Economia
Governo anuncia que saques do PIS/Pasep começam em 19 de outubro
Economia
Planalto organiza cerimônia de última hora para Temer fazer anúncios pessoalmente; além do cronograma da liberação de recursos, presidente comunica também a redução do teto da taxa de juros do consignado para servidores e aposentados
Da Redação
O governo anunciou nesta quinta-feira, 28, que os saques de recursos do PIS/Pasep começarão no dia 19 de outubro. Esta primeira data valerá apenas para cotistas com mais de 70 anos. A partir de 17 de novembro, os recursos estarão disponíveis para aposentados e, a partir de 14 de dezembro, para os demais cotistas.
O anúncio foi feito no Palácio do Planalto, em uma cerimônia de última hora, iniciada pessoalmente pelo presidente Michel Temer como forma de mostrar uma agenda positiva. Quem detalhou o cronograma de saques de recursos do PIS/Pasep, no entanto, foi o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira. “A medida tem impacto macroeconômico importante, já que é um estímulo adicional para retomada do crescimento”, afirmou.
No mesmo evento, Temer comunicou também a redução do teto da taxa de juros de empréstimos consignados a servidores, aposentados e pensionistas. Em seu discurso, o presidente afirmou que os anúncios celebravam medidas “que trarão mais uma vez benefícios para milhões de brasileiros e brasileiras”. Ao seu lado, estavam, além de Dyogo, os presidentes do Banco do Brasil, Paulo Cafferelli, e da Caixa, Gilberto Occhi.
A medida que libera os saques de contas do PIS/Pasep é voltada para homens com idade a partir de 65 anos e mulheres a partir de 62 anos. Antes, os recursos somente podiam ser sacados quando o cotista completasse 70 anos.
Os recursos têm como fonte depósitos feitos em nome dos trabalhadores pelos empregadores, em programa que durou até 1988. Serão liberados R$ 15,9 bilhões. Aproximadamente 9 milhões de pessoas devem ser beneficiadas. Correntistas do Banco do Brasil e da Caixa terão os recursos creditados automaticamente. A transferência do dinheiro para outras instituições financeiras não terá custos.
Segundo Dyogo, ambos os bancos públicos farão um esforço de divulgação e de atendimento para os novos beneficiados. “Esperamos passar de uma média de liberação de R$ 100 milhões por mês para R$ 5,3 bilhões por mês”, disse. Com a antecipação do saque do PIS/Pasep, serão liberados cerca de R$ 15,9 bilhões de um total de R$ 37 bilhões em nome dos cotistas. O saldo médio dos cotistas é de R$ 1,2 mil e a maioria tem pelo menos R$ 750 para serem resgatados.
Gilberto Occhi, por sua vez, explicou que o valor médio do saque apenas do PIS será de R$ 1.750. De acordo com ele, a regra de pagamento do PIS/Pasep será a mesma do FGTS. Quem tem o número do PIS, poderá sacar até R$ 1.500. Se a pessoa tiver o cartão cidadão, poderá sacar R$ 3.000. Acima deste valor, será preciso ir até uma agência da Caixa.
Agenda econômica. Durante a cerimônia, Temer afirmou que a liberação de recursos do PIS/Pasep tem o mesmo princípio da liberação de dinheiro das contas inativas do FGTS, que é permitir ao cidadão “acesso a um dinheiro que lhe pertence”. Com mais dinheiro, disse ele, as pessoas poderão investir em reformas, compras, ou “como bem entender”. “É um reforço no seu orçamento”, declarou. A medida também foi exaltada na conta do presidente no Twitter.
Segundo o presidente, muita gente nem sabe ou esquece que tem o dinheiro do PIS/Pasep e que os saques serão feitos com “método e organização” e que os beneficiários precisam se informar para não perder a oportunidade de ter acesso ao recurso. “É mais um estímulo para retomada do crescimento e do emprego”, afirmou.
Sem citar em nenhum momento a crise política, Temer disse que, somados os recursos já sacados do FGTS aos agora liberados do PIS/Pasep, serão R$ 60 bilhões injetados na economia este ano. “No caso do FGTS, foram meses e meses de filas de gente muito otimista na Caixa”, disse Temer, que mesmo com índices baixos de popularidade, chegou a ir a uma agência para tirar fotos com beneficiários e tem na medida uma de suas bandeiras consideradas positivas.
Denúncia. O anúncio desta quinta-feira, 28, é mais uma tentativa do governo de lançar agendas positivas em meio à tramitação da segunda denúncia contra o presidente na Câmara dos Deputados. Ele foi feito após reunião entre Temer e os ministros do Planejamento, Dyogo Oliveira, da Fazenda, Henrique Meirelles e da Casa Civil, Eliseu Padilha, além do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).
Este foi o segundo evento promovido pelo governo relacionado à liberação de recursos do PIS/Pasep, medida semelhante ao saque de contas inativas do FGTS e que visa injetar recursos na economia. Em agosto, ao assinar a medida provisória sobre o tema, o presidente já havia feito o anúncio da liberação dos recursos em cerimônia no Palácio do Planalto.
Fonte: O Estado de S. Paulo
Foto: André Dusek/Estadão
Economia
Brasil promulga acordo de livre comércio entre Mercosul e EFTA
O Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) foi promulgado nesta sexta-feira (25) no Decreto Presidencial nº 13.126, publicado no Diário Oficial da União.

O bloco de países europeus é formado por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça, que não são membros da União Europeia. Já o grupo sul-americano conta com Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai ─ a Venezuela segue suspensa como Estado-membro desde 2017.
De acordo com o Planalto, o decreto publicado nesta sexta-feira conclui o processo de internalização do tratado no Brasil, estabelecendo “compromissos para ampliar os fluxos de comércio e investimentos entre os países dos dois blocos”. No plano jurídico, ele entrará em vigor a partir do dia 1º de outubro de 2026.
O tratado prevê a ampliação do comércio e dos investimentos entre os dois blocos, com redução de barreiras técnicas, além de medidas sanitárias e fitossanitárias consideradas desnecessárias para o comércio.
Além disso, prevê mais facilidades para procedimentos aduaneiros e maior acesso aos mercados de compras governamentais.
Compromissos
Assinado no dia 16 de setembro de 2025 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o documento estabelece também compromissos nas áreas de propriedade intelectual, desenvolvimento sustentável, proteção ambiental, biodiversidade e direitos humanos.
“Para o Brasil, o acordo amplia as possibilidades de entrada de produtos nacionais nos mercados dos países da EFTA e cria condições para o aumento dos fluxos de comércio e investimentos”, informou a Presidência da República.
O acordo prevê também o reconhecimento e a proteção de indicações geográficas, mecanismo voltado à valorização de produtos vinculados a determinadas regiões de origem.
Segundo o Planalto, as negociações entre os dois blocos foram concluídas em 2025, após dez rodadas iniciadas em 2017.
O texto foi aprovado pelo Congresso Nacional em junho deste ano e ratificado pelo governo brasileiro em julho.
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