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O que a perca de peso me ensinou sobre Liderança e Gestão de Mudanças nas Empresas

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Por: Cynthia Lemos

 

“Cynthia, precisamos de um trabalho junto aos nossos líderes e toda a equipe sobre gestão de mudanças. Estamos com um grande desafio e talvez nesse processo muitos podem não se adaptar, porém queremos por meio do seu trabalho, possibilitar a eles uma maior resiliência para enfrentarem esse período de mudanças. Você poderia nos enviar um orçamento?”, me solicitou o cliente.

Ali pegou! Após compreender a fundo sobre o que se tratava, pensei: Como vou tocar essas pessoa? Me parecia algo que iria “doer” em muitos. E como eles poderiam criar conexão comigo a ponto de saberem que eu entendia sobre aquela mudança em essência.

Final de ano, período de festas, orçamento aprovado, e eu a refletir nos vários dias sobre como seria a condução desse trabalho, de modo que fosse gerar atitudes que transformassem de forma positiva aquele ambiente.  No final do mês de janeiro, o processo iniciaria e eu precisava encontrar o “COMO” …o meio pelo qual aquelas pessoas seriam tocadas.

Primeiro de janeiro, mais um ano iniciando, olhei para o espelho, roupa apertada, incomodando, pensei: “Nossa vou ter que trocar, isso realmente está apertado!”

Ali os pontos se ligaram, estava eu a aumentar mais um número da calça, estava eu ainda com as minhas falas conformistas:

-Sou feliz assim…

-Adoro comer…

-Não faço nada que não gosto!

Encontrei o meu desafio,  bem onde estava a minha dificuldade, meu ponto de compreensão sobre a “dor” que aqueles líderes iriam enfrentar.

“Difícil heim?  Será que eu realmente vou querer mexer com isso? Suportarei?”, eram as minhas indagações. Até porque eu já havia tentando várias vezes, mas há 10 anos simplesmente desisti de emagrecer.  Tinha dito para mim mesmo que seria feliz, porque comida era sinônimo de felicidade e colocar um basta nessa crença resultaria em tristeza, dor e sofrimento.

Poxa, mexer nisso seria desafiador… será mesmo? E eu resolvi que sim! Decidi que iria encarar aquele desafio naquela empresa, e a minha experiência de mudança me ajudaria a compreender melhor a dor daqueles líderes e com isso juntos teríamos mais conexão, para que juntos pudéssemos enfrentar aquele processo e superar  todos os obstáculos que dali surgissem.

Eu fui, aliás, nós fomos! Eu compartilhei meu desafio de uma conquista difícil com eles. Um desafio de uma escolha que dependia de muita coragem, foco, persistência, decisão, disciplina, mudança de crenças…

Hoje essa empresa está no processo de mudança, vencendo muitos desafios, eu sei que sim, pois sou cliente… e eu 20 kgs a menos, roupa mais folgada, novas crenças e feliz.

Pois não há melhor sentimento que vencer a si mesmo, vencer suas crenças, vencer suas dúvidas, medos, ser amiga da mudança, amiga da inovação, de dentro para fora, de forma sustentável!

Com essa experiência escrita para compartilhar com você, apresentei para o senhor  Aldo Locatelli, empresário no ramo de postos de combustíveis,  pois ele teve a mesma iniciativa dentro de sua empresa  quando perdeu mais de 20 kilos.

“Agora eu sou o exemplo! Têm pessoas se inspirando nas minhas atitudes!”, afirmou Aldo.

Nós dois, atuando em empresas distintas pensamos na mesma atitude para gerar ações transformadoras. Com certeza uma empresa inteira levando esse exemplo para lidar com mais resiliência com os desafios do dia a dia que todos enfrentamos!

“Aldo, posso compartilhar uma foto nossa com um antes e depois? A história do meu artigo não é da sua empresa, mas você também tem usado desta conquista para inspirar outras pessoas!”, perguntei.

Ele respondeu: “Claro que sim!”

E aí está nossa foto, eu com a minha história, Aldo, um empresário que admiro muito com a história dele, ensinando pelo exemplo e aprendendo com essa experiência de se desafiar e superar-se todos os dias!

Assim deixo minha ultima mensagem: “Conquistas pessoais e profissionais tem a mesma origem.. vem de dentro pra fora!”

Compreenda isso, trabalhe-se internamente e colha resultados sustentáveis.

Grande Abraço e até a próxima!

