“Na Contramão”
Preço da carne bovina bate recorde
Mesmo com dólar em queda o quilo da carne de primeira já é comercializado a R$ 70 na Capital
Economia
Mesmo o estado de Mato Grosso sendo o detentor do maior rebanho bovino do país, com mais de 32 milhões de cabeças, como também, possui as maiores e melhores plataformas frigoríficas do mundo, o preço da carne bate novo recorde para o consumidor final, e agora, o dólar não pode ser usado como o motivo do aumento, já que a redução da cotação da moeda é constante há vários dias, indo na contramão dos sucessivos aumentos no valor do produto, que já chegou custar R$ 75,00 o quilo da carne de primeira.
No ano passado, em meados de 2021, os consumidores já reclamavam e muito dos aumentos, mas até então, nada se comparava com os valores que estão sendo praticados, neste mês de fevereiro de 2022.
Com valores da carne de segunda entre R$ 25,00 e R$ 35,00 e da carne de primeira ultrapassando a casa dos R$ 70,00, mais uma vez, o consumidor que paga a conta, sem saber quais são as reais causas, circunstâncias ou razões, que estão pagando tão caro, por um produto em abundância na região.
Com a moeda americana em queda constante, sendo geralmente utilizada como uma das razões dos aumentos, hoje então, assim como o preço os combustíveis, mesmo que seja muito de leve, vem sofrendo redução, o preço da carne bovina, também deveria seguir o mesmo curso, e não tomando rumo da contramão, adotando valores recordes, causando prejuízos aos consumidores.

Foto: Rogério Florentino
Em nota, a Associação do Criadores de Mato Grosso (ACRIMAT) informou no ano passado que:
“Para a perfeita compreensão do assunto, é salutar esclarecer todas as nuances de o porquê da elevação do valor da arroba do boi, que de antemão já alertamos, não é o principal fator de elevação dos preços da carne bovina aos consumidores finais.
Uma das primeiras razões é variação cambial do dólar norte-americano batendo sucessivos recordes de aumentos. Nestes patamares a indústria consegue aumentar suas exportações para diversos países, inclusive para a China tanto lembrada nestes últimos meses, porém o Brasil exporta para mais de 100 países.
Em números, os resultados foram que de janeiro a outubro deste ano, o Brasil exportou 1.464 milhão de toneladas de carne, com aumento de 9,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Estas vendas renderam ao Brasil US$ 5.776 bilhões, um aumento de 7,5% também em relação ao ano anterior”.

Foto: SNA
“Volumes recordes nas exportações”.
E o mercado consumidor interno, pelo que tudo indica, deixou de ter valor, tanto no atacado, quanto no varejo, já que no atual cenário, fica inviável para a população comum, que é a maioria, em muitos casos assalariados, pagar cerca de R$ 25,00 a R$ 30,00 no quilo da carne moída.
“Comer carne bovina virou luxo para poucos, revoltados com os valores elevados, consumidores buscam outras alternativas, reduzindo a procura pelo produto, deixando toneladas de carnes paradas nos frigoríficos”.

Foto: Redação
Mais uma vez, o “jeitinho” brasileiro tem que entrar em ação, para os pais e mães de famílias, conseguirem oferecer uma refeição descente para sua família, utilizando de alternativas como a proteína do peixe, aves e suínos.
Boa parte da população, já começa questionar se por alguns dias, ou até mesmo semanas e meses, deixar de comprar carne de boi, o que acontece com o mercado interno, com os açougues de pequeno, médio e grande porte, como também os frigoríficos, será que o objetivo é apenas exportar, o povo de Mato Grosso não merece comer carne?
O secretário adjunto de Proteção e Defesa do Consumidor, o Procon Municipal de Cuiabá, Genilton Nogueira informou que as questões de abuso, na prática de valores cobrados por determinados produtos, são fiscalizados constantemente, e ainda afirmou que o PROCON está a serviço do consumidor.

Foto: Rede Social
“Denúncia de qualquer natureza, majoração de preço sem justa causa, basta fazer direto pelo aplicativo Procon Cuiabá, pode fazer através de fotos, vídeos, áudios, que caem na mesa dos fiscais imediatamente”.
“Aquele consumidor que considerar os preços elevados, com características de abusos e monopólio, que se sintam lesados, devem denunciar, seja pessoalmente, pelo telefone: (65) 3641-6400 e (65) 3632-6400, e pelo aplicativo com maior facilidade, é uma ferramenta moderna e eficiente, que uma equipe de fiscais irá até o local, para averiguar a situação”, explicou Genilton.
Economia
FMI elogia Pix e cobra autonomia financeira do Banco Central
O Fundo Monetário Internacional (FMI) elogiou o Pix como um dos principais responsáveis pela transformação do sistema financeiro brasileiro, mas alertou que o Banco Central (BC) precisa de autonomia financeira e orçamentária para manter a capacidade de supervisão diante da expansão do setor. 

