantamento do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), lançado nesta semana.

Segundo o estudo, as aposentadorias, o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) têm peso significativo na economia dessas cidades e chegam a representar quase metade do orçamento das famílias mais pobres.

“Como o valor recebido por essas famílias é usado quase integralmente para a aquisição de itens de primeira necessidade, o dinheiro circula imediatamente no comércio local, garante empregos e mantém a arrecadação municipal ativa”, destaca a co-diretora do Made-USP, a economista Luiza Nassif.

De acordo com o levantamento, dos 5.569 municípios brasileiros, cerca de 4 mil estão fora das regiões metropolitanas. Nessas cidades, segundo o estudo, o peso das transferências públicas chega a ser o dobro em relação aos dos grandes centros urbanos. No Ceará, por exemplo, os benefícios sociais e previdenciários respondem por 22% da renda agregada da capital e região metropolitana. Já nas cidades do interior, esse número é de 40%.

Impactos futuros

O estudo do Made/USP projetou os efeitos econômicos da evolução da renda dos benefícios sociais e previdenciários nas cidades do interior para os próximos três anos. O estudo tomou como base os anos de 2022 a 2025, em que houve um crescimento real para BPC e aposentadorias, e comparou esse cenário ao contexto de reajustes utilizados entre 2019 e 2022, sem ganhos reais do salário mínimo e congelamento total.

O levantamento mostra que, sem os reajustes, a renda agregada do interior do país sofreria uma retração severa, ficando entre 6,8% e 10,8% abaixo do patamar com a valorização real dos benefícios sociais e previdenciários. 

“Isso geraria uma reação em cadeia na atividade econômica que atinge inclusive as famílias que não dependem do socorro público”, avalia Nassif. 

O estudo mostra que os cenários mais críticos ocorreriam no interior do Rio Grande do Norte, Amapá e Piauí, em que a renda total cairia entre 17% a 18%, sem o ritmo atual de aumento dos benefícios sociais. No Amazonas, Sergipe e Pernambuco, a perda seria na casa dos 15%. No Ceará, Maranhão, em Alagoas e Bahia, a queda ficaria entre 10% e 13%, enquanto no Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, o prejuízo chegaria a 6,5%.  

Os efeitos na pobreza

O levantamento destaca que, além dos efeitos sobre a renda e a atividade econômica dos municípios do interior, os benefícios desempenham um papel decisivo no combate à pobreza.

“Para quem vive no limite, qualquer reajuste abaixo da inflação empurra a família diretamente para a pobreza”, afirma Nassif. Segundo ela, para famílias com rendimento de até 1,5 salário mínimo per capita, os benefícios podem chegar a 50% do rendimento. 

Simulações realizadas pelo levantamento indicam que a ausência de ganhos reais nos benefícios, entre 2022 e 2025, teria empurrado aproximadamente 2,7 milhões de pessoas para a pobreza nos municípios fora das regiões metropolitanas, 2,4 milhões delas para extrema pobreza.

Em números absolutos, as maiores altas na pobreza ocorreriam na Bahia (até 336 mil pessoas a mais), São Paulo (até 263 mil) e Minas Gerais (até 251 mil), seguidos por Maranhão, Pará e Ceará (com mais de 200 mil pessoas cada).

“Olhando para o impacto que a queda de renda provoca, fica nítido o estrago que uma trava no crescimento dos benefícios pode fazer nas economias locais”, observa Nassif. “Manter a valorização real da previdência, do BPC e dos programas de transferência de renda é a garantia mínima de dignidade para as famílias e de sobrevivência para o comércio local no Brasil profundo”, acrescenta.




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