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Petrobras suspendeu leilão de combustíveis para reavaliar estoques

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A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse nesta quarta-feira (18) que a suspensão do leilão de diesel e gasolina que seria nesta semana está diretamente ligada à necessidade de reavaliar estoques. O mercado internacional de petróleo e derivados vive um cenário de incertezas por causa do conflito no Oriente Médio. 

Segundo Chambriard, a decisão foi tomada após a empresa antecipar entregas de combustíveis e identificar risco de desequilíbrio no abastecimento.

“Nós suspendemos o leilão, primeiro, porque há necessidade de reavaliar a todo momento o estoque disponível para que não entreguemos tudo em um dia e falte no dia seguinte”, disse Magda.

“Nós adiantamos entre 10% e 15% das nossas entregas de combustíveis. Mas as condições não permitiam mais que fizéssemos isso, sob risco de penalizar novamente a sociedade, que a gente procura resguardar das ansiedades e da volatilidade do mercado internacional”, complementou.

Na semana passada, a Petrobras anunciou o aumento de R$ 0,38 no litro do diesel A, vendido por suas refinarias para as distribuidoras, que executam a mistura obrigatória com biodiesel e enviam o combustível aos postos de revenda. 

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A presidente da estatal também confirmou ter havido problemas com embarcações que deveriam ter atracado no país com derivados de petróleo. Segundo ela, a Petrobras monitorou seis navios de terceiros que estavam a caminho do Brasil, chegaram perto de portos brasileiros e tiveram seus destinos desviados.

“Não podemos garantir que tenham sido desviados em função de melhores oportunidades de venda em algum lugar do mundo. Isso não nos compete. O que nos compete é que todos os nossos compromissos assumidos estão sendo entregues regularmente”, disse Magda.

 


Rio de Janeiro (RJ), 18/03/2026 – A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, participa da cerimônia de cessão do antigo prédio do Automóvel Club do Brasil para a criação do Museu do Petróleo e Novas Energias. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 18/03/2026 – A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, participa da cerimônia de cessão do antigo prédio do Automóvel Club do Brasil para a criação do Museu do Petróleo e Novas Energias. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, participa da cerimônia de cessão do antigo prédio do Automóvel Club do Brasil para a criação do Museu do Petróleo e Novas Energias. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Impacto da guerra

A decisão ocorre em meio à escalada de tensões no Oriente Médio, especialmente na região do Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela significativa do petróleo mundial. Segundo a presidente, o conflito — inicialmente visto como breve — passou a ter duração incerta, com impactos diretos sobre oferta, logística e preços.

Magda Chambriard afirmou que a interrupção de fluxos e o aumento dos custos de transporte e seguro elevaram a volatilidade no mercado global de combustíveis. O cenário torna mais difícil o planejamento.

“É muito difícil prever o futuro. O que precisamos fazer é nos preparar da melhor maneira para enfrentar este desafio. Estamos reavaliando sempre o cenário para saber o que precisa ser feito, como evitar essa volatilidade que impacta a sociedade. E, ao mesmo tempo, honrar o investimento dos acionistas, sejam eles estatais ou privados”.

Chambriard ressaltou que o Brasil ainda depende de importações para cerca de 30% do diesel consumido, o que aumenta a vulnerabilidade em momentos de crise global. Parte desse volume é trazida por agentes privados, cuja atuação pode variar conforme condições de mercado.

“Por que isso acontece? Porque o Estado brasileiro, em um determinado momento, decidiu que a Petrobras não ficaria sozinha nesse mercado. Decidiu, por exemplo, que nós tínhamos que vender a BR Distribuidora. Decidiu que a importação deveria ser mais forte. Uma série de decisões que funcionam em momento de estabilidade, mas, em momentos de crise, exacerbam suas fraquezas”, disse a presidente.

Entenda o conflito no Oriente Médio

Pela segunda vez, desde junho de 2025, Israel e os Estados Unidos lançaram ataques contra o Irã em meio às negociações sobre o programa nuclear e balístico do país persa

A ofensiva mais recente teve início em 28 de fevereiro, quando EUA e Israel bombardearam a capital, Teerã. O líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, morreu neste ataque, além de outras autoridades. O filho do aiatolá, Mojtaba Khamenei, foi escolhido novo líder do país.

O Irã, por sua vez, disparou mísseis contra países árabes do Golfo com presença militar dos Estados Unidos, como Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos e Jordânia. 

Os países envolvidos no conflito estão entre os maiores produtores e exportadores de petróleo do mundo, e parte importante dessa produção passa pelo Estreito de Ormuz, que foi bloqueado pelo Irã. 

As incertezas sobre a oferta fizeram disparar o preço dos combustíveis no mercado internacional, e o petróleo já superou os US$ 100 o barril.

Redução de impostos

Para conter a alta do combustível, o governo federal anunciou a suspensão das alíquotas do PIS e da Confins sobre a importação e comercialização do diesel.

