Agricultura
Exportações do agro crescem 18,9% e geram superávit de R$ 350 bilhões em outubro
Agricultura
O agronegócio brasileiro manteve o ritmo de crescimento das exportações em outubro e contribuiu para ampliar o saldo positivo da balança comercial do País. Até a quarta semana do mês, as vendas externas da agropecuária registraram aumento de 18,9% na média diária em relação a outubro de 2025. No acumulado de janeiro até o período analisado, o Brasil alcançou superávit comercial de aproximadamente R$ 350 bilhões, resultado da diferença entre exportações e importações de todos os setores da economia.
Os números foram divulgados nesta segunda-feira (26.10) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A conversão dos valores para reais considera o dólar próximo de R$ 5,00, referência anterior à forte oscilação cambial registrada após as eleições.
Somente em outubro, até a quarta semana, o Brasil exportou o equivalente a R$ 146,6 bilhões e importou R$ 109,5 bilhões, deixando saldo positivo de aproximadamente R$ 37 bilhões. A corrente de comércio, que corresponde à soma das vendas e compras externas, alcançou R$ 255,9 bilhões.
O desempenho da agropecuária se destaca pelo crescimento das vendas em um período de forte movimentação do comércio internacional. Segundo a Secex, o aumento de 18,9% representou acréscimo equivalente a R$ 290 milhões por dia nas exportações do setor, em comparação com a média diária de outubro do ano passado.
O resultado reforça a importância da produção rural para a geração de receitas externas, embora os dados divulgados ainda não permitam identificar quais produtos agrícolas responderam pela maior parcela do crescimento. O levantamento apresentado pela Secex reúne os resultados por grandes setores da economia, sem detalhar, nesse recorte, a participação individual de soja, milho, café, carnes e outros produtos.
A expansão não ficou restrita ao campo. A indústria extrativa registrou crescimento de 55,9% na média diária das exportações, enquanto a indústria de transformação avançou 18,4%. Considerados todos os setores, as vendas brasileiras ao exterior cresceram 27,9% na comparação com outubro de 2025.
A média diária exportada pelo País passou do equivalente a R$ 7,16 bilhões, em outubro do ano passado, para R$ 9,16 bilhões na parcial deste mês. O crescimento indica maior movimentação comercial, mas não significa necessariamente aumento proporcional dos volumes embarcados, já que os valores também são influenciados pelas cotações internacionais das mercadorias.
As importações brasileiras também cresceram. A média diária avançou 21,1%, chegando ao equivalente a R$ 6,83 bilhões. Na agropecuária, as compras externas aumentaram 24,4%, embora sobre uma base significativamente menor que a das exportações.
Para o produtor rural, o crescimento das vendas externas representa um sinal positivo de demanda pelos produtos brasileiros. A manutenção desse desempenho, entretanto, depende de fatores como competitividade, condições de acesso aos mercados internacionais, infraestrutura de transporte e custos de produção.
O comportamento do câmbio também merece atenção. A recente valorização do dólar tende a aumentar a receita em reais das exportações, mas pode encarecer fertilizantes, defensivos e equipamentos importados. Assim, o resultado positivo do comércio exterior não se traduz automaticamente em maior rentabilidade para todas as atividades agrícolas.
Na quarta semana de outubro, considerada isoladamente, o Brasil registrou exportações equivalentes a R$ 42,5 bilhões e importações de R$ 34 bilhões, com superávit de aproximadamente R$ 8,5 bilhões.
No acumulado de 2026, as vendas externas brasileiras chegaram ao equivalente a R$ 1,57 trilhão, enquanto as importações somaram R$ 1,22 trilhão. A corrente de comércio alcançou aproximadamente R$ 2,79 trilhões.
O avanço das exportações agropecuárias confirma a contribuição do campo para o desempenho comercial brasileiro. O desafio, daqui para frente, será transformar o crescimento das vendas internacionais em melhores margens para o produtor, especialmente diante das oscilações cambiais e dos custos necessários para sustentar a produção nas próximas safras.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Dólar dispara após eleições, favorece exportações e encarece produção no campo
A disparada do dólar após o segundo turno das eleições alterou, em poucas horas, as condições de comercialização e os custos de produção do agronegócio brasileiro. A moeda norte-americana saltou de aproximadamente R$ 4,99 na sexta-feira (23.10) para R$ 5,40 na segunda-feira (26), uma valorização de 8,21% em um único pregão. O movimento favorece produtores e empresas que exportam café, soja, milho, carnes, açúcar e algodão, mas também ameaça encarecer fertilizantes, defensivos, máquinas e outros insumos importados, justamente quando parte do País está em pleno plantio da safra 2026/27.
A reação do mercado financeiro ao resultado eleitoral foi imediata. Durante as negociações de segunda-feira, o dólar chegou a R$ 5,60, antes de perder parte da força e encerrar o dia em R$ 5,403. Foi a maior alta percentual diária da moeda desde janeiro de 1999. Na terça-feira (27), houve uma correção de 0,97%, com fechamento próximo de R$ 5,35. Mesmo depois desse recuo, a cotação permanecia cerca de 7% acima do nível registrado antes da votação.
A oscilação reflete o reposicionamento dos investidores diante das expectativas para a política econômica, especialmente em relação às contas públicas, à inflação e aos juros. A Bolsa brasileira também sentiu o impacto, com queda de 13,88% na segunda-feira. O movimento cambial, entretanto, não depende apenas do cenário nacional: as decisões sobre juros nos Estados Unidos e o comportamento dos mercados internacionais também influenciam a entrada e a saída de dólares do Brasil.
Para os próximos dias, a expectativa é de continuidade da volatilidade. Investidores aguardam sinais sobre a condução da política fiscal e acompanham a decisão do Federal Reserve, o banco central norte-americano, sobre os juros. Entre os cenários considerados por instituições financeiras está a possibilidade de o dólar voltar à faixa de R$ 5,50 caso persistam as incertezas. Projeções mais pessimistas admitem valores próximos de R$ 6, mas não representam uma trajetória definida para a moeda.
No campo, a primeira consequência aparece na conversão das receitas de exportação. Uma venda de US$ 100 mil, por exemplo, representava aproximadamente R$ 499 mil com o dólar a R$ 4,99. Na cotação de R$ 5,40, a mesma operação passa a equivaler a R$ 540 mil, diferença de R$ 41 mil, sem qualquer alteração no preço internacional da mercadoria. Esse ganho cambial, porém, não significa necessariamente aumento equivalente no lucro, porque despesas e contratos também podem estar vinculados à moeda estrangeira.
O café é um dos exemplos mais imediatos. Segundo análise divulgada nesta quarta-feira (28.10) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), a valorização do dólar tem sustentado os preços do arábica e do robusta no mercado brasileiro, apesar das perdas nas bolsas internacionais.
Na terça-feira, o indicador do café arábica encerrou em R$ 1.610,19 por saca de 60 quilos, enquanto o robusta alcançou R$ 967,97. Na comparação com a sexta-feira anterior às eleições, o arábica acumulou pequena valorização, de aproximadamente 0,5%, enquanto o robusta subiu cerca de 3,3%. Os resultados mostram que o câmbio ajudou a compensar a pressão negativa do mercado externo, mas não transferiu integralmente sua valorização aos preços recebidos pelos produtores.
O comportamento internacional do café continua condicionado às condições climáticas nas regiões produtoras e à perspectiva de recuperação dos estoques na Bolsa de Nova York. No Brasil, a safra 2027/28 está na fase de pegamento e desenvolvimento dos chumbinhos. Como o próximo ciclo será de bienalidade baixa para o arábica, eventuais problemas climáticos podem ampliar as oscilações dos preços.
Na soja, a reação foi mais evidente. O indicador Cepea/Esalq no Paraná passou de R$ 146,69 por saca na sexta-feira para R$ 149,18 na segunda-feira e R$ 151,38 na terça-feira, uma valorização acumulada de aproximadamente 3,2% em dois pregões. Em Paranaguá, a cotação chegou a R$ 157,41 por saca. A alta favorece principalmente quem ainda possui produto disponível para comercialização e não comprometeu antecipadamente toda a produção.
A valorização da moeda norte-americana também melhora a receita em reais das exportações de milho, algodão, açúcar, etanol e carnes. Para frigoríficos, usinas e tradings, o efeito depende dos contratos firmados e da parcela das vendas destinada ao mercado externo. No caso do produtor de boi gordo, o benefício não é automático, porque o preço da arroba continua condicionado à oferta de animais, às escalas de abate e à demanda interna.
A cadeia de aves e suínos enfrenta uma situação semelhante. O dólar mais alto favorece as receitas das exportações de carne de frango e suína, mas também pode pressionar os custos de alimentação dos animais, especialmente quando soja e milho se valorizam no mercado doméstico. Assim, um movimento positivo para a indústria exportadora nem sempre se traduz em ganho proporcional para todos os produtores integrados.
O principal risco está na compra dos insumos agrícolas. O Brasil depende fortemente do mercado internacional para o abastecimento de fertilizantes, e a alta cambial tende a elevar o preço em reais de produtos como cloreto de potássio, fosfatados e nitrogenados. Defensivos, componentes de máquinas e equipamentos importados também ficam mais caros quando os fornecedores repassam a variação da moeda.
Para dimensionar esse efeito, uma compra de fertilizantes de US$ 50 mil custaria R$ 249,5 mil com o dólar a R$ 4,99. Na cotação de R$ 5,40, o desembolso subiria para R$ 270 mil, diferença de R$ 20,5 mil. Trata-se de uma simulação cambial, sem considerar alterações nos preços internacionais, fretes ou impostos, mas que demonstra a pressão sobre o orçamento da propriedade.
O momento exige atenção especial dos produtores de soja e milho que estão plantando a safra 2026/27 e daqueles que já negociam insumos para o ciclo seguinte. Quem comprou antecipadamente parte dos fertilizantes e defensivos fica menos exposto à oscilação imediata. Já quem ainda precisa fechar contratos enfrenta maior incerteza sobre o custo final da lavoura.
O trigo e outros produtos voltados principalmente ao abastecimento interno também podem sentir efeitos indiretos. Um dólar valorizado tende a encarecer mercadorias importadas, mas pode melhorar a competitividade da produção nacional diante dos concorrentes estrangeiros. Por outro lado, a alta de combustíveis, peças e insumos pressiona os custos de produção e transporte, independentemente de o agricultor exportar ou não.
Há ainda reflexos sobre o crédito rural. Uma desvalorização persistente do real pode aumentar as expectativas de inflação e dificultar a redução dos juros, encarecendo o financiamento da produção e os investimentos em máquinas, armazenagem e infraestrutura. Produtores com dívidas ou compromissos diretamente vinculados ao dólar enfrentam uma pressão adicional, pois o valor dessas obrigações aumenta quando convertido para reais.
A intensidade dos efeitos dependerá da duração da alta cambial. Se o dólar recuar nos próximos pregões, parte da pressão sobre os custos poderá diminuir antes de chegar aos preços finais dos insumos. Se permanecer elevado, a tendência é de maior impacto sobre o planejamento das próximas safras, especialmente nas propriedades que ainda não concluíram suas compras.
Para o agronegócio brasileiro, portanto, a valorização do dólar representa uma oportunidade comercial acompanhada de riscos financeiros. O mesmo câmbio que aumenta a receita das exportações pode consumir parte desse ganho no custo de produzir. A diferença estará no momento da comercialização, nos contratos já assumidos e na capacidade de cada produtor de preservar sua margem diante das novas condições do mercado.
Fonte: Pensar Agro
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