Agricultura

Saída de Fávaro abre disputa no Mapa e reacende incertezas institucionais no agro

Publicado em

Agricultura


A saída do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, prevista para abril, inaugura uma nova rodada de rearranjos políticos no governo e coloca o agronegócio diante de um momento de incerteza institucional em um período sensível para o planejamento da próxima safra. A antecipação do calendário eleitoral já começa a produzir efeitos práticos na Esplanada, com impacto direto sobre áreas estratégicas para o setor produtivo.

A sucessão no Mapa ocorre em um contexto de juros ainda elevados, pressão sobre custos e necessidade de previsibilidade em políticas como crédito rural, seguro agrícola e apoio à comercialização. Para produtores e entidades do setor, mudanças no comando da pasta tendem a ser acompanhadas com cautela, sobretudo quando ocorrem fora do ciclo tradicional de transição de governo.

Nos bastidores, o Partido Social Democrático (PSD), liderado por Gilberto Kassab, atua para manter o controle da Agricultura. O nome mais citado é o do atual ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula, visto como alternativa para dar continuidade à presença da legenda em uma das pastas mais relevantes para a economia brasileira.

A eventual troca ocorre em meio a uma relação ainda irregular entre o ministério e parte do setor produtivo. Desde o início da gestão, Fávaro enfrentou resistência de segmentos do agro, especialmente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que cobra maior alinhamento em pautas como política agrícola, defesa sanitária e abertura de mercados. Em alguns momentos, o distanciamento se traduziu em baixa interlocução institucional e críticas públicas.

Para o produtor rural, o principal ponto de atenção é a continuidade, ou não, das diretrizes em curso. A política de crédito rural, por exemplo, depende de previsibilidade para viabilizar o plantio, enquanto programas de seguro e apoio à comercialização exigem coordenação técnica e orçamentária. Mudanças abruptas podem atrasar decisões e afetar a tomada de risco no campo.

Paralelamente, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) também passa por troca de comando. Sílvio Porto assume a presidência da estatal no lugar de Edegar Pretto, que deixa o cargo para disputar o governo do Rio Grande do Sul. A Conab é peça-chave para o agro, responsável por levantamentos de safra, estoques e execução de políticas de abastecimento — instrumentos que influenciam diretamente a formação de preços.

Outra mudança ocorre no Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, onde Fernanda Machiaveli assume a pasta após a saída de Paulo Teixeira. Embora com foco distinto, o ministério também dialoga com políticas complementares ao agro, especialmente em crédito e assistência técnica.

O redesenho no primeiro escalão ocorre em cadeia e tende a se intensificar nos próximos meses, à medida que outros ministros deixem seus cargos para disputar eleições. Para o agronegócio, a “dança das cadeiras” ocorre em um momento de margens mais apertadas e maior exposição a variáveis externas, o que amplia a necessidade de estabilidade institucional.

Na prática, o setor entra em um período de transição política que pode influenciar decisões estratégicas dentro da porteira. Mais do que nomes, o que está em jogo é a condução da política agrícola em um cenário de maior risco — fator que produtores acompanham com atenção redobrada.

Fonte: Pensar Agro



COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Agricultura

Sementes, búfalos e insumos brasileiros ganham acesso a seis mercados externos

Publicados

em


Produtores de sementes, criadores de búfalos e aves ornamentais e indústrias de nutrição animal ganharam novas possibilidades de venda em seis países. Argentina, Peru, Egito, Marrocos, Quênia e Singapura autorizaram a entrada de produtos brasileiros, segundo comunicado conjunto dos ministérios da Agricultura e Pecuária e das Relações Exteriores, divulgado na sexta-feira (23).

As liberações alcançam segmentos que vão da produção de sementes ao fornecimento de material para laboratórios. O anúncio não informa estimativas de faturamento, volumes negociados ou datas dos primeiros embarques. O efeito econômico dependerá da contratação de compradores e do cumprimento das exigências de cada destino.

Na América do Sul, a Argentina autorizou sementes de crotalária, planta utilizada na cobertura do solo e na adubação verde. Conforme a espécie e o sistema de cultivo, ela também auxilia no manejo de determinados nematoides, organismos que atacam as raízes e prejudicam a produtividade das lavouras.

A abertura interessa aos produtores e beneficiadores de sementes, que passam a contar com outra alternativa comercial. A autorização é para o material destinado ao plantio, não para uma commodity voltada à alimentação.

O Peru aprovou sementes de feijão-mungo e de coentro, além de couro equino. São oportunidades para cadeias distintas: de um lado, empresas que produzem e comercializam sementes; de outro, estabelecimentos que processam produtos de origem animal.

Na África, o Marrocos autorizou a compra de bubalinos vivos para abate. A medida abre uma possibilidade de comercialização para a criação de búfalos, condicionada às exigências sanitárias e à organização do transporte dos animais.

O Egito, por sua vez, liberou aves de criação destinadas a fins ornamentais. A autorização atende a esse segmento específico e não deve ser confundida com abertura para carne de frango ou outros produtos avícolas.

O Quênia aprovou ingredientes hemoderivados e palatabilizantes sem proteínas de ruminantes para alimentação animal. Hemoderivados são ingredientes obtidos do processamento do sangue; os palatabilizantes ajudam a tornar o alimento mais atrativo aos animais. A exigência de ausência de proteínas de ruminantes delimita quais formulações poderão ser comercializadas.

Em Singapura, a autorização contempla soro fetal bovino, utilizado como suplemento em meios de cultivo de células. O produto atende aplicações de pesquisa e biotecnologia, conectando a cadeia pecuária ao fornecimento de insumos laboratoriais.

A diversidade dos itens mostra que ampliar as exportações agropecuárias também envolve encontrar compradores para sementes, animais e produtos especializados. Essas operações criam alternativas para diferentes elos da cadeia, embora o anúncio, isoladamente, ainda não permita calcular quanto acrescentarão às vendas brasileiras.

Para transformar o acesso autorizado em embarque, os interessados precisam verificar os requisitos do produto e do país comprador. No caso de sementes, o Ministério da Agricultura informa que a exportação depende de sua anuência e do atendimento às exigências fitossanitárias do destino. Para produtos de origem animal, devem ser conferidos os registros, as habilitações e os certificados aplicáveis à operação.

Fonte: Pensar Agro



COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTE

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA