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Rota pelo Pacífico pode reduzir custo e ampliar exportações do agro

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O governo federal deu mais um passo para tirar do papel uma antiga demanda do agronegócio: criar uma rota de exportação pelo Oceano Pacífico para reduzir a dependência dos portos brasileiros. O Ministério da Agricultura instituiu nesta semana o Programa de Integração Produtiva e Logística Brasil-Bolívia-Pacífico, iniciativa que pretende estruturar um corredor internacional de transporte ligando Mato Grosso aos portos do Chile e do Peru.

Na prática, o programa não constrói estradas nem define um cronograma de obras, mas cria um comitê gestor responsável por coordenar ações entre os governos brasileiro e boliviano, facilitar acordos sanitários e aduaneiros e atrair investimentos para tornar o corredor operacional.

A proposta interessa principalmente a Mato Grosso, maior produtor de grãos do país. Hoje, boa parte da soja, do milho, do algodão e da carne produzidos no Estado percorre entre 2 mil e 2,3 mil quilômetros até portos como Santos (SP), Paranaguá (PR), Itaqui (MA), Miritituba (PA) e Barcarena (PA). Além da longa distância, o elevado fluxo de cargas pressiona o custo do frete durante a safra.

Pela nova alternativa, a produção seguiria da região oeste de Mato Grosso até Vila Bela da Santíssima Trindade, na fronteira com a Bolívia. A partir dali, cruzaria cidades bolivianas como San Ignacio de Velasco e Santa Cruz de la Sierra, seguindo pela malha rodoviária do país até alcançar portos no Oceano Pacífico, como Arica, Iquique e Antofagasta, no Chile, ou Ilo, no Peru.

À primeira vista, o trajeto terrestre não representa uma redução expressiva da distância em relação aos portos brasileiros. O principal ganho está no transporte marítimo. Para cargas destinadas à China, ao Japão, à Coreia do Sul e a outros mercados asiáticos, a saída pelo Pacífico reduz o tempo de navegação em comparação com as rotas que partem do Atlântico, além de diminuir a dependência dos corredores logísticos hoje concentrados no Sul, Sudeste e Arco Norte.

A proposta também amplia as alternativas para o escoamento da safra em períodos de maior demanda. Mato Grosso deverá colher mais de 100 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), volume que exige investimentos permanentes em infraestrutura de transporte.

Outro ponto considerado estratégico é o abastecimento de insumos agrícolas. A integração com a Bolívia pode facilitar a chegada de fertilizantes e outros produtos utilizados na produção rural, diversificando as rotas de abastecimento e reduzindo a dependência de corredores já sobrecarregados.

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Vilmondes Tomain, classificou a iniciativa como um avanço para o setor. Segundo ele, o Estado sempre enfrentou o desafio da distância entre as áreas produtoras e os portos de exportação, o que reduz a competitividade do agronegócio mato-grossense.

Apesar do potencial, o corredor ainda depende de uma série de investimentos. Mato Grosso já executa obras de pavimentação em direção à fronteira, mas será necessário melhorar a infraestrutura rodoviária em território boliviano, além de harmonizar procedimentos alfandegários, sanitários e de fiscalização entre os dois países.

Para especialistas em logística, a rota bioceânica não substituirá os portos brasileiros, mas funcionará como uma alternativa estratégica. Quanto maior o número de corredores disponíveis para o escoamento da produção, menor tende a ser a pressão sobre o frete, aumentando a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado internacional.

Fonte: Pensar Agro



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Agropec começa sábado com negócios, tecnologia e pecuária

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Começa neste sábado (08.08), em Paragominas (300 km da capital, Belém), no Pará, a 59ª Feira Agropecuária de Paragominas (Agropec). Considerado o maior evento do setor na Região Norte, o encontro seguirá até 16 de agosto, com entrada gratuita.

Promovida pelo Sindicato dos Produtores Rurais de Paragominas (SPRP), a feira reunirá produtores, empresas, cooperativas, instituições financeiras e pesquisadores no Parque de Exposições Amílcar Tocantins. A programação inclui exposição de animais, leilões, palestras, provas equestres e apresentação de máquinas e tecnologias.

Uma das novidades é o IAgro, espaço dedicado à agricultura de precisão, mecanização, conectividade, gestão e transformação digital. A AquaAgropec concentrará atividades relacionadas à piscicultura e à aquicultura, com soluções em genética, nutrição, manejo e equipamentos.

A pecuária terá exposição de animais, leilões e rodeio durante cinco dias. A feira também contará com rodadas de relacionamento entre produtores e empresas interessadas em ampliar negócios na região.

Segundo o SPRP, a edição anterior recebeu 148 mil visitantes. A presidente da entidade, Maxiely Scaramussa Bergamin, afirma que o evento ajuda a movimentar o comércio, a hotelaria e os serviços de Paragominas, além de atrair investimentos para as cadeias produtivas locais.

No dia 14, o Encontro Rural Delas discutirá liderança, inovação e participação feminina no agronegócio. A programação terá o professor e escritor José Luiz Tejon e Caroline Corrêa, pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

A Agropec também realizará um leilão beneficente para apoiar o tratamento de pacientes com câncer e premiará estudantes participantes do projeto Sementes do Futuro. A iniciativa envolveu mais de 1,3 mil alunos da rede municipal em um concurso de redação sobre o agronegócio.

A programação será completada por rodeio, corrida de rua e apresentações musicais.

Serviço

59ª Feira Agropecuária de Paragominas
Data: 8 a 16 de agosto
Local: Parque de Exposições Amílcar Tocantins, em Paragominas



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