Cidades
Museu do Morro celebra esporte e memória com exposições sobre Copas e Ayrton Senna
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O Museu do Morro da Caixa D’Água Velha, um dos mais importantes patrimônios históricos de Cuiabá, passou a oferecer ao público uma viagem pela história do esporte mundial e brasileiro. As exposições “Uma Viagem nas Copas do Mundo desde 1930” e “Lembrança do Tri-Campeão Mundial, o Saudoso Ayrton Senna da Silva”, do artista e colecionador Paulo César Serandi, reúnem centenas de peças que preservam a memória de duas paixões nacionais e reforçam o papel do museu como espaço de cultura, educação e turismo, nesta terça-feira (30).
A abertura das exposições foi marcada pela visita de 42 estudantes da Escola Estadual Aureolina Eustacia Ribeiro, com idades entre 11 e 14 anos, que tiveram a oportunidade de conhecer de perto um acervo composto por selos, moedas, cédulas, cartões telefônicos, fotografias autografadas, livros, pôsteres e diversos objetos históricos relacionados às Copas do Mundo e à trajetória de Ayrton Senna.
Presidente do Clube Filatélico, Numismático e Afins de Cuiabá, diretor Centro-Oeste do Clube Filatélico Maçônico do Brasil e membro da Sociedade Numismática Brasileira, Paulo César Serandi explica que a proposta vai muito além da exposição de objetos antigos. “É uma viagem no tempo. O colecionismo engloba tudo. Trouxemos moedas, cédulas, cartões telefônicos, fotografias autografadas e diversos materiais que contam parte da nossa história”, afirmou.
Na mostra dedicada ao tricampeão mundial de Fórmula 1, um dos destaques é um raro CD em homenagem ao piloto. Nele, os visitantes podem ouvir mensagens gravadas por Senna durante corridas, o ronco do motor de seu carro, o tradicional Tema da Vitória e a canção interpretada por Tina Turner em sua homenagem após uma conquista na Austrália. “Cada peça tem um valor sentimental. Quando você escuta a voz de Ayrton Senna, revive um momento importante da história do esporte brasileiro”, destacou o colecionador.
Já a exposição sobre as Copas do Mundo apresenta uma coleção construída ao longo de décadas, reunindo selos lançados desde 1930. Apenas duas edições não estão representadas: as Copas que deixaram de acontecer em razão da Segunda Guerra Mundial. O acervo também contempla todos os selos brasileiros produzidos para os mundiais desde 1950.
Segundo Serandi, iniciativas como essa também buscam despertar novos colecionadores. “Costumo dizer que plantamos uma semente. Muitas pessoas descobrem que possuem objetos antigos guardados pela família e passam a enxergar neles um valor histórico. O colecionismo começa pelo desejo de preservar a memória”.
O alcance do trabalho desenvolvido pelo clube ultrapassa as fronteiras brasileiras. De acordo com o colecionador, todas as exposições realizadas pela instituição em Cuiabá são divulgadas em um boletim internacional distribuído para 19 países, ampliando a visibilidade da produção cultural desenvolvida na capital mato-grossense.
A secretária adjunta de Turismo de Cuiabá, Roseli Nonato da Silva, destacou que as exposições integram uma estratégia para fortalecer a ocupação cultural do museu e ampliar o número de visitantes.
“Estamos trabalhando na melhoria da estrutura física do espaço e construindo uma programação permanente com feiras, saraus e novas exposições. Queremos atrair turistas, escolas e, principalmente, os cuiabanos, porque muitas pessoas ainda não conhecem esse patrimônio da cidade”, afirmou.
Segundo ela, aproximar a população dos equipamentos culturais também contribui para sua preservação.
“Quando as pessoas conhecem o patrimônio, passam a valorizá-lo, protegê-lo e divulgá-lo.”
Para o diretor técnico especial de Gestão de Equipamentos Públicos da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho, Turismo e Agricultura, Leandro Figueiredo, o museu cumpre uma função que vai além da preservação histórica.
“O museu preserva a memória da cidade e oferece experiências capazes de despertar o interesse de crianças, jovens e adultos. Exposições como esta ampliam o acesso à cultura, incentivam o conhecimento e fortalecem o turismo cultural, aproximando a população do nosso patrimônio histórico.”
Visitantes emocionados
A visita dos estudantes foi viabilizada pelo projeto Caminhos da Cultura, iniciativa que promove o acesso de alunos das redes públicas estadual e municipal, além de instituições sociais, quilombolas e comunidades ribeirinhas, aos espaços culturais de Cuiabá.
Segundo a coordenadora de execução de agendamento escolar do projeto, Meire Cristina Torres Monteiro, o programa também oferece transporte às escolas por meio de parcerias. “O objetivo é proporcionar aos estudantes a oportunidade de conhecer os equipamentos culturais da cidade. Eles gostaram muito da exposição. Quando visualizam esse conteúdo de perto, desenvolvem uma percepção maior sobre a história e valorizam ainda mais o esporte.”
Entre os visitantes, a experiência despertou curiosidade e reflexão. O estudante Luiz Felipe, de 13 anos, destacou o legado deixado por Ayrton Senna. “Ele deixou uma história marcante para a gente no Brasil”.
Também em sua primeira visita ao museu, a estudante Beatriz Camargo ressaltou a importância do contato direto com o patrimônio histórico. “Na internet, às vezes, circulam muitas informações falsas, mas quando você vai ao museu, tudo acaba sendo confirmado”.
O artista gráfico Juliano Lobato Evangelista avaliou que iniciativas como essa ajudam a preservar a memória coletiva. “Esse acervo reúne diferentes patrimônios culturais organizados por diversos curadores e artistas. É uma forma de preservar o passado para construir o futuro”.
