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AGIR aciona TRE contra prefeito de Rondonópolis e pede cassação da esposa

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O diretório estadual do AGIR acionou o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) contra o prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira, e sua esposa, Alessandra Ferreira Cróco de Souza (Podemos), candidata a deputada estadual. A legenda pede o afastamento cautelar do prefeito por 90 dias e, no caso da candidata, a cassação do registro de candidatura.

Os pedidos foram apresentados por meio de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), na qual o partido sustenta a existência de suposto abuso de poder político e econômico e acusa a administração municipal de ter sido utilizada para ampliar a exposição eleitoral de Alessandra.

Segundo o AGIR, o prefeito teria associado a estrutura da Prefeitura à candidatura da esposa por meio de obras, eventos, serviços públicos, benefícios e canais oficiais de comunicação. A legenda afirma que os episódios precisam ser analisados em conjunto para verificar se houve utilização da máquina pública com finalidade eleitoral.

“Não se está, portanto, diante de episódio isolado, mas de um conjunto de circunstâncias que, em tese, apresenta unidade temporal, subjetiva e funcional”, afirma a petição.

Entre os casos citados pelo partido está a 52ª Exposul, que recebeu R$ 2 milhões em recursos municipais. Segundo a ação, o evento teve entrada gratuita, transporte coletivo sem cobrança e distribuição de alimentos e bebidas no estande institucional da Prefeitura.

A Copa Integração também é mencionada. O evento recebeu R$ 1,048 milhão do município e contou com a participação de Alessandra na cerimônia de abertura, mesmo após ela ter deixado o cargo de secretária. Conforme a ação, a candidata subiu ao palco e discursou durante a solenidade.

O AGIR também questiona a distribuição gratuita de picolés durante o desfile de 7 de Setembro e pede que a Justiça determine a apresentação de documentos sobre quantidade, valores, fornecedor e origem dos recursos utilizados.

Outro episódio citado é o 10º Caveiras Moto Festival, realizado com entrada gratuita e apoio da Prefeitura. Na ação, o partido reproduz uma declaração atribuída ao prefeito durante a divulgação do evento:

“Enquanto eu for prefeito terá evento e ônibus de graça”.

A pavimentação do bairro Sagrada Família aparece entre os fatos apresentados pelo AGIR ao TRE. Segundo o partido, vídeos relacionados à obra mostram Alessandra ao lado do prefeito e de outros políticos comentando a execução do serviço.

Para a legenda, a proximidade entre a divulgação das ações administrativas e a exposição da candidata deve ser considerada pela Justiça Eleitoral na análise do caso.

A ação também menciona outro processo envolvendo um canal oficial de WhatsApp ligado ao CRAS Alfredo de Castro. O AGIR sustenta que a ferramenta teria sido utilizada para o envio de mensagens de conteúdo político a pessoas atendidas pela rede municipal de assistência social.

Partido pede afastamento do prefeito

No pedido cautelar, o AGIR afirma que a permanência de Cláudio Ferreira no cargo poderia permitir a continuidade das condutas investigadas e comprometer a preservação de documentos e registros que possam servir como prova no processo.

A legenda aponta “risco concreto à preservação e à integridade da prova”, especialmente em relação a conteúdos digitais e documentos administrativos.

Por isso, pede que o prefeito seja afastado cautelarmente por 90 dias.

Em relação a Alessandra, o partido solicita ainda que ela seja impedida de associar sua imagem, seu nome ou sua candidatura a obras, programas, serviços e eventos promovidos pela Prefeitura de Rondonópolis.

No julgamento do mérito, o AGIR requer a cassação do registro da candidatura. Caso Alessandra seja diplomada antes de uma eventual decisão definitiva, o partido pede também a cassação do diploma e do eventual mandato.

A ação apresentada pelo AGIR dá início a uma disputa judicial e não representa, por si só, reconhecimento das irregularidades apontadas pelo partido. Caberá à Justiça Eleitoral analisar as alegações, documentos e demais provas apresentadas pelas partes antes de decidir sobre os pedidos.