As conclusões constam no relatório de Avaliação da Estabilidade do Sistema Financeiro (FSSA), divulgado nesta quinta-feira (23).
O documento, elaborado em parceria com o Banco Mundial após missões técnicas ocorridas no Brasil entre dezembro de 2025 e março de 2026, afirma que o sistema financeiro nacional é resiliente, mas enfrenta desafios relacionados à falta de pessoal nos órgãos de supervisão, limitações legais e necessidade de fortalecimento institucional. O último relatório do tipo foi elaborado em 2018.
Pix
Na avaliação do FMI, o Pix consolidou-se como um importante instrumento de inclusão financeira, ampliação da concorrência e digitalização do mercado bancário brasileiro.
“Os bancos digitais emergentes reduziram a concentração do setor bancário e continuam a fomentar a concorrência e a eficiência, resultando também em taxas de crédito mais baixas.”
O relatório destaca que o sistema de pagamentos instantâneos acelerou a transformação digital do setor financeiro e impulsionou o crescimento dos bancos digitais.
Ao mesmo tempo, o Fundo alerta para o aumento dos riscos cibernéticos e das fraudes digitais, defendendo o fortalecimento da governança do sistema.
Entre as recomendações, está a formalização da política de supervisão do Pix e a separação entre as funções operacionais e fiscalizatórias desempenhadas pelo Banco Central.
Autonomia
Além dos elogios ao Pix, o FMI afirma que é urgente fortalecer a estrutura do Banco Central para garantir a estabilidade do sistema financeiro.
Segundo o relatório, o Brasil deve adotar “medidas para superar as restrições de pessoal nos órgãos supervisores, a concessão de plena autonomia orçamentária ao Banco Central do Brasil”, além de ampliar a proteção jurídica dos servidores e atualizar a legislação sobre resolução de instituições financeiras.
Na avaliação do organismo, os avanços registrados desde a última revisão, em 2018, foram relevantes, porém persistem obstáculos que limitam a atuação da autoridade monetária.
“As autoridades demonstraram avanços substanciais, mas ainda enfrentam desafios – principalmente decorrentes de restrições de pessoal, falta de proteção jurídica e limitações de autoridade legal.”
O FMI afirma que essas limitações reduzem a intensidade da supervisão bancária e podem ampliar a dependência de entidades autorreguladoras no mercado de capitais.
PEC
A recomendação ocorre enquanto o Senado analisa a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65/2023, que concede autonomia financeira ao Banco Central.
O texto foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em junho e aguarda votação no plenário. A proposta transforma o BC em uma entidade pública de natureza especial e é defendida pelo presidente da instituição, Gabriel Galípolo.
O projeto, entretanto, divide governo e servidores. Entidades representativas de auditores e gestores do BC apoiam a mudança. No entanto, o Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal) defende uma alternativa apresentada pelo governo que amplia a autonomia orçamentária, mas mantém a natureza jurídica atual da autarquia.
Solidez
Apesar das recomendações, o FMI conclui que o sistema financeiro brasileiro permanece sólido e capaz de absorver choques econômicos.
O relatório destaca a importância da manutenção do regime de metas para a inflação, de instituições robustas e da continuidade das reformas estruturais para preservar a estabilidade financeira do país.
Resposta do BC
Em nota, o Banco Central afirmou que recebeu o relatório com satisfação e avaliou que o documento contribui para o aprimoramento das políticas econômicas e financeiras.
“O BC agradece aos corpos técnicos do FMI e do Banco Mundial pela qualidade dos trabalhos desenvolvidos, pelo diálogo construtivo mantido durante todo o processo e pelo elevado nível técnico das análises apresentadas nos relatórios.”
A autarquia também destacou que o FMI reconheceu a evolução do sistema financeiro brasileiro desde 2018, o papel transformador do Pix e a necessidade de fortalecer o arcabouço institucional para garantir recursos, recompor o quadro de servidores e preservar a capacidade de supervisão.
Ministério da Fazenda
O Ministério da Fazenda também emitiu uma nota para destacar que o Brasil teve a segunda maior revisão positiva de crescimento entre as economias do G20. O FMI espera que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresça 2,4% em 2026. Para o ano que vem, a previsão também foi revisada para cima, chegando a 2,2%.
A Fazenda destacou ainda que o relatório reconhece que a trajetória de consolidação fiscal proposta no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias apresentado em abril levará à estabilização da dívida pública.
O relatório divulgado nesta quinta repetiu as projeções do FMI para a economia brasileira apresentadas no início de julho.
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