Opinião
Como escolher o tamanho ideal da prótese de mama?
Opinião
Por: Benedito Figueiredo Junior
Na década de 90 o bumbum era a preferência nacional tanto dos homens quanto das mulheres. Mas o tempo passou e ter um busto avantajado tomou uma conotação tão grande que hoje a colocação de prótese se silicone nas mamas é a cirurgia mais realizada em todo o mundo.
Mas como saber qual o tamanho ideal da prótese de mama que devo colocar?
Muito bem, o primeiro passo é procurar um cirurgião plástico e conversar com ele. Tirar dúvidas, falar das suas expectativas e deixar que ele verifique a sua anatomia e biótipo e te indique o que seria melhor e mais de acordo com seu corpo, de forma que fique harmoniosos e sem exageros.
Nessa consulta o cirurgião vai poder entender quais são os anseios dessa paciente e o que precisa para aumentar sua autoestima ou melhorar a harmonia do corpo ou corrigir incômodos oriundos de um problema de saúde.
Na maioria dos casos as mulheres chegam ao consultório dizendo apenas que querem colocar silicone para que o peito fique igual da amiga, ou da de uma atriz, ou cantora.
Por isso é importante explicar o que combina com seu corpo para não gerar arrependimentos.
Primeira avaliação feia é quanto ao tamanho das mamas atuais, altura da paciente; largura do tórax; espessura da pele; limitações físicas, tais como problemas na coluna e similares.
Depois conhecer o perfil da paciente se é retraída, se é ousada, se é tímida, ou sensual para que a prótese e o tamanho corresponda a individualidade de cada uma.
Em seguida, vamos definir o formato da prótese. Temos hoje no mercado vários perfis:
Perfil super alto
Esse perfil tem um maior volume em seu centro, com uma base menor e projeção alta para frente. Ele é bastante utilizado nas clínicas: as mulheres o escolhem por seu resultado ser mais evidente e volumoso.
Indicado para mulheres com tórax mais estreito, uma vez que sua base menor não avança para as laterais. Essa é uma boa opção para quem busca seios de colo bem destacados.
Perfil alto
Este perfil tem grande projeção — mas não tanto quanto o super alto. Assim, sua base é mais larga. Indicado para mulheres que têm o tórax em tamanho proporcional, visto que não é estreito e nem tão largo, apresentando menor volume no colo.
Perfil moderado
Para quem busca um resultado médio, que fique entre os perfis baixo e alto, essa é a melhor escolha. O perfil moderado tem base mais larga, porém seu volume é médio nessa região. A projeção não tem grande destaque, desenhando menos o colo. Indicado para mulheres magras e que buscam um aspecto mais natural do colo, mas com visual equilibrado: nem tão discreto, nem com muita projeção.
Perfil baixo
O perfil baixo tem a base bem mais larga em seu diâmetro e uma projeção bem menor dos seios. Indicado para mulheres de tórax largo que não desejam demonstrar volume no colo, sem destacar essa área ou dar projeção para frente. Normalmente, as pacientes magras e com tórax largo recorrem a essa prótese.
Perfil anatômico (gota)
Seu formato aproxima-se muito daquele que é natural dos seios, sem grandes destaques de contorno. Indicado para mulheres que desejam reconstruir as mamas após o câncer ou que buscam um volume discreto e natural.
Definido o perfil vamos definir o volume. Hoje existem no mercado próteses que variam de 150 ml a 600 ml. Os tamanhos de próteses de silicone mais usados pelas brasileiras são os médios. Se você pensar que, no mercado, temos próteses entre 150 ml e 600 ml, as preferidas são exatamente as de 350 ml.
Lembre-se quanto maior a prótese, mais cuidados deve se ter. É recomendado fazer exercícios físicos, o uso do sutiã para dormir e procurar sempre dar sustentação para que com o peso da prótese aumente o grau de flacidez que com a idade é normal em toda a mulher.
Seguindo corretamente as orientações do médico, inclusive sobre a escolha do tamanho ideal da prótese de silicone, o resultado tem grandes chances de atender todas as expectativas que você criou. E isso contribui para que você fique ainda mais bonita.
Benedito Figueiredo Junior é cirurgião plástico na Angiodermoplastic. CRM 4385 e RQE 1266.
Opinião
O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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