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Novembro terá série de feiras e encontros do agro

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O agronegócio brasileiro terá uma agenda movimentada em novembro, com feiras, exposições e encontros técnicos distribuídos por diferentes regiões do país. Café, pecuária, agricultura familiar, aquicultura, crédito e tecnologia estarão entre os principais temas.

A programação começa nesta terça-feira (03.11), em Roraima, e se estende até a última semana do mês, reunindo produtores, cooperativas, empresas, pesquisadores e compradores em eventos voltados à comercialização, à modernização das propriedades e à abertura de oportunidades de negócios.

Um dos primeiros eventos será a 45ª Exposição-Feira Agropecuária de Roraima (Expoferr Show), de 3 a 7 de novembro, no Parque de Exposições Dandãezinho, em Boa Vista. A organização estima receber mais de 900 mil visitantes e movimentar aproximadamente R$ 1 bilhão em negócios. Os valores representam expectativas dos organizadores, não resultados já alcançados.

A Expoferr terá exposições de animais, demonstrações de tecnologias agrícolas, atividades de agricultura familiar e espaços de negociação. Entre os destaques está uma vitrine tecnológica com cultivos de soja, algodão, milho, mandioca, sorgo, milheto e girassol, além de orientações técnicas destinadas a pequenos produtores. A proposta é apresentar alternativas de produção adaptadas às condições da região e aproximar agricultores de fornecedores e instituições de assistência técnica.

Na sequência, o calendário inclui eventos especializados em custos de produção e financiamento. No dia 5, está previsto o Seminário Datagro de Custo de Produção de Cana, Açúcar e Etanol, em formato virtual. O encontro abordará um dos principais desafios do setor sucroenergético: a relação entre despesas agrícolas e industriais, produtividade e preços de comercialização.

Nos dias 11 e 12, São Paulo receberá o Conacredi Agro 2026, no Centro de Convenções Frei Caneca. O encontro terá como foco o financiamento do agronegócio, assunto que ganhou importância diante das dificuldades de acesso ao crédito e do aumento do endividamento rural. A programação interessa a produtores, cooperativas, instituições financeiras e empresas que atuam no financiamento da produção.

Também entre 11 e 13 de novembro, Belo Horizonte sediará a Semana Internacional do Café (SIC), no Expominas. O encontro está entre os principais eventos da cafeicultura brasileira e reúne produtores, exportadores, torrefadores, cooperativas, compradores e empresas de tecnologia.

A edição de 2026 terá como tema a preparação da cafeicultura brasileira para os 300 anos da introdução do café no país, que serão completados em 2027. A programação inclui debates sobre mercado internacional, sustentabilidade, produtividade, qualidade e agregação de valor, além de rodadas comerciais e apresentações de novas tecnologias.

Entre as atividades previstas estão o Simpósio DNA Café, o Fórum da Cafeicultura Sustentável, encontros sobre a participação feminina no setor e o concurso Coffee of the Year, que reconhece a qualidade de cafés produzidos em diferentes regiões brasileiras. Também serão discutidas alternativas para aproveitar resíduos da produção na fabricação de fertilizantes, geração de energia e desenvolvimento de novos produtos.

A realização da feira ocorre em um momento de mudanças no mercado internacional do café, com maior exigência de rastreabilidade, diferenciação de qualidade e comprovação de origem. Para os produtores, os debates podem ajudar a identificar oportunidades de comercialização e investimentos capazes de ampliar a rentabilidade das propriedades.

No Paraná, a programação terá como destaque a Expofrísia 2026, marcada para os dias 12 a 14 de novembro, no Parque Histórico de Carambeí. A exposição é voltada especialmente à pecuária leiteira, uma das atividades de maior importância econômica nos Campos Gerais.

O evento reunirá produtores, cooperativas e empresas ligadas à genética, nutrição animal, equipamentos e manejo. A produtividade dos rebanhos, a qualidade do leite e o controle dos custos estarão entre os assuntos de interesse dos participantes. A região concentra propriedades com elevado nível de tecnificação, o que transforma a exposição em uma oportunidade para acompanhar soluções já utilizadas na produção comercial.

Ainda na segunda semana do mês, Avaré, no interior de São Paulo, receberá a Faesp Show, de 12 a 14 de novembro. A feira será direcionada principalmente aos pequenos e médios produtores, com exposição de equipamentos, serviços, tecnologias e atividades relacionadas à gestão rural.

A programação paulista também inclui, entre 19 e 22 de novembro, a Feira Industrial, Comercial e de Agronegócios de Assis e Região (Ficar Assis), no Parque de Exposições Jorge Alves de Oliveira. O encontro aproxima atividades agrícolas, industriais e comerciais, com oportunidades para empresas fornecedoras e produtores da região.

