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Escola Municipal de Artes recebe 4º Encontro de Mulheres Negras e fortalece debate sobre direitos e representatividade

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A Prefeitura de Sinop, por meio da Escola Municipal de Artes (EMA), vinculada à Secretaria de Cultura, Esporte e Turismo, sediou no último sábado (18) o 4º Encontro de Mulheres Negras em Sinop. O evento reuniu representantes de diversas regiões de Mato Grosso para promover reflexões sobre a Marcha Nacional das Mulheres Negras, realizada em novembro de 2025, em Brasília, além de discutir avanços, desafios e estratégias para fortalecer a atuação do movimento.

A mobilização é realizada em diferentes municípios mato-grossenses e, em Sinop, o encontro foi planejado para o mês de julho, período em que são celebrados o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra e o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, ambos comemorados em 25 de julho. A programação incluiu rodas de conversa voltadas à avaliação da última marcha nacional e à construção de propostas para ampliar a participação e a defesa dos direitos das mulheres negras.

A programação foi organizada pelo Instituto de Negras e Afros de Sinop (INEGRAFOS), presidido por Zeneide Pereira, liderança do movimento negro no município e uma das responsáveis pela mobilização das participantes da Marcha Nacional das Mulheres Negras na região Centro-Oeste. A mobilizadora explicou sobre a escolha da data do encontro. “Julho é o mês da mulher negra latino-americana e caribenha. Também no dia 25 de julho, comemoramos Tereza de Benguela, que é uma mártir da revolução no nosso estado de Mato Grosso. Nós escolhemos realizar o pós-encontro da Marcha Nacional neste mês devido a essa data comemorativa, que é alusiva a essa mulher que fez parte da nossa história do Mato Grosso”, afirmou.

Zeneide Pereira também pontuou que o objetivo do encontro foi reunir as participantes para avaliar os resultados da mobilização nacional e fortalecer o movimento em Mato Grosso. “A Marcha Nacional das Mulheres Negras aconteceu em novembro, em Brasília. E, no pós-marcha, nós estamos fazendo nos municípios esse reencontro, para que a gente possa fazer um levantamento do que foi a Marcha Nacional. Sinop é polo desse encontro e recebemos algumas convidadas de outros municípios, para que a gente possa debater e avaliar o que foi a Marcha Nacional de Mulheres Negras”, explicou.

A psicóloga Cláudia Oliveira, representