Opinião

Feedback: Esta ferramenta te gera medo?

Publicado em

Opinião

Por: Stephanie Romero

O Feedback é uma ferramenta poderosa, que pode ser utilizada pelas pessoas com o objetivo de direcionar, reforçar e/ou corrigir comportamentos. Existe um estudo realizado pelo Coach, Mestre em Psicologia e Fundador do ICI – Integrated Coaching Institute: Rhandy di Stephano que diz que, se o Feedback for bem aplicado pelos líderes de uma empresa, os resultados das metas entre os colaboradores podem aumentar em até 125%.

É um ótimo resultado não é mesmo?

 Talvez façamos até outra pergunta diante disso tudo:

 Por que mesmo sabendo da eficácia e resultados que esta ferramenta pode gerar às pessoas e empresas, ainda assim a maioria dos líderes tem dificuldades e/ou receio de fazê-lo?

 Para que compreendam um pouco mais sobre essa limitação e dificuldade que a maioria de nós enfrentamos, quero lembrar aqui de duas necessidades emocionais básicas do ser humano, que é a de ser reconhecido e a outra a de pertencimento, que outrora em artigos anteriores, cheguei a citar, são elas  que nos movem e influenciam em nossas escolhas e decisões diárias.

 Diante disso, quero convidá-lo a fazer comigo uma reflexão e voltar um pouquinho a nossa infância, tempo no qual provavelmente podem ter sido gerados problemas de escassez nas duas necessidades emocionais citadas. Como por exemplo, aquele típico  almoço na casa da tia, em que ela coloca a couve dentro do feijão, e a mãe na mesa junto com a criança ao encher a concha, ouve o grito da criança:

– Nãããão! Eu não quer… (e antes de terminar a frase) Ai ai! – sente um belisquinho de baixo da mesa e ouve a mãe dizer:

– Come tudo!

 A criança sem entender muito bem, tenta relutar mais uma vez, mas com uma expressão mais firme da mãe,finalmente fica em silêncio e come engolindo o mais rápido possível, e até sem mastigar para não sentir o gosto daquela couve que não gosta.

 Este é um exemplo de muitas experiências que passamos na vida. Por meio dos nossos pais vamos aprendendo alguns comportamentos e posturas que nos guiarão e serão referência quando nos tornamos adultos, ações importantes para que  aprendamos a conviver no coletivo.

 Porém outros exemplos também acontecem, nos quais talvez vamos fixando internamente a importância de atender ao outro, pois fazer isso significa poder ser reconhecido e pertencer, suprindo uma necessidade emocional, quem aqui já não viu essa cena a seguir?

 “ Se você não comer tudinho a mamãe vai ficar triste”.

“ Se você não for seu pai vai ficar chateado com você.”

Assim aquele comportamento de nos expressarmos com originalidade e de forma franca, começa a ser melhor pensado, e algumas vezes aprendemos que se falarmos o que não sentimos, muitas vezes o resultado será melhor, pois assim corremos menos riscos de sermos rejeitados ou de magoar alguém.

Compreendemos que nossos pais na melhor das intenções só querem que tenhamos  mais facilidade de nos adaptarmos ao mundo, de termos facilidade de nos  relacionar e de conviver em harmonia.

Porém, essas correções feitas, sem maiores argumentações e explicações acabam sendo levadas conosco para a vida adulta e para dentro da empresa, onde de repente, somos cobrados, questionados sobre algumas ações, sobre nossas opiniões e é neste momento que a nossa criança interior entra em conflito com o nosso EU Adulto.

“ Será que posso falar?” “ Será que se eu disser que não concordo com ele, ele não vai levar para o lado pessoal e ficar bravo comigo?”  “Será que se eu falar minha ideia não corro o risco de ser perseguido e mandado embora?”

 E o raciocínio inverso também ocorre da mesma forma.

 “ Mas porque ele está falando que meu projeto está ruim?” “ O cara está querendo puxar meu tapete?”  “ Eles estão falando isso de mim porque querem me derrubar.”

 Este último exemplo mostra, que além da dificuldade de expressar o que sentimos, de dar um feedback de correção, também temos dificuldades em receber, em lidar com as observações contrárias que vem do outro, e assim,  para evitar esses desconfortos com os quais não sabemos lidar, vamos criando o mundo das aparências, colocando nossos pontos de vista, se preciso for, debaixo do tapete em prol da “harmonia” e do coleguismo, e é neste momento que vamos nos mantendo insatisfeitos, deixando de contribuir para a evolução do outro e vedando o acesso ao outro para nos falar o que pensa, assim afastando cada vez mais a possibilidade de também evoluirmos, de corrigir alguns comportamentos inadequados; e assim vamos levando a vida (empurrando com a barriga).

 Diante de tudo isso, nos deparamos com a preocupação de algumas empresas, que muitas vezes se encontram travadas, retraídas ou em um processo decrescente de evolução, porque conta com líderes e pessoas que não sabem e nem tem preparo para oferecer aos seus colaboradores um direcionamento sincero, uma correção verdadeira como também líderes com ampla dificuldade de receber uma pontuação ou feedback sobre um ponto a ser melhorado na postura deles, sem que interpretem isso como algo pessoal, sem se magoarem.

  Assim aquele projeto que estava incompleto ou inadequado é aprovado em prol de não me sair mal com o meu colega, em prol do meu “chefe” não ficar chateado, e assim nos corredores da empresa há aquele desabafo típico:

        – “Nada a ver aquele projeto, eles vão se ferrar!”-

       – “Mas você falou alguma coisa?”

       – “ Eu não!”

        ”E quando em futuro não distante, o tal projeto não gera resultados, fracassa, aparecem os profetas do passado na “rádio corredor”:“ Eu sabia! Não falei para você!”-

        Este comportamento é um desserviço para qualquer pessoa que esteja envolvida no processo e principalmente para a empresa. Pois vimos que principalmente neste momento, na qual vivemos a Era do Conhecimento, o bem mais precioso que a empresa tem e precisa usar é o cérebro de sua equipe, porém se esta não entregá-lo de forma verdadeira, comprometida com o negócio, com respeito, sinceridade, confiança e segurança, com certeza levará a organização a danos muito sérios que terão impacto direto sobre as pessoas, que dependem e estão envolvidas no processo, incluindo os colaboradores e clientes.

      Compreender esta crença limitante, que nos faz adiar aquela conversa com o nosso líder, com o nosso colaborador, com a equipe, nos possibilita insigths que podem nos ajudar a repensar nossos comportamentos, e a nos questionar:

“ É ESTA REALIDADE ARTIFICIAL QUE EU QUERO CRIAR?”

“O QUANTO TENHO SIDO SINCERO E VERDADEIRO COMIGO MESMO EM PRIMEIRO LUGAR?”

A partir daí posso pensar sobre:

  “ Onde estou falhando?”

 “ O que preciso melhorar?”

 “ O que preciso aprender através deste feedback que estou recebendo agora?”

 Quando consigo me colocar neste ponto, estou em processo de evolução e no caminho de poder contribuir, de apoiar o outro a compreender que uma nova crença pode ser construída a partir daqui, a crença de que ter a oportunidade de viver cada segundo desta vida como um presente, mesmo quando caímos, fracassamos ou nos decepcionamos é um GRANDE FEEDBACK, e é este o GRANDE PRESENTE capaz de nos transformar e com a habilidade certa,  atuamos como facilitadores deste processo na vida do outro.

 Assim o Feedback deixa de ser bronca, e passa a ser PRESENTE, presente no presente, diariamente, a cada minuto, através da vida, das experiências…

 Assim não existe FRACASSO, não existe ERRO, existe Feedback, existe aprendizado, se pudermos superar a CRENÇA de que para sermos reconhecidos, para pertencermos temos que sempre agradar, sermos perfeito, quase como um super-herói, passaremos a entender que somos humanos, imperfeitos e limitados, que precisamos do olhar de fora do outro, pois isso pode contribuir para que nos tornemos uma pessoa melhor, e que também o inverso aconteça, ou seja, a liberdade de dar feedback  para outras pessoas, criando assim um circulo de crescimento, evolução e abundância.

 

Cynthia Lemos é Psicóloga Empresarial e Coach na Grandy Desenvolvimento Humano. Especialista no Desenvolvimento de Líderes e Empresas tem a missão de: Expandir a Consciência e Gerar Ações Transformadoras – para pessoas e empresas que desejam evoluir em seus projetos e objetivos. Email: cynthia@grandy.com.br

 

COMENTE ABAIXO:
Propaganda
Clique para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe uma resposta

Opinião

Saúde mental é inegociável

Publicados

em


O que aprendi em 10 anos liderando a pauta de saúde mental? Durante a última edição do Vittude Summit, subi ao palco diante de cerca de 1.800 pessoas e lembrei do primeiro evento que realizamos, em janeiro de 2020. Na época, a expectativa era reunir 200 participantes para discutir saúde mental no ambiente corporativo. Muitos acreditavam que ninguém apareceria: o evento recebeu 280 pessoas.

Poucos meses depois, a pandemia transformou definitivamente a forma como as empresas passaram a enxergar o tema. O que antes era tratado como assunto secundário passou a ocupar espaço nas agendas das lideranças. Em poucos anos, vimos crescer rapidamente o interesse das organizações por estratégias estruturadas de promoção da saúde mental.

Os números que não podem mais ser ignorados

Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número da série histórica e o terceiro ano consecutivo de crescimento. O dado, porém, mostra apenas parte do problema. Ele considera apenas afastamentos superiores a 15 dias, deixando de fora atestados mais curtos e um fenômeno igualmente preocupante: o presenteísmo, quando o colaborador está presente, mas não consegue desempenhar plenamente suas atividades.

No Censo de Saúde Mental da Vittude, realizado com 175 mil trabalhadores de 35 grandes corporações, identificamos uma perda média de produtividade de 32%. Em outras palavras, de cada R$ 100 investidos em folha de pagamento, cerca de R$ 32 deixam de se converter em trabalho efetivo em função do adoecimento emocional. Ou seja, são perdas financeiras e humanas.

O papel da segurança psicológica

Um dos principais achados do estudo foi a relação direta entre segurança psicológica e saúde mental. Entre os colaboradores que relataram baixos níveis de segurança psicológica, todos os indicadores analisados pioraram significativamente. A ideação suicida passou de 14,75% para 19%, enquanto a propensão ao burnout saltou de 5,94% para 21%. Já entre aqueles que percebiam altos níveis de segurança psicológica, a propensão ao burnout foi praticamente nula.

Esses dados mostram que boa parte do adoecimento está concentrada em ambientes onde as pessoas não se sentem seguras para pedir ajuda ou expressar opiniões. Por isso, saúde mental não depende apenas da oferta de benefícios. Depende, principalmente, da cultura organizacional.

A prevalência de ideação suicida entre os trabalhadores avaliados no Censo (14,75%) foi inferior à observada na população brasileira em geral (18%, segundo estudo do Instituto Cactus). Isso mostra que o trabalho pode funcionar como fator de proteção quando oferece pertencimento, reconhecimento e relações saudáveis.

O problema é que muitos ambientes ainda não oferecem essas condições. Com a atualização da NR-1 já em vigor, o gerenciamento dos riscos psicossociais passou a integrar oficialmente as responsabilidades das empresas.

O que aprendemos na prática

Ao longo desses dez anos, ficou claro que os programas de saúde mental mais efetivos compartilham uma característica: método. Não basta contratar fornecedores ou oferecer benefícios. É preciso diagnosticar riscos, definir prioridades, acompanhar indicadores, testar iniciativas e envolver a liderança de forma consistente durante todo o processo.

Foi dessa experiência que surgiu o Método VITAL — Verificar, Idealizar, Testar, Amadurecer e Liderar — desenvolvido a partir do trabalho com organizações de diferentes setores. O aprendizado é simples: iniciativas isoladas dificilmente produzem mudanças duradouras.

Promover saúde mental exige planejamento, acompanhamento contínuo e compromisso da liderança.

Em dez anos, a pauta amadureceu.

Hoje, o cenário é diferente. Líderes, profissionais de RH, médicos do trabalho e executivos passaram a discutir segurança psicológica, riscos psicossociais e saúde mental com uma frequência que parecia improvável poucos anos atrás.

A atualização da NR-1 consolida essa mudança. E depois de uma década acompanhando essa transformação, vejo que chegamos a um ponto de virada. Ainda há muito a fazer, mas, pela primeira vez em muitos anos, há uma combinação de conscientização, evidências e compromisso institucional capaz de acelerar essa mudança. E isso, sem dúvida, é motivo de esperança.

* Tatiana Pimenta CEO da Vittude



COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTE

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA