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Entidade diz que o campo preserva, mas há excesso de regras travando os produtores

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A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) decidiu reagir às críticas sobre o impacto ambiental do agronegócio e levou ao debate público um conjunto de dados para sustentar que a produção agrícola no Brasil ocorre com preservação relevante dentro das propriedades rurais.

A iniciativa ocorre em um momento de maior pressão sobre o setor, especialmente em mercados internacionais, e busca reposicionar a narrativa com base em números do próprio campo.

Entre os dados apresentados, levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indica que 65,6% do território brasileiro permanece coberto por vegetação nativa, enquanto a agricultura ocupa cerca de 10,8% da área total. A entidade usa o dado para reforçar que a produção ocorre em uma parcela limitada do território.

No recorte estadual, a Aprosoja-MT destaca um levantamento próprio que identificou mais de 105 mil nascentes em 56 municípios de Mato Grosso, com 95% delas preservadas dentro das propriedades rurais . O dado é usado como exemplo prático de conservação dentro da atividade produtiva.

A entidade também aponta que o avanço tecnológico tem permitido aumento de produção sem expansão proporcional de área. O Brasil deve colher mais de 150 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26, mantendo a liderança global, com Mato Grosso respondendo por cerca de 40 milhões de toneladas.

Segundo a Aprosoja-MT, práticas como plantio direto, rotação de culturas e uso de insumos biológicos têm contribuído para esse ganho de produtividade, reduzindo a pressão por abertura de novas áreas.

Isan Rezende, presidente do IA

A associação também cita investimentos em prevenção de incêndios dentro das propriedades e manejo de solo como parte da rotina produtiva, argumentando que a preservação é uma necessidade econômica, e não apenas uma exigência legal.

Na avaliação de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA) a preservação ambiental no campo deixou de ser uma pauta teórica e passou a ser parte direta da gestão da propriedade rural. Segundo ele, o produtor brasileiro já incorporou práticas que garantem produtividade com conservação, muitas vezes acima do que é exigido.

“Quem está na lida sabe que sem água, sem solo bem cuidado e sem equilíbrio ambiental não existe produção. O produtor preserva porque precisa produzir amanhã. Isso não é discurso, é sobrevivência da atividade”, afirma.

Rezende aponta, no entanto, que o ambiente institucional ainda cria distorções que dificultam o reconhecimento desse esforço. Para ele, há excesso de exigências, insegurança jurídica e regras que mudam com frequência, o que acaba penalizando quem já produz dentro da lei.

“O produtor cumpre, investe, preserva, mas continua sendo tratado como problema. Falta coerência. Quem está regular não pode continuar pagando a conta de um sistema que não diferencia quem faz certo de quem está fora da regra”, diz.

Na avaliação do dirigente, o debate sobre sustentabilidade no Brasil precisa avançar com base em dados e realidade de campo, e não em generalizações. Ele defende que o país já possui uma das legislações ambientais mais rígidas do mundo, mas enfrenta falhas na aplicação e na comunicação dessas informações.

“O Brasil tem uma das produções mais eficientes e sustentáveis do planeta. O que falta é organização e clareza nas regras, além de uma comunicação mais firme para mostrar o que já é feito dentro da porteira”, conclui.

Fonte: Pensar Agro



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Salário médio no agronegócio subiu 3,7% acima da inflação e chegou a R$ 2.972 por mês

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O rendimento médio dos empregados do agronegócio brasileiro chegou a R$ 2.972 por mês no segundo trimestre de 2026, alta de 3,7% acima da inflação em relação ao mesmo período de 2025. O avanço veio acompanhado de maior escolaridade da mão de obra: o contingente de trabalhadores com ensino superior completo ou incompleto cresceu 5,4%, com acréscimo de aproximadamente 254,5 mil pessoas em um ano.

Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O levantamento utiliza principalmente informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O agronegócio reuniu 28,4 milhões de pessoas ocupadas entre abril e junho, crescimento de 0,7% na comparação anual e maior contingente para um segundo trimestre desde o início da série, em 2012. Esse total abrange toda a cadeia: fabricação de insumos, produção nas propriedades, processamento industrial e serviços ligados à atividade.

Por isso, o salário médio de R$ 2.972 não corresponde apenas aos empregados das fazendas. O indicador reúne trabalhadores de atividades com diferentes exigências de formação e remuneração. Mesmo com o ganho real, ficou abaixo dos R$ 3.475 registrados para os empregados no conjunto do mercado de trabalho brasileiro, na comparação apresentada pelo boletim.

Dentro das propriedades agrícolas, o rendimento dos empregados aumentou 4,4% em relação ao segundo trimestre de 2025. Na indústria de processamento de produtos agrícolas, o avanço foi de 10,7%. Já na indústria pecuária houve recuo de 0,4%, mostrando que a melhora não ocorreu com a mesma intensidade em todos os segmentos.

A mudança na escolaridade também aparece na redução do contingente com menor formação. O número de pessoas sem instrução caiu 3,3%, enquanto o de trabalhadores com ensino fundamental recuou 0,5%. Além do crescimento entre aqueles com formação superior, houve aumento de 0,3% no grupo com ensino médio.

Esses números mostram uma alteração no perfil de quem trabalha no setor, mas não permitem atribuir todo o aumento da renda à escolaridade. A remuneração também depende da atividade, da função exercida, da região e das condições de contratação.

O emprego com carteira assinada alcançou aproximadamente 9,88 milhões de pessoas, alta de 0,5% em um ano. No mesmo intervalo, o contingente de empregados sem carteira diminuiu 1,7%. O total de ocupados inclui ainda empregadores, trabalhadores por conta própria, familiares auxiliares e pessoas que produzem para o próprio consumo; portanto, não equivale ao número de empregos formais.

Entre os trabalhadores por conta própria, a renda seguiu na direção contrária à dos assalariados. O rendimento médio ficou em R$ 2.443, queda real de 3,1% na comparação anual. Esse grupo reúne quem trabalha no próprio negócio sem empregados e não deve ser confundido com a categoria dos empregadores.

Somadas as categorias remuneradas analisadas, a massa de rendimentos chegou a R$ 71,84 bilhões, crescimento real de 2,5%. Trata-se da renda agregada do trabalho, não do faturamento ou do lucro das propriedades.

Para quem contrata, o levantamento reforça a importância de planejar a equipe junto com o calendário produtivo. A comparação salarial precisa considerar a função e o mercado local, enquanto a capacitação deve acompanhar as tarefas exigidas na propriedade, do manejo dos animais à operação de máquinas e ao registro de informações.

Fonte: Pensar Agro



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