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Nova entidade quer ampliar crédito ao agronegócio fora dos bancos

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O lançamento da Associação Brasileira dos Fundos e Títulos do Agronegócio (ABFiagro), nesta quinta-feira (26.03), em São Paulo, sinaliza uma tentativa de reorganizar uma frente ainda pouco explorada no financiamento do agro: o acesso direto ao mercado de capitais. Na prática, a entidade sem fins lucrativos, nasce com um objetivo claro — tornar mais simples, padronizado e viável o uso de instrumentos como Fiagros e títulos privados para financiar a produção rural.

Hoje, apesar do crescimento desses mecanismos nos últimos anos, o produtor ainda depende majoritariamente do crédito rural tradicional, com forte presença de bancos e recursos direcionados. O mercado de capitais, por sua vez, enfrenta entraves que vão desde insegurança jurídica até dificuldade de estruturar operações em escala, o que limita sua chegada na ponta.

É justamente nesse ponto que a nova associação pretende atuar. A proposta é organizar regras, reduzir ruídos regulatórios e dar mais previsibilidade às operações. Na prática, isso significa facilitar a estruturação de operações de crédito fora do sistema bancário — como emissões lastreadas em produção, recebíveis ou terras — e ampliar o interesse de investidores nesses ativos.

Para o produtor, o impacto não é imediato, mas o caminho é claro: com um ambiente mais organizado, a tendência é de aumento na oferta de crédito via mercado, sobretudo para perfis que hoje encontram mais dificuldade no sistema tradicional ou buscam alternativas de prazo e custo. Isso inclui, por exemplo, operações estruturadas via fundos ou securitização, que permitem antecipar recursos com base na produção futura.

Outro efeito esperado é a padronização das operações. Hoje, muitas estruturas ainda são feitas “caso a caso”, o que eleva custo e complexidade. Com maior organização institucional, a tendência é reduzir essa barreira e tornar o acesso mais recorrente, especialmente para médios e grandes produtores.

A associação também deve atuar na interlocução com reguladores para ajustar pontos considerados críticos, como tributação e regras de lastro dos títulos. Esses fatores são apontados como limitantes para ampliar a escala do mercado e atrair novos investidores, principalmente estrangeiros.

A leitura no setor é que o movimento acompanha uma necessidade estrutural: o crescimento do agro brasileiro exige volume crescente de recursos, e o crédito tradicional, sozinho, tende a não acompanhar esse ritmo. Nesse cenário, ampliar a participação do mercado de capitais deixa de ser alternativa e passa a ser parte da estratégia de financiamento.

No curto prazo, o produtor dificilmente verá mudança direta na tomada de crédito. Mas, à medida que essas estruturas ganhem escala, a expectativa é de maior concorrência entre fontes de financiamento — o que, na prática, pode significar mais opções, maior flexibilidade e, eventualmente, melhores condições para financiar a safra.

Fonte: Pensar Agro



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Agro impulsiona comércio exterior e Brasil já acumula superávit de R$ 152 bilhões em 2026

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Dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), mostram que o país encerrou a terceira semana de maio com superávit comercial de R$ 7,5 bilhões e corrente de comércio de R$ 67,5 bilhões. O resultado reflete exportações de R$ 37,5 bilhões e importações de R$ 30 bilhões no período.

No acumulado de maio, as exportações brasileiras alcançaram R$ 117,5 bilhões, enquanto as importações somaram R$ 89 bilhões. Com isso, o saldo positivo da balança comercial chegou a R$ 28,5 bilhões, enquanto a corrente de comércio movimentou R$ 206,5 bilhões.

Os números do ano confirmam a força das vendas externas. Entre janeiro e maio, o Brasil exportou R$ 700 bilhões e importou R$ 548 bilhões, gerando superávit de R$ 152 bilhões e movimentação total de R$ 1,248 trilhão na corrente de comércio.

O desempenho foi sustentado pelo crescimento tanto das exportações quanto das importações. A média diária das vendas externas atingiu R$ 7,825 bilhões até a terceira semana de maio, avanço de 9,9% em comparação ao mesmo período de 2025. Já as compras internacionais registraram média diária de R$ 5,94 bilhões, crescimento de 9,2% na mesma base de comparação.

A corrente de comércio apresentou média diária de R$ 13,77 bilhões, enquanto o saldo comercial médio diário ficou em aproximadamente R$ 1,88 bilhão. O crescimento da movimentação comercial foi de 9,6% em relação a maio do ano passado.

O setor agropecuário foi um dos principais responsáveis pela expansão das exportações brasileiras. Na média diária, o segmento registrou crescimento de 18,5%, impulsionado principalmente pelo avanço das vendas de milho, soja e algodão. A indústria de transformação também apresentou desempenho expressivo, com alta de 15,4%, enquanto a indústria extrativa registrou retração de 11,1%.

Entre os produtos que mais contribuíram para o avanço das exportações, o milho não moído liderou com crescimento de 314,1%. A soja avançou 22,5%, enquanto o algodão em bruto registrou aumento de 60,7%. Na indústria de transformação, destacaram-se as exportações de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada, que cresceram 63,1%, além dos óleos combustíveis derivados de petróleo, com alta de 100,6%, e do ouro não monetário, que avançou 64,2%.

Apesar do cenário positivo, alguns produtos apresentaram retração. As exportações de café não torrado recuaram 16,2%, o tabaco em bruto caiu 76,8% e o açúcar e melaços registraram redução de 22,8%. Também houve queda nas vendas externas de minério de ferro e de veículos automóveis de passageiros.

Pelo lado das importações, a indústria de transformação respondeu pela maior parcela do crescimento, movimentando R$ 83,35 bilhões e registrando alta de 9,8%. A indústria extrativa também apresentou avanço, enquanto a agropecuária registrou recuo de 5,5%.

As compras externas foram impulsionadas principalmente pelo aumento das importações de fertilizantes, que cresceram 50,4%, refletindo a preparação do setor produtivo para as próximas safras. Também se destacaram o carvão mineral, com alta de 40,9%, e o gás natural, que avançou 16%. Entre os produtos industrializados, cresceram as importações de veículos de passageiros, componentes eletrônicos e combustíveis derivados de petróleo.

Em sentido contrário, houve redução nas compras de trigo e centeio não moídos, com queda de 14,1%, cevada não moída, que recuou 37,3%, e produtos laminados planos de ligas de aço, que registraram retração de 66,3%.

Os números reforçam a importância do agronegócio para o equilíbrio das contas externas brasileiras. Em um cenário internacional ainda marcado por incertezas econômicas e geopolíticas, o setor continua sendo um dos principais responsáveis pela geração de divisas, sustentando o saldo positivo da balança comercial e fortalecendo a competitividade do país no mercado global.

Fonte: Pensar Agro



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