*Cynthia Lemos é Psicóloga Empresarial e Coach na Grandy Desenvolvimento Humano. Especialista no Desenvolvimento de Líderes e Empresas tem a missão de: Expandir a Consciência e Gerar Ações Transformadoras – para pessoas e empresas que desejam evoluir em seus projetos e objetivos. 

Email: cynthia@grandy.com.br

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Saúde mental é inegociável

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O que aprendi em 10 anos liderando a pauta de saúde mental? Durante a última edição do Vittude Summit, subi ao palco diante de cerca de 1.800 pessoas e lembrei do primeiro evento que realizamos, em janeiro de 2020. Na época, a expectativa era reunir 200 participantes para discutir saúde mental no ambiente corporativo. Muitos acreditavam que ninguém apareceria: o evento recebeu 280 pessoas.

Poucos meses depois, a pandemia transformou definitivamente a forma como as empresas passaram a enxergar o tema. O que antes era tratado como assunto secundário passou a ocupar espaço nas agendas das lideranças. Em poucos anos, vimos crescer rapidamente o interesse das organizações por estratégias estruturadas de promoção da saúde mental.

Os números que não podem mais ser ignorados

Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número da série histórica e o terceiro ano consecutivo de crescimento. O dado, porém, mostra apenas parte do problema. Ele considera apenas afastamentos superiores a 15 dias, deixando de fora atestados mais curtos e um fenômeno igualmente preocupante: o presenteísmo, quando o colaborador está presente, mas não consegue desempenhar plenamente suas atividades.

No Censo de Saúde Mental da Vittude, realizado com 175 mil trabalhadores de 35 grandes corporações, identificamos uma perda média de produtividade de 32%. Em outras palavras, de cada R$ 100 investidos em folha de pagamento, cerca de R$ 32 deixam de se converter em trabalho efetivo em função do adoecimento emocional. Ou seja, são perdas financeiras e humanas.

O papel da segurança psicológica

Um dos principais achados do estudo foi a relação direta entre segurança psicológica e saúde mental. Entre os colaboradores que relataram baixos níveis de segurança psicológica, todos os indicadores analisados pioraram significativamente. A ideação suicida passou de 14,75% para 19%, enquanto a propensão ao burnout saltou de 5,94% para 21%. Já entre aqueles que percebiam altos níveis de segurança psicológica, a propensão ao burnout foi praticamente nula.

Esses dados mostram que boa parte do adoecimento está concentrada em ambientes onde as pessoas não se sentem seguras para pedir ajuda ou expressar opiniões. Por isso, saúde mental não depende apenas da oferta de benefícios. Depende, principalmente, da cultura organizacional.

A prevalência de ideação suicida entre os trabalhadores avaliados no Censo (14,75%) foi inferior à observada na população brasileira em geral (18%, segundo estudo do Instituto Cactus). Isso mostra que o trabalho pode funcionar como fator de proteção quando oferece pertencimento, reconhecimento e relações saudáveis.

O problema é que muitos ambientes ainda não oferecem essas condições. Com a atualização da NR-1 já em vigor, o gerenciamento dos riscos psicossociais passou a integrar oficialmente as responsabilidades das empresas.

O que aprendemos na prática

Ao longo desses dez anos, ficou claro que os programas de saúde mental mais efetivos compartilham uma característica: método. Não basta contratar fornecedores ou oferecer benefícios. É preciso diagnosticar riscos, definir prioridades, acompanhar indicadores, testar iniciativas e envolver a liderança de forma consistente durante todo o processo.

Foi dessa experiência que surgiu o Método VITAL — Verificar, Idealizar, Testar, Amadurecer e Liderar — desenvolvido a partir do trabalho com organizações de diferentes setores. O aprendizado é simples: iniciativas isoladas dificilmente produzem mudanças duradouras.

Promover saúde mental exige planejamento, acompanhamento contínuo e compromisso da liderança.

Em dez anos, a pauta amadureceu.

Hoje, o cenário é diferente. Líderes, profissionais de RH, médicos do trabalho e executivos passaram a discutir segurança psicológica, riscos psicossociais e saúde mental com uma frequência que parecia improvável poucos anos atrás.

A atualização da NR-1 consolida essa mudança. E depois de uma década acompanhando essa transformação, vejo que chegamos a um ponto de virada. Ainda há muito a fazer, mas, pela primeira vez em muitos anos, há uma combinação de conscientização, evidências e compromisso institucional capaz de acelerar essa mudança. E isso, sem dúvida, é motivo de esperança.

* Tatiana Pimenta CEO da Vittude



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