Economia
Governo acena com ajustes no Refis para vencer resistências no Congresso
Economia
Mudanças incluem a ampliação do número de devedores que terão acesso a condições diferenciadas de adesão, inclusive pagamento de valor de entrada menor, e a extensão do prazo de adesão para 31 de outubro
Da Redação
A equipe econômica vai acenar com mais ajustes no texto da Medida Provisória (MP) 783, que cria o Refis (parcelamento de débitos tributários), para tentar vencer a resistência de parlamentares à proposta original do governo. As mudanças incluem a ampliação do número de devedores que terão acesso a condições diferenciadas de adesão, inclusive pagamento de valor de entrada menor, e a extensão do prazo de adesão para 31 de outubro, segundo apurou o Broadcast.
No texto original, dívidas até R$ 15 milhões poderiam ser negociadas no Refis com pagamento de entrada de 7,5% do valor do débito este ano, e o restante poderia ser liquidado com créditos de prejuízo fiscal e parcelado com descontos em juros e multas. A proposta do governo é elevar esse limite até R$ 30 milhões, sem mexer no valor da entrada.
O relator do Refis, deputado Newton Cardoso Jr. (PMDB-MG), propôs elevar esse limite para R$ 150 milhões, beneficiando um número muito maior de devedores com as condições mais favoráveis – os demais precisam pagar 20% da dívida como entrada neste ano. Além disso, reduziu o porcentual de entrada para 2,5%. O governo considera que essa alteração seria muito danosa para a arrecadação esperada com o programa.
Diante das idas e vindas no Refis, o governo também vai ampliar o prazo de adesão, que terminaria no próximo dia 31 de agosto. Agora, os contribuintes poderão demonstrar interesse no programa até 31 de outubro. Com as mudanças feitas por Cardoso Jr., o número de adesões foi consideravelmente afetado, comprometendo a expectativa de arrecadação do governo.
A projeção original da área econômica era obter R$ 13 bilhões com o Refis. Na última terça-feira (15), já com a perspectiva de negociar alguns termos, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, sinalizou que o governo já estava contando com um valor menor, de R$ 10 bilhões. A proposta do governo agora será levada aos parlamentares.
Apesar da disposição do governo de negociar o texto do Refis, a determinação na equipe econômica é não mexer nos porcentuais de descontos na dívida para evitar perda ainda maior na arrecadação. O abatimento máximo pelo texto do governo é de 90% nos juros e de 50% nas multas. O relator elevou esses porcentuais para 99%, ou seja, um perdão quase integral de juros e multas.
Cardoso Jr. já havia sido relator da MP 766, que instituiu a primeira versão do Refis, e também fez propostas que derrubavam a arrecadação do governo. Como mostrou o Broadcast, o peemedebista tem empresas com dívidas junto à Receita Federal.
Fonte: O Estado de S.Paulo
Economia
Brasil promulga acordo de livre comércio entre Mercosul e EFTA
O Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) foi promulgado nesta sexta-feira (25) no Decreto Presidencial nº 13.126, publicado no Diário Oficial da União.

O bloco de países europeus é formado por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça, que não são membros da União Europeia. Já o grupo sul-americano conta com Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai ─ a Venezuela segue suspensa como Estado-membro desde 2017.
De acordo com o Planalto, o decreto publicado nesta sexta-feira conclui o processo de internalização do tratado no Brasil, estabelecendo “compromissos para ampliar os fluxos de comércio e investimentos entre os países dos dois blocos”. No plano jurídico, ele entrará em vigor a partir do dia 1º de outubro de 2026.
O tratado prevê a ampliação do comércio e dos investimentos entre os dois blocos, com redução de barreiras técnicas, além de medidas sanitárias e fitossanitárias consideradas desnecessárias para o comércio.
Além disso, prevê mais facilidades para procedimentos aduaneiros e maior acesso aos mercados de compras governamentais.
Compromissos
Assinado no dia 16 de setembro de 2025 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o documento estabelece também compromissos nas áreas de propriedade intelectual, desenvolvimento sustentável, proteção ambiental, biodiversidade e direitos humanos.
“Para o Brasil, o acordo amplia as possibilidades de entrada de produtos nacionais nos mercados dos países da EFTA e cria condições para o aumento dos fluxos de comércio e investimentos”, informou a Presidência da República.
O acordo prevê também o reconhecimento e a proteção de indicações geográficas, mecanismo voltado à valorização de produtos vinculados a determinadas regiões de origem.
Segundo o Planalto, as negociações entre os dois blocos foram concluídas em 2025, após dez rodadas iniciadas em 2017.
O texto foi aprovado pelo Congresso Nacional em junho deste ano e ratificado pelo governo brasileiro em julho.
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