O caso ocorre em meio à campanha eleitoral de 2026 e se soma a outras representações que já discutem a participação de Alessandra em eventos municipais durante o período eleitoral. Em uma representação anterior, o TRE-MT analisou questionamentos relacionados à participação dela na abertura da Copa Integração.



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Evento de Medeiros expõe divisão no PL com ausência de Wellington e apoio a Pivetta

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A divisão interna do PL de Mato Grosso voltou a ficar evidente durante o evento de lançamento da campanha de José Medeiros ao Senado, realizado na noite de quinta-feira (17), em Cuiabá. O candidato ao Governo do Estado pela própria legenda, Wellington Fagundes, não participou do ato, que reuniu lideranças bolsonaristas e prefeitos filiados ao partido.

Entre os presentes estavam os prefeitos de Rondonópolis, Cláudio Ferreira, e de Primavera do Leste, Sérgio Machnic. Ambos são filiados ao PL, mas declararam apoio à candidatura do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), que disputa a reeleição e é adversário de Wellington na corrida ao Palácio Paiaguás.

Cláudio chamou atenção ao comparecer ao evento usando adesivos de Pivetta e do candidato ao Senado Mauro Mendes (União). Medeiros também disputa uma das duas vagas ao Senado e aparece como opção de voto do prefeito de Rondonópolis.

A ausência de Wellington ocorreu em meio às divergências que vêm marcando a campanha do PL em Mato Grosso. Embora o partido tenha candidatura própria ao Governo, parte das lideranças municipais da legenda decidiu apoiar Pivetta.

Questionado sobre a ausência do senador, Medeiros evitou detalhar se Wellington havia sido convidado e afirmou que o evento estava aberto aos apoiadores.

“Não, o evento é público e todo mundo está convidado”, declarou.

Odílio Balbinotti, primeiro suplente de Medeiros, apresentou uma versão diferente e afirmou que Wellington não havia sido convidado para o encontro. Segundo ele, o distanciamento estaria relacionado à composição política que envolve o MDB na chapa de Medeiros.

Prefeitos mantêm apoio a Pivetta

A presença de Cláudio Ferreira e Sérgio Machnic também reforçou a dissidência existente dentro do PL. Os dois prefeitos estão entre os integrantes da legenda que declararam apoio a Pivetta mesmo diante da orientação partidária em favor de Wellington.

Cláudio chegou a ser retirado da presidência municipal do PL em Rondonópolis após anunciar apoio ao governador. Mesmo assim, manteve publicamente seu posicionamento.

Durante o evento, ele defendeu a liberdade de escolha de agentes políticos e afirmou que o mandato deve ser exercido de acordo com a vontade dos eleitores.

“A preocupação de todo mandatário deve ser essa. Quem passa pelo crivo da eleição sabe disso. A gente tem que se preocupar com a vontade das pessoas. Qual é a vontade das pessoas?”, declarou.

O prefeito também rejeitou a possibilidade de que decisões partidárias sejam utilizadas para impor posicionamentos políticos.

“Nós vivemos numa democracia. Vamos deixar as pessoas escolherem livremente. A gente não pode querer impor pela força nem pela violência. Jamais. A gente vive em uma democracia”, completou.

Apesar da ausência de Wellington, o empresário Reinaldo de Morais, candidato a vice na chapa do senador, fez referência ao candidato ao Governo durante seu discurso. Ele pediu votos para Flávio Bolsonaro à Presidência, Wellington para o Governo e Medeiros ao Senado.

O episódio evidencia a dificuldade de unificar os diferentes grupos do PL durante a campanha de 2026. Enquanto Wellington disputa o Governo pela legenda, prefeitos e outras lideranças liberais mantêm apoio declarado a Pivetta, enquanto Medeiros concentra sua atuação na disputa por uma das vagas ao Senado.



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