Economia
Aliado de Janaina, Léo Bortolin vê fim de ciclo após derrota da família Riva
Economia
O deputado estadual eleito Léo Bortolin (MDB) avaliou as derrotas de Janaina Riva e Jéssica Riva nas eleições deste ano e afirmou que o resultado representa o encerramento de um ciclo político para a família. Historicamente próximo do grupo, o parlamentar evitou fazer críticas diretas, mas destacou que a resposta das urnas deve ser respeitada.
“Eu acho que, como eu falei, é um ciclo, é um ciclo e acho que a urna falou por si só. O reflexo da sociedade”, declarou Léo.
Janaina disputou uma das duas vagas ao Senado por Mato Grosso, mas terminou a eleição em terceiro lugar. Jéssica, por sua vez, tentou retornar à Assembleia Legislativa, mas também não conseguiu uma das 24 cadeiras disponíveis.
Com os dois resultados, a família Riva ficará, a partir de 2027, sem representantes eleitos nos principais espaços do Legislativo estadual e federal. A presença do grupo na política de Mato Grosso remonta a 1994, quando José Riva iniciou sua trajetória como deputado estadual.
A declaração de Léo ganha peso pela relação política que mantém com Janaina. O deputado eleito pelo MDB esteve entre os aliados do grupo durante a campanha e agora passa a integrar a próxima composição da Assembleia, justamente em um cenário no qual os Riva não terão uma cadeira na Casa.
Apesar da derrota, a avaliação de Léo não foi acompanhada de uma conclusão sobre o futuro político da família. Ao resumir o resultado como reflexo da sociedade, o parlamentar destacou o papel da escolha feita pelos eleitores no pleito deste ano.
O resultado das eleições também atingiu outras famílias tradicionais da política mato-grossense. Campos, Fávaro e Pinheiro igualmente chegam à próxima legislatura sem representantes eleitos diretamente para alguns dos principais cargos disputados em 2026, em um cenário de renovação da composição política do Estado.
A partir de 2027, a família Riva deixa de ocupar diretamente mandatos eletivos em Mato Grosso, após mais de três décadas de presença contínua no cenário político estadual. A ausência, porém, não permite concluir, por si só, qual será o papel do grupo nas próximas disputas e articulações políticas.
Economia
Cattani diz que filha não foi morta “por ser mulher” e questiona conceito de feminicídio
O deputado estadual Gilberto Cattani (PL) voltou a gerar repercussão nesta quarta-feira (7) ao comentar o conceito de feminicídio e utilizar o assassinato da própria filha, Raquel Cattani, para defender o posicionamento da deputada eleita por São Paulo Eduarda Campopiano (PL), que questiona a existência desse tipo de crime.
Durante manifestação na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Cattani afirmou que Raquel não teria sido morta pelo fato de ser mulher, mas em razão do relacionamento que mantinha com o ex-marido, Romero Xavier Mengarde.
“A minha filha não foi assassinada por ser mulher. Ela foi assassinada pelo relacionamento que ela tinha com uma pessoa totalmente desequilibrada”, declarou o parlamentar.
Raquel foi assassinada em julho de 2024, em uma propriedade rural de Nova Mutum. Segundo as investigações, Romero não aceitava o fim do relacionamento e teria contratado o próprio irmão, Rodrigo Xavier Mengarde, para executar o crime. Os dois foram condenados pelo Tribunal do Júri, que reconheceu, entre outras qualificadoras, o feminicídio.
Ao ser questionado se, diante disso, considerava que a filha não havia sido vítima de feminicídio, Cattani fez uma distinção em relação à forma como interpreta o termo. O deputado afirmou que admite a aplicação do feminicídio como agravante relacionada às circunstâncias do crime, como o fato de a vítima ter sido morta pelo ex-marido, mas rejeitou a ideia de que ela tenha sido assassinada simplesmente por ser mulher.
A declaração, entretanto, contrasta com uma manifestação anterior do próprio deputado. Em outra ocasião, Cattani havia se referido aos próprios netos como “órfãos do feminicídio” ao defender políticas públicas voltadas aos familiares de mulheres assassinadas.
A legislação brasileira passou por uma mudança em 2024 e passou a tratar o feminicídio como crime autônomo, previsto no artigo 121-A do Código Penal, com pena de 20 a 40 anos. A lei considera feminicídio o assassinato de uma mulher por razões da condição do sexo feminino, incluindo situações de violência doméstica e familiar ou de menosprezo e discriminação à condição de mulher.
No caso de Raquel, os jurados reconheceram justamente a qualificadora do feminicídio. Romero foi condenado a 30 anos de prisão, enquanto Rodrigo recebeu pena de 33 anos, três meses e 20 dias, também em regime fechado.
A manifestação de Cattani ocorreu no contexto da defesa de Eduarda Campopiano, que voltou a questionar publicamente o uso do termo feminicídio. O episódio reacendeu o debate sobre a tipificação do crime e provocou repercussão justamente por envolver um caso no qual a própria família do deputado esteve no centro de uma condenação por feminicídio.
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