Agricultura
Produtores de cana vão ter socorro de R$ 270 milhões
Agricultura
O Congresso Nacional aprovou, com apoio da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), a concessão de R$ 270 milhões em subsídios para produtores independentes de cana-de-açúcar do Nordeste que enfrentaram prejuízos provocados pela estiagem e pelas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos.
A medida, que aguarda sanção presidencial, prevê o pagamento de R$ 12 por tonelada comercializada na safra 2025/2026 e deverá alcançar cerca de 16 mil agricultores. O benefício representa uma tentativa de aliviar as perdas de uma atividade importante para a economia regional, mas não resolve os problemas estruturais de produtividade, financiamento e competitividade enfrentados pelo setor.
A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados na terça-feira (27) e pelo Senado na quarta-feira (28), em regime de urgência. De autoria do deputado Augusto Coutinho, o Projeto de Lei 5.649/2026 recupera medidas que já haviam sido previstas pelo governo federal, mas cuja autorização provisória perdeu validade. A articulação parlamentar buscou preservar o auxílio aos fornecedores de cana antes do encerramento da vigência da medida provisória que tratava do assunto.
O custo estimado para os cofres públicos é de R$ 270 milhões em 2026, valor correspondente à subvenção de aproximadamente 22,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. A previsão de atendimento de 16 mil produtores representa uma média matemática de R$ 16.875 por beneficiário, embora o pagamento efetivo varie conforme a quantidade comercializada e o cumprimento dos requisitos legais.
Para um agricultor que entregou mil toneladas de cana durante a safra, o subsídio corresponde a R$ 12 mil. Quem comercializou cinco mil toneladas poderá receber R$ 60 mil, desde que toda a produção esteja enquadrada nas condições estabelecidas. O valor não constitui um pagamento fixo por propriedade, mas uma compensação proporcional ao volume comprovadamente vendido.
A proposta atende principalmente aos fornecedores independentes, que cultivam cana-de-açúcar e entregam a matéria-prima a usinas, destilarias ou cooperativas, sem integrar a estrutura societária dessas empresas. Esse grupo é particularmente sensível às oscilações do preço da cana e às perdas de produtividade, porque depende da receita obtida com a venda da produção para custear a lavoura e financiar o ciclo seguinte.
A Frente Parlamentar da Agropecuária apoiou a aprovação nas duas Casas e apresentou emendas para ampliar os instrumentos de financiamento previstos no projeto. A atuação da bancada, entretanto, não altera a natureza emergencial da subvenção. O benefício foi concebido para compensar parte das perdas de uma safra específica, sem estabelecer uma política permanente de sustentação da renda dos canavieiros.
A urgência da votação também teve uma razão jurídica. O auxílio já havia sido autorizado pela Medida Provisória 1.374/2026, regulamentada em agosto, mas a medida perdeu validade em 28 de outubro. O novo projeto recupera a autorização e permite aproveitar procedimentos administrativos já realizados, desde que compatíveis com a legislação definitiva.
A existência de regulamentação anterior não significa, porém, que os R$ 270 milhões serão integralmente desembolsados. A execução depende da disponibilidade orçamentária, da comprovação dos requisitos pelos interessados e da quantidade de cana efetivamente habilitada ao benefício.
Os produtores precisam demonstrar que comercializaram a matéria-prima entre 1º de agosto de 2025 e 31 de julho de 2026, mediante documentação fiscal. Também devem comprovar o enquadramento nas condições estabelecidas para a subvenção. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é responsável pela operacionalização dos pagamentos.
O prazo de apresentação da documentação previsto no decreto anterior terminou nesta sexta-feira (30). Como o projeto ainda aguarda sanção, a continuidade dos procedimentos deverá observar a regulamentação aplicável e eventuais orientações complementares do governo federal.
Além do auxílio aos canavieiros, o projeto reúne medidas de financiamento para outros segmentos da economia. Entre elas está a autorização de até R$ 14,5 bilhões em linhas de crédito reembolsável para renovação de frotas de transporte de cargas e passageiros, incluindo caminhões e outros veículos previstos na proposta.
Esse montante não deve ser confundido com o custo direto da subvenção agrícola. Os R$ 270 milhões correspondem ao apoio financeiro não reembolsável aos produtores de cana, enquanto os R$ 14,5 bilhões representam um limite autorizado para operações de financiamento que deverão ser pagas pelos beneficiários. O custo fiscal dessas linhas depende das condições financeiras e da execução dos programas.
A inclusão de medidas de crédito e modernização produtiva amplia o alcance econômico do projeto, mas também levanta uma discussão sobre a reunião de diferentes políticas públicas em uma mesma votação de urgência. No Senado, houve questionamentos sobre a tramitação acelerada e a necessidade de maior debate sobre os dispositivos incorporados ao texto.
Para os canavieiros nordestinos, a principal questão continua sendo a capacidade de recuperar a renda e manter a produção. A estiagem comprometeu lavouras em áreas produtoras, enquanto as dificuldades comerciais e as oscilações dos preços do açúcar pressionaram a remuneração da atividade.
O subsídio de R$ 12 por tonelada representa uma receita adicional para os agricultores habilitados, mas seu efeito depende do tamanho das perdas enfrentadas por cada propriedade. Sem informações individualizadas sobre custos de produção, produtividade e preços recebidos, não é possível afirmar que o pagamento será suficiente para recompor as margens da safra.
A proposta aguarda sanção presidencial, cujo prazo se encerra em 19 de novembro. Até lá, a expectativa dos produtores é de que a nova legislação preserve o benefício autorizado anteriormente e permita a continuidade dos pagamentos, respeitadas as condições orçamentárias e administrativas.
Para a FPA, a aprovação representa a manutenção de um instrumento emergencial de apoio ao setor. Para os agricultores, o resultado concreto dependerá de quantos conseguirão cumprir as exigências, do volume de recursos efetivamente liberado e da rapidez com que o dinheiro chegará às propriedades.
Agricultura
Senado prepara novas regras para atividades que não podem parar
A menos de dois meses da entrada em vigor das mudanças na jornada de trabalho, uma articulação no Senado busca estabelecer regras específicas para atividades que não podem ser interrompidas nos fins de semana.
Uma nova Proposta de Emenda à Constituição (PEC), prevista para ser apresentada na próxima semana, deverá tratar de categorias com jornadas diferenciadas, como caminhoneiros, profissionais de saúde e trabalhadores de plataformas de petróleo.
No agronegócio, a discussão interessa principalmente ao transporte de cargas, à pecuária e à indústria frigorífica, setores que dependem de operações contínuas e enfrentam dificuldades para contratar mão de obra.
A iniciativa surge após a aprovação das mudanças que substituem a escala de seis dias de trabalho por um de descanso, tema que provocou reação de entidades empresariais. A preocupação agora está concentrada na regulamentação das exceções e no prazo de adaptação das empresas. Para o setor agropecuário, a principal questão é como reorganizar equipes e turnos sem interromper atividades essenciais ou elevar excessivamente os custos de produção.
No Paraná, a Federação da Agricultura do Estado (Faep) estima que a redução da jornada provocará despesas adicionais de R$ 4,1 bilhões ao agronegócio estadual e exigirá a contratação de aproximadamente 107 mil trabalhadores. Os números representam projeções da entidade, baseadas na necessidade de compensar a diminuição das horas trabalhadas, e não gastos já realizados.
O impacto tende a variar conforme a atividade. Na pecuária leiteira, por exemplo, a ordenha e a alimentação dos animais precisam ser mantidas diariamente. Na avicultura e na suinocultura, o manejo sanitário e o acompanhamento dos plantéis não podem ser suspensos aos domingos. Já os frigoríficos precisam coordenar o recebimento de animais, o abate, o processamento e a expedição de produtos perecíveis.
O transporte de cargas é outro ponto sensível. Caminhoneiros participam diretamente do escoamento de grãos, do abastecimento de fábricas de ração e da distribuição de carnes e alimentos. Alterações nas jornadas, sem regras compatíveis com as particularidades do transporte rodoviário, podem exigir mudanças na programação logística e ampliar despesas operacionais.
A indústria de carnes também acompanha a discussão. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), frigoríficos de aves e suínos já enfrentam dificuldades para preencher mais de 20 mil vagas de trabalho. A entidade avalia que a redução da jornada, sem reposição proporcional de funcionários, poderá diminuir a capacidade operacional das unidades e elevar os custos de processamento.
O presidente da ABPA, Ricardo Santin, afirmou durante o Salão Internacional da Alimentação, em Paris, que a mudança tende a aumentar as despesas industriais e pressionar os preços dos alimentos. A avaliação considera a necessidade de manter o volume de produção com menos horas disponíveis por trabalhador, sem redução salarial.
Esse impacto, entretanto, não será uniforme. Empresas com maior nível de automação ou capacidade de reorganizar turnos poderão enfrentar custos diferentes daqueles registrados por unidades que dependem de maior participação de mão de obra. Também não é possível afirmar que todo aumento de despesa será integralmente repassado ao consumidor.
A Faep decidiu levar a discussão além dos custos. A entidade encaminhou à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) um pedido para avaliar a viabilidade de questionar judicialmente dispositivos da Emenda Constitucional 141/2026, promulgada em 16 de outubro. Entre os pontos levantados estão as regras aplicáveis a determinados profissionais de nível superior e questões relacionadas ao impacto da mudança sobre diferentes categorias de trabalhadores.
O encaminhamento não significa que uma ação já tenha sido apresentada. Caberá à CNA avaliar os fundamentos jurídicos e decidir sobre eventual iniciativa no Supremo Tribunal Federal (STF).
A emenda constitucional já prevê mecanismos para acomodar jornadas especiais. Mediante acordo ou convenção coletiva, poderão ser adotadas escalas diferentes da jornada convencional de cinco dias de trabalho por dois de descanso, desde que sejam respeitadas as regras de compensação e a quantidade de repousos remunerados. A legislação também admite regulamentação posterior para situações específicas.
É justamente o alcance dessas exceções que a nova articulação no Senado pretende discutir. A proposta ainda está em elaboração e precisará reunir apoio parlamentar para começar a tramitar. Caso seja apresentada como emenda constitucional, dependerá de aprovação em dois turnos na Câmara e no Senado, com o voto favorável de três quintos dos integrantes de cada Casa.
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) deverá incluir o tema na reunião marcada para terça-feira (3). A bancada defende que as particularidades das atividades rurais sejam consideradas na regulamentação e que os instrumentos de negociação coletiva sejam preservados.
O debate ocorre enquanto as empresas se preparam para a primeira etapa da mudança, marcada para 15 de dezembro. Nessa fase, a jornada máxima semanal será reduzida de 44 para 42 horas, com dois dias de descanso remunerado. A redução para 40 horas ocorrerá posteriormente, conforme o período de transição previsto na emenda.
Para o agronegócio, a discussão agora se concentra menos na aprovação da nova jornada e mais nas condições práticas de sua aplicação. A criação de exceções, a possibilidade de compensação de folgas e a reorganização das equipes determinarão como a mudança afetará os custos das propriedades, a logística de transporte e o funcionamento das indústrias.
A nova PEC ainda não tem texto definitivo nem garantia de aprovação. Até que haja alteração legislativa, permanecem válidas as regras estabelecidas pela Emenda Constitucional 141/2026.
-
Polícia2 dias atrásPrefeita e secretária acompanham obras de reforma e ampliação de CMEI no Cristo Rei
-
Cidades6 dias atrásEspaço de Acolhimento à Mulher do HMC garante sigilo e amparo às vítimas de violência
-
Política2 dias atrásGuarda Municipal de Várzea Grande é a primeira de MT a operar sistema nacional de segurança
-
Polícia6 dias atrásIdosos vivenciam manhã de lazer e integração no Parque Bernardo Berneck
-
Cidades2 dias atrásPrefeitura de Cuiabá celebra Dia do Servidor com missa e anuncia celebrações mensais
-
Política2 dias atrásZé Medeiros pede impeachment de Zanin por prorrogação do horário de votação
-
Cidades6 dias atrásFrota de ônibus opera normalmente com tarifa zero em Cuiabá
-
Cidades6 dias atrásPrefeitura revitaliza faixas de pedestres e reforça sinalização viária

