Agricultura
Salário médio no agronegócio subiu 3,7% acima da inflação e chegou a R$ 2.972 por mês
Agricultura
O rendimento médio dos empregados do agronegócio brasileiro chegou a R$ 2.972 por mês no segundo trimestre de 2026, alta de 3,7% acima da inflação em relação ao mesmo período de 2025. O avanço veio acompanhado de maior escolaridade da mão de obra: o contingente de trabalhadores com ensino superior completo ou incompleto cresceu 5,4%, com acréscimo de aproximadamente 254,5 mil pessoas em um ano.
Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O levantamento utiliza principalmente informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O agronegócio reuniu 28,4 milhões de pessoas ocupadas entre abril e junho, crescimento de 0,7% na comparação anual e maior contingente para um segundo trimestre desde o início da série, em 2012. Esse total abrange toda a cadeia: fabricação de insumos, produção nas propriedades, processamento industrial e serviços ligados à atividade.
Por isso, o salário médio de R$ 2.972 não corresponde apenas aos empregados das fazendas. O indicador reúne trabalhadores de atividades com diferentes exigências de formação e remuneração. Mesmo com o ganho real, ficou abaixo dos R$ 3.475 registrados para os empregados no conjunto do mercado de trabalho brasileiro, na comparação apresentada pelo boletim.
Dentro das propriedades agrícolas, o rendimento dos empregados aumentou 4,4% em relação ao segundo trimestre de 2025. Na indústria de processamento de produtos agrícolas, o avanço foi de 10,7%. Já na indústria pecuária houve recuo de 0,4%, mostrando que a melhora não ocorreu com a mesma intensidade em todos os segmentos.
A mudança na escolaridade também aparece na redução do contingente com menor formação. O número de pessoas sem instrução caiu 3,3%, enquanto o de trabalhadores com ensino fundamental recuou 0,5%. Além do crescimento entre aqueles com formação superior, houve aumento de 0,3% no grupo com ensino médio.
Esses números mostram uma alteração no perfil de quem trabalha no setor, mas não permitem atribuir todo o aumento da renda à escolaridade. A remuneração também depende da atividade, da função exercida, da região e das condições de contratação.
O emprego com carteira assinada alcançou aproximadamente 9,88 milhões de pessoas, alta de 0,5% em um ano. No mesmo intervalo, o contingente de empregados sem carteira diminuiu 1,7%. O total de ocupados inclui ainda empregadores, trabalhadores por conta própria, familiares auxiliares e pessoas que produzem para o próprio consumo; portanto, não equivale ao número de empregos formais.
Entre os trabalhadores por conta própria, a renda seguiu na direção contrária à dos assalariados. O rendimento médio ficou em R$ 2.443, queda real de 3,1% na comparação anual. Esse grupo reúne quem trabalha no próprio negócio sem empregados e não deve ser confundido com a categoria dos empregadores.
Somadas as categorias remuneradas analisadas, a massa de rendimentos chegou a R$ 71,84 bilhões, crescimento real de 2,5%. Trata-se da renda agregada do trabalho, não do faturamento ou do lucro das propriedades.
Para quem contrata, o levantamento reforça a importância de planejar a equipe junto com o calendário produtivo. A comparação salarial precisa considerar a função e o mercado local, enquanto a capacitação deve acompanhar as tarefas exigidas na propriedade, do manejo dos animais à operação de máquinas e ao registro de informações.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Embargo da UE mostra que comprovar a origem virou condição para vender
O Brasil precisa avançar na identificação individual do gado para demonstrar aos compradores como os animais foram criados, por quais propriedades passaram e quais tratamentos receberam. A restrição imposta pela União Europeia em setembro ao ingresso de produtos de origem animal expôs o peso dessa comprovação: produzir dentro das regras precisa vir acompanhado de registros que permitam verificar o cumprimento das exigências.
O desafio alcança uma pecuária com 234,3 milhões de bovinos, segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal de 2025, divulgada em setembro deste ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É nessa escala que o país terá de ampliar a conexão entre informações das fazendas, dos serviços de defesa sanitária e dos frigoríficos.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) reconhece as limitações do modelo baseado em lotes. Esse controle permite acompanhar grupos de animais, mas tem alcance diferente de um histórico individual, que acompanha cada bovino ao longo da vida. Para ampliar essa capacidade, o Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB) prevê integrar bases estaduais e federais e registrar a trajetória dos animais do nascimento ao abate.
Na prática, o brinco funciona como uma chave de acesso ao histórico. O número identifica o animal; os registros precisam informar o restante. Se um bezerro nasce em uma fazenda, passa pela recria em outra e termina a engorda em uma terceira, a informação deve acompanhar essas mudanças. Identificá-lo apenas no fim do percurso não recupera automaticamente o que deixou de ser registrado antes.
O país já dispõe do Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (Sisbov), utilizado na certificação para mercados que exigem esse acompanhamento. Segundo o Mapa, a adesão dos produtores é voluntária, ressalvadas obrigações estabelecidas em normas ou programas sanitários específicos. Portanto, a existência do sistema não significa que todo o rebanho nacional esteja identificado individualmente.
A expansão será gradual. O planejamento nacional tem horizonte até o fim de 2032, com integração dos sistemas, identificação progressiva e ampliação das exigências de controle da movimentação. O documento também reconhece a necessidade de financiamento público e privado para evitar que a implantação onere excessivamente o pecuarista.
A pressão comercial, entretanto, já chegou. As restrições europeias iniciadas em 3 de setembro estão relacionadas às garantias sobre o uso de antimicrobianos. O regulamento do bloco exige que os produtos importados atendam às proibições de determinados medicamentos, incluindo o uso de antimicrobianos para promover crescimento e de substâncias reservadas ao tratamento de certas infecções humanas.
A justificativa europeia foi a insuficiência das garantias apresentadas pelo Brasil para as categorias atingidas. Isso não equivale a uma constatação de contaminação de toda a carne brasileira. O governo brasileiro informou ter encaminhado documentação e implementado medidas para atender aos requisitos. A rastreabilidade ajuda a demonstrar os controles, mas não substitui o cumprimento das regras nem a certificação sanitária.
Outra exigência, de natureza ambiental, corre em paralelo. O Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR, na sigla em inglês) abrange gado e outras commodities e exige comprovação de origem e conformidade com seus critérios. A aplicação está prevista, em regra, para 30 de dezembro de 2026, com prazo adicional para micro e pequenos operadores. Trata-se de uma obrigação distinta daquela que motivou as restrições sanitárias de setembro.
Para o produtor, a preparação começa pela organização dos registros de nascimento, compra, venda, movimentação e tratamentos do rebanho. Antes de investir em equipamentos ou certificação, é necessário consultar o serviço estadual de defesa agropecuária e o comprador sobre o protocolo exigido, os custos e as condições comerciais. A identificação só cumpre sua função quando o histórico permanece confiável nas mudanças de propriedade e chega à indústria ligado ao animal correto.
Fonte: Pensar Agro
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