Já o estudante de Engenharia de Software Iran Fênix da Silva afirmou que observar pessoalmente itens históricos proporciona uma conexão diferente com o passado. “Fica mais perto da história. Você vê o selo de Ayrton Senna, os livros de Pelé e os materiais sobre todos os campeões das Copas do Mundo”.
Para o estudante Duan Maia Torrada, de 16 anos, o museu revela um patrimônio ainda pouco conhecido pelos próprios cuiabanos. “Isso aqui é algo que é nosso e ainda é pouco conhecido”.
A terapeuta e cantora de Siriri e Rasqueado Cristiane Nunes de Farias emocionou-se diante da fotografia de Ayrton Senna segurando a bandeira do Brasil. “Trazer essa obra para o Morro da Caixa D’Água é despertar em nós a consciência de que precisamos valorizar a nossa cultura e, com certeza, honrar Ayrton Senna”.
As exposições permanecem abertas à visitação pelos próximos 30 dias no Museu do Morro da Caixa D’Água Velha, oferecendo ao público a oportunidade de conhecer, em um único espaço, parte da história do esporte, do colecionismo e da memória cultural brasileira.
SERVIÇO
Exposições: Uma Viagem nas Copas do Mundo desde 1930 e Lembrança do Tri-Campeão Mundial, o Saudoso Ayrton Senna da Silva, do artista e colecionador Paulo César Serandi.
Local: Museu do Morro da Caixa D’Água Velha, Rua Comandante Costa, em frente à Contaud, Centro de Cuiabá.
Período: Visitação pelos próximos 30 dias.
Horário de funcionamento: De segunda-feira a domingo, das 8h às 17h.
Entrada: Gratuita.
Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT
Cidades
Vistoria técnica busca prevenir desabamentos no Centro Histórico de Cuiabá
A Prefeitura de Cuiabá e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) realizaram, nesta quinta-feira (15), uma vistoria técnica no Centro Histórico da capital para avaliar as condições de conservação de casarões e outras edificações antigas. A ação contou com a participação da Secretaria Municipal de Defesa Civil e da Secretaria Municipal de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, com o objetivo de identificar situações de risco e definir medidas para evitar desabamentos e preservar o patrimônio histórico.
A visita foi realizada a partir de levantamentos anteriores feitos por técnicos municipais, que identificaram imóveis com sinais de degradação, falta de manutenção e necessidade de escoramento. Com a presença de representantes do IPHAN, as equipes percorreram as edificações para verificar as condições estruturais e reunir informações que subsidiarão a definição de medidas emergenciais de conservação.
De acordo com o secretário municipal de Defesa Civil, coronel Alessandro Borges, o município já havia produzido um relatório técnico sobre a situação de diversos imóveis do Centro Histórico, encaminhado aos órgãos responsáveis para avaliação conjunta.
“Essas casas estão sofrendo com a falta de manutenção. Muitas estão abandonadas e, com a ação do sol e da chuva ao longo do tempo, os materiais vão se deteriorando. Algumas já estão escoradas e outras também vão precisar desse suporte. Para resolver essa questão, será necessária uma reforma geral, para evitar que essas edificações desabem e se percam”, destacou.
O diretor técnico do Patrimônio Histórico de Cuiabá, Josino Bisneto de Moura, da Secretaria Municipal de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, ressaltou a importância da vistoria para identificar as intervenções necessárias, principalmente durante o período chuvoso. Segundo ele, algumas edificações apresentam condições preocupantes, inclusive imóveis que pertencem ao município.
“Fizemos uma série de vistorias e levantamentos junto com a Defesa Civil Municipal e constatamos situações que estão próximas do colapso em algumas edificações. A partir desse trabalho, queremos levantar as condições necessárias para prevenir esses problemas”, afirmou Josino.
Para os imóveis sob responsabilidade da Prefeitura, estudos e projetos para serviços de escoramento e manutenção já estão prontos. A medida busca reduzir os riscos e proteger as estruturas durante o período de chuvas.
Conservação e capacitação técnica
Além da avaliação dos imóveis em situação mais crítica, a atuação do IPHAN também busca fortalecer as ações de preservação do patrimônio histórico. A proposta inclui capacitações técnicas para engenheiros e arquitetos, com foco na padronização de projetos e na orientação de proprietários e comerciantes sobre as diretrizes adequadas de conservação dentro do polígono tombado.
O coordenador-geral de Conservação do IPHAN e gestor do programa Conviver, Paulo Farsetti, explicou que o instituto desenvolve iniciativas voltadas à recuperação de imóveis históricos e ao apoio a famílias de baixa renda que não têm condições de arcar com os custos de conservação.
“Temos uma frente de trabalho dedicada a moradores e proprietários de imóveis tombados nos centros históricos brasileiros que não têm renda suficiente para fazer a conservação. São os chamados canteiros-modelos de conservação, que permitem recuperar essas edificações, capacitar estudantes de arquitetura e engenharia e envolver a comunidade na valorização desse patrimônio”, explicou Farsetti.
Em Cuiabá, o trabalho é desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e envolve técnicas tradicionais de construção, como o uso de terra crua e madeira. A iniciativa contribui para a formação de novos profissionais e incentiva a participação dos moradores na preservação dos imóveis históricos.
A vistoria conjunta representa mais uma etapa no levantamento das condições das edificações do Centro Histórico. A partir das avaliações, os órgãos envolvidos poderão definir as medidas prioritárias para reduzir riscos, orientar intervenções e contribuir para a conservação de um dos principais conjuntos históricos de Cuiabá.
Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT
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