De acordo com cálculos do Ministério da Fazenda, a suspensão dos impostos federais representa alívio de R$ 0,32 por litro no preço do diesel. Além disso, o governo assinou medida provisória (MP) com subvenção ao diesel para produtores e importadores.

O governo federal também propôs nesta quarta-feira que estados e o Distrito Federal zerem temporariamente o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre a importação de diesel. Em contrapartida, a União se compromete a compensar 50% da perda de arrecadação.

A medida foi apresentada pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, durante reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz).



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Brasil desenvolve sensor de freio obrigatório para carros em 2029

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Pesquisadores de universidades, institutos de pesquisa e empresas do setor automotivo desenvolvem, aqui no Brasil, um sensor nacional para sistemas de frenagem automática, que será obrigatório em todos os veículos fabricados a partir de 1º de janeiro de 2029.

A tecnologia é um sensor de radar chamado sistema Adas, sigla para Advanced Driver Assistance Systems (Sistemas Avançados de Assistência ao Motorista, em inglês). Esse sistema vai reforçar a segurança dos veículos ao viabilizar recursos como frenagem automática e assistência de permanência em faixa.

A obrigatoriedade do Adas nos carros fabricados a partir de 2029 é uma resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), órgão vinculado ao Ministério dos Transportes.

O desenvolvimento nacional acontece no Senai Park de Suape, no litoral de Pernambuco. A estrutura é uma espécie de “berçário de tecnologias” mantido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de Pernambuco (Senai PE).

O investimento, coordenado pelo Senai PE, é de R$ 44 milhões e conta com instituições como a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a Universidade de Brasília (UnB), a Volkswagen e a Stellantis (grupo dono de 14 marcas, entre elas Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën), entre outras.

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Mais segurança

O diretor de Inovação e Tecnologia do Senai-PE, Oziel Alves, explica que os sensores serão capazes de detectar obstáculos e outros veículos em diferentes distâncias, funcionando em conjunto com câmeras.

“Na prática, os sistemas de frenagem automática combinam radar e câmera para tomar decisões mais seguras”, pontua.

Ele detalha que o radar é responsável por detectar objetos à frente e medir, com precisão, a distância e a velocidade, enquanto a câmera complementa essas informações, ao identificar o tipo de objeto, como um carro ou uma pessoa.

“Com essas duas informações integradas, o sistema consegue avaliar o risco de colisão de forma mais completa e tomar, de maneira autônoma, a decisão de acionar a frenagem automaticamente”, descreve.

 


Recife (PE), 15/06/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Diretor de Inovação e Tecnologia do Senai-PE, Oziel Alves. Brasil vai desenvolver sensor que será obrigatório para carros em 2029. Foto: Senai PE/Divulgação
Recife (PE), 15/06/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Diretor de Inovação e Tecnologia do Senai-PE, Oziel Alves. Brasil vai desenvolver sensor que será obrigatório para carros em 2029. Foto: Senai PE/Divulgação

Diretor de Inovação e Tecnologia do Senai-PE, Oziel Alves. Foto: Senai PE/Divulgação – Senai PE/Divulgação

Alves assinala que esse processo é conhecido como “percepção e fusão sensorial”.

“Aumenta a confiabilidade do sistema, pois combina diferentes perspectivas para melhorar a percepção do ambiente e reduzir erros”, completa.

No Senai Park, os desenvolvedores terão recursos como inteligência artificial e gêmeos digitais (réplica virtual de um objeto ou sistema), o que permite acelerar testes e validações sem depender exclusivamente de protótipos físicos.

Menos dependência externa

O desenvolvimento de um sistema nacional é uma forma de o país diminuir a dependência tecnológica externa.

“Ao desenvolver localmente soluções como o radar proposto neste projeto, o Brasil amplia seu know-how (saber como fazer, em inglês) em tecnologias críticas, forma profissionais especializados e cria uma base de engenharia mais madura”, avalia Alves.

Na visão do diretor, o desenvolvimento traz reflexos diretos da indústria, como “maior autonomia para desenvolvimento, redução gradual dos custos associados à importação e aumento da competitividade das montadoras e fornecedores locais”.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Bruno Veloso, classifica a iniciativa como “soma de esforços da indústria automobilística”.

“Temos empresas e instituições de pesquisa e desenvolvimento juntas aqui. É só com essa soma de conhecimentos que estaremos prontos para enfrentar os nossos desafios”

A diretora regional do Senai PE, Camila Barreto, chama o esforço para diminuir a dependência externa de “tropicalizar tecnologias”.

“Temos um parque tecnológico, o Senai Park, para implantar todos esses projetos. É lá que a bateria de lítio vai ser desenvolvida”, diz ela, em referência ao armazenamento de energia essencial para a crescente frota de carros híbridos e elétricos.



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