Opinião
Prefeito Emanuel: chega de “teatro” e ajude o Estado de MT salvar vidas
Opinião
Por: Mauro Carvalho
Esta semana, o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro, manteve a mesma postura de sempre e fez uma live para anunciar absolutamente nada no combate ao Coronavírus. Se limitou a criar uma cortina de fumaça ao atacar o Governo do Estado e no fim, como de praxe, o “teatro” estava armado.
Ao atacar o Governo de Mato Grosso e se autointitular o novo “líder” estadual do enfrentamento à covid-19 (que por si só já é uma piada pronta), o prefeito esqueceu de uma situação muito importante: ele não é exemplo de nada e muito menos um bom ator.
Em quase quatro meses de pandemia, Emanuel “líder de si mesmo” não abriu nenhum leito de UTI. Ao contrário. Remanejou UTIs de outras especialidades – deixando os pacientes a ver navios – para supostamente atender casos de covid. Não satisfeito, chegou ao cúmulo de fechar 50 dessas UTIs remanejadas mesmo após receber dinheiro do Ministério da Saúde para mantê-las em atividade.
Enquanto Emanuel desperdiçava seu tempo na live atacando o Estado, por quase uma hora, nós estávamos há mais de três horas com os Ministérios Públicos Estadual, Federal e do Trabalho e o Secretário de Saúde de Cuiabá, reunidos para discutir como melhorar, ampliar leitos e salvar vidas na nossa Capital. E, principalmente, definindo estratégias para auxiliar o município a conseguir respiradores e monitores.
Afinal, nesta semana, um dos diretores do Pronto-Socorro Municipal revelou a fraude dos respiradores de Cuiabá em que acontece o corre-corre toda vez que uma fiscalização bate em uma das unidades ligadas à Prefeitura de Cuiabá, ocasião em que tentam simular o funcionamento de UTIs que não dispõem nem de respiradores, tampouco de corpo clínico.
Apesar da represália da Prefeitura contra esse diretor, que o exonerou de uma de suas funções no Hospital Municipal a título de retaliação, a verdade foi revelada e não teve nada de “politicagem” nisso.
Emanuel Pinheiro, quem quer ser líder precisa dar o exemplo. E que exemplo o senhor deu?
Seria um bom exemplo de gestão, em plena pandemia, excluir 50 leitos de UTIs para Covid-19? Outro exemplo de gestão seria a contratação de drones por R$ 850 mil para serem utilizados em condomínios particulares?
Ou melhor, a contratação de uma TV por R$ 539 mil para transmitir aulas?
Ou a compra de testes rápidos para Coronavírus de uma empresa cadastrada como ‘Sex Shop’?
O que temos de exemplo são os inúmeros desastres consecutivos por parte da Prefeitura de Cuiabá nas ações da Saúde conduzidas nos últimos três anos.
Quando questionado sobre os motivos pelos quais não ampliou leitos, o prefeito repete o mesmo discurso: “o Governo de Mato Grosso só faz politicagem e ataca a Prefeitura porque esse é ano de eleição”. Vamos aos fatos Emanuel, vamos nos ater aos fatos.
Todo mundo conhece o calendário eleitoral. Na última semana foi encerrado o prazo para desincompatibilização dos ocupantes de cargos públicos que querem ou almejam disputar o cargo de prefeito ou vereador. Sabe quantas pessoas do governo que pretendem disputar o cargo deixaram a função? NENHUMA.
Nenhuma das pessoas que são cogitadas, como eu, os secretários de Saúde, Gilberto Figueiredo, de Infraestrutura, Marcelo de Oliveira, e de Fazenda, Rogério Gallo, deixamos a função, porque cumprimos a missão de Deus que é ajudar ao próximo.
Nossa preocupação nesse momento de pandemia é salvar vidas ao lado do nosso governador Mauro Mendes. Nós não pensamos duas vezes, e decidimos deixar projetos pessoais de lado porque a saúde está em primeiro lugar. O momento não é de política partidária e sim de ajudar os Municípios e a população.
Assim prefeito, resta bem claro que no Governo de Mato Grosso não se faz “politicalha”, não há ninguém interessado no processo eleitoral nesse momento. Porque agora precisamos cuidar das pessoas e aumentar o número de leitos de UTIs e investir o recurso recebido do Governo Federal. O que, lembramos, não aconteceu na Prefeitura, já que secretários municipais da “gestão humanizada” não pensaram duas vezes ao se desincompatibilizarem, pensando no processo eleitoral de outubro próximo.
Enquanto a Prefeitura continua priorizando a reeleição e o projeto de manutenção do poder, nós construímos 210 leitos definitivos e em tempo recorde. E já estão em funcionamento no Hospital Metropolitano. Abrimos mais 50 leitos novos de UTIs no Hospital Estadual Santa Casa e outros 10 em Sinop. Contratamos leitos em Rondonópolis e Cáceres e estamos ampliando e contratualizando novos leitos de UTIs em Tangará da Serra e Barra do Graças.
E fechamos um acordo com o Consórcio do Vale do Teles Pires para abrir mais 39 novas UTIs nas cidades de Sorriso, Sinop e Nova Mutum. Além disso, estamos trabalhando no projeto para ampliar leitos na região do Araguaia. Tudo em parceria e com bastante diálogo com os prefeitos. É assim que trabalhamos. Com fatos concretos, sem mentiras, colaborando com quem quer o bem da população.
Agora eu lhe pergunto prefeito: o que o senhor fez com os R$ 42 milhões que recebeu do Ministério da Saúde para ampliar a rede e tratar os pacientes com Covid-19? Nos mostre, mostre para a população. Pare de criar cortina de fumaça, pare de atacar o Governo, só pare e mostre.
O que quero deixar muito claro a todos é que a gestão do governador Mauro Mendes não é política, ela é feita para a população. Sabemos da importância do diálogo, por isso, sempre sentamos à mesa com todas as siglas partidárias e Prefeitos. E nessa mesa, nunca retiramos a cadeira da Prefeitura de Cuiabá.
Por isso, senhor Emanuel Pinheiro, sua cadeira continua vazia na nossa mesa de diálogo, porque o senhor prefere derramar inverdades contra o Governo em lives do que sentar à mesa e dialogar de forma franca. Tenha humildade! E você está convidado para o campo do debate em prol da população, da construção de uma política de saúde, aonde a regra deste debate é a transparência e a ética. Faça como os demais Prefeitos, que agora formam uma unidade pela saúde do Estado. Que Deus abençoe todos nós mato-grossenses.
*Mauro Carvalho – Secretário Chefe da Casa Civil
Opinião
O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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