No Nordeste, a aquicultura terá espaço na Feira Nacional do Camarão (Fenacam), prevista para 17 a 20 de novembro, em Natal, no Rio Grande do Norte. O evento reúne representantes da criação de camarões, da piscicultura, da indústria de equipamentos e da pesquisa aplicada à produção aquícola.

Entre os temas de interesse estão sanidade dos animais, nutrição, qualidade da água, produtividade e comercialização. A carcinicultura tem importância econômica para estados nordestinos e enfrenta desafios relacionados aos custos de produção, à prevenção de doenças e à competitividade nos mercados interno e externo.

Na última semana do mês, Florianópolis, em Santa Catarina, receberá o Encontro Nacional de Bubalinocultores, programado para 24 a 27 de novembro. A atividade é voltada à criação de búfalos, com discussões sobre genética, produção de leite e carne, manejo e aproveitamento econômico dos produtos derivados.

No mesmo período, São Paulo sediará, nos dias 24 e 25, o CCAgro, encontro voltado a temas do setor agropecuário.

A agenda brasileira coincide ainda com a 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP31), marcada para 9 a 20 de novembro, em Antália, na Turquia. Embora não seja uma feira agropecuária, a conferência terá repercussões sobre o setor, especialmente nas discussões relacionadas ao financiamento de práticas sustentáveis, à redução de emissões e às exigências ambientais do comércio internacional.

A concentração de eventos em novembro mostra a diversidade das cadeias produtivas brasileiras. Enquanto a Semana Internacional do Café reúne um setor fortemente ligado às exportações, encontros como a Expofrísia e a Fenacam tratam de desafios específicos da pecuária leiteira e da aquicultura. Já as feiras regionais aproximam produtores de fornecedores, compradores e instituições financeiras.

Para quem pretende participar, é importante observar os prazos de credenciamento e as condições de acesso. Parte dos encontros exige inscrição antecipada, enquanto outros possuem programação gratuita ou condições diferenciadas para produtores e cooperados.

Além da exposição de produtos e equipamentos, essas reuniões oferecem oportunidades para comparar tecnologias, negociar insumos, conhecer alternativas de financiamento e avaliar tendências de mercado. Em um momento de maior pressão sobre os custos de produção, a possibilidade de identificar soluções economicamente viáveis tende a ser um dos principais atrativos.

Novembro será, assim, um mês de intensa circulação de informações, tecnologias e oportunidades comerciais no agronegócio. Dos grandes encontros nacionais às exposições regionais, o calendário oferece aos produtores a possibilidade de conhecer novas práticas, estabelecer contatos e planejar investimentos para os próximos ciclos produtivos.

Serviço — principais eventos de novembro

Evento Data Local
Expoferr Show 3 a 7/11 Boa Vista (RR)
Seminário Datagro de Custos 5/11 Online
Conacredi Agro 11 e 12/11 São Paulo (SP)
Semana Internacional do Café 11 a 13/11 Belo Horizonte (MG)
Expofrísia 12 a 14/11 Carambeí (PR)
Faesp Show 12 a 14/11 Avaré (SP)
Fenacam 17 a 20/11 Natal (RN)
Ficar Assis 19 a 22/11 Assis (SP)
CCAgro 24 e 25/11 São Paulo (SP)
Encontro Nacional de Bubalinocultores 24 a 27/11 Florianópolis (SC)

As datas e os locais constam das programações divulgadas pelos organizadores e calendários setoriais.



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Boi gordo passa dos R$ 400 e entra em novembro com oferta apertada

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O mercado brasileiro do boi gordo encerrou outubro com valorização de até 8,6% nas principais regiões pecuárias e negócios alcançando R$ 400 por arroba em São Paulo. A oferta reduzida de animais terminados, as escalas de abate limitadas a cinco ou sete dias úteis e a expectativa de maior procura dos frigoríficos para atender às exportações sustentaram os preços. Novembro começa com perspectivas de novas altas, mas o comportamento das compras chinesas e a capacidade de consumo do mercado interno serão decisivos para determinar até onde a valorização poderá avançar.

Em São Paulo, principal referência nacional para a formação dos preços, a arroba terminou outubro cotada a R$ 395 nas negociações a prazo, avanço de 8,22% sobre os R$ 365 registrados no encerramento de setembro. Segundo a consultoria Safras & Mercado, também ocorreram negócios a R$ 400, patamar que representa um novo recorde nominal para determinadas negociações, sem considerar os efeitos da inflação.

A valorização não ficou restrita ao mercado paulista. Em Minas Gerais, a arroba chegou a R$ 380, alta de 8,57% no mês. Goiás registrou R$ 375, avanço de 7,14%, enquanto Mato Grosso do Sul alcançou R$ 380, com aumento de 7,04%. Em Mato Grosso, a cotação subiu de R$ 345 para R$ 365, valorização de 5,80%. Rondônia encerrou o período com negócios a R$ 368, crescimento de 6,67%.

A principal explicação para o movimento está na disponibilidade menor de bovinos prontos para abate. Com dificuldades para completar suas programações industriais, frigoríficos passaram a disputar animais e aceitar reajustes nas negociações. As escalas curtas indicam que as empresas possuem compras suficientes para poucos dias de funcionamento, aumentando a necessidade de buscar novos lotes.

A oferta mais limitada também reflete decisões tomadas pelos pecuaristas nos meses anteriores. A recuperação das pastagens em determinadas regiões, favorecida pelas chuvas, permitiu manter parte dos animais por mais tempo nas propriedades. Ao mesmo tempo, a entrada de bovinos nos confinamentos entre julho e agosto ficou aproximadamente 15% abaixo do volume registrado no mesmo período de 2025, segundo levantamento citado pela Scot Consultoria.

Essa redução começa a aparecer justamente no período em que os animais confinados deveriam reforçar a oferta aos frigoríficos. Com menos bovinos disponíveis e demanda industrial ainda presente, o poder de negociação dos pecuaristas aumentou.

O mercado futuro também acompanhou a valorização. Na B3, contratos com vencimento em novembro ultrapassaram R$ 400 por arroba e chegaram à máxima de R$ 407. Esses preços representam expectativas dos participantes do mercado e não garantem que as negociações físicas alcançarão os mesmos valores nas próximas semanas.

A China permanece como um dos principais fatores de atenção. A expectativa de intensificação das compras para abastecimento no fim do ano estimula frigoríficos habilitados a buscar animais com antecedência. Entretanto, o volume efetivamente contratado dependerá da administração das cotas chinesas de importação e das condições comerciais negociadas entre compradores e exportadores.

Os dados parciais de outubro mostram que a demanda externa ainda não apresentou expansão em volume. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), nos primeiros 16 dias úteis do mês o Brasil exportou 154,5 mil toneladas de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada, com receita equivalente a aproximadamente R$ 5,2 bilhões, considerando o câmbio de referência de R$ 5,35.

Na comparação com outubro de 2025, o volume médio diário embarcado recuou 33,7%, enquanto a receita média diária caiu 24,8%. O preço médio internacional, entretanto, avançou 13,5%, alcançando aproximadamente R$ 33,6 mil por tonelada. Os números indicam que a valorização da carne no exterior não foi suficiente para compensar a redução da quantidade exportada no período analisado.

O desempenho do mercado interno será outro componente importante para novembro. O pagamento da primeira parcela do décimo terceiro salário, a movimentação do comércio no fim do ano e a melhora sazonal do consumo tendem a favorecer as vendas de carne bovina. A intensidade dessa recuperação, porém, dependerá do orçamento das famílias e dos preços praticados no varejo.

No atacado, outubro já apresentou reajustes. O quarto traseiro bovino passou de R$ 28 para R$ 29,50 por quilo, alta de 5,36%. O dianteiro avançou de R$ 21,50 para R$ 22,30, aumento de 3,72%. Os reajustes foram inferiores aos registrados em algumas praças do boi gordo, indicando que a indústria ainda enfrenta limites para transferir integralmente a valorização da matéria-prima aos compradores.

A concorrência com a carne de frango e a suína continua sendo um obstáculo. Quando a carne bovina fica mais cara, parte dos consumidores tende a substituir cortes por proteínas de menor preço, reduzindo o espaço para novos reajustes. Esse comportamento pode limitar a capacidade dos frigoríficos de sustentar preços elevados na compra dos animais.

Para o pecuarista, a valorização da arroba melhora a receita por animal vendido, mas não significa necessariamente aumento proporcional do lucro. Os resultados dependem dos custos de reposição, alimentação, suplementação, financiamento e do tempo necessário para terminar os bovinos. A alta também alcança o mercado de animais de reposição, elevando as despesas de quem precisa recompor o rebanho.

O cenário de novembro reúne, portanto, fatores que favorecem a manutenção de preços firmes, mas não asseguram uma sequência contínua de aumentos. A oferta de animais terminados permanece restrita, enquanto frigoríficos precisam abastecer suas linhas de produção e atender aos contratos comerciais.

A confirmação de novas altas dependerá da capacidade de consumo do mercado doméstico, da efetivação das compras internacionais e da velocidade com que novos lotes de bovinos chegarão ao mercado. Depois de um outubro de forte valorização, a disputa pela boiada continuará sendo o principal indicador para acompanhar a direção dos preços nas próximas semanas.

Fonte: Pensar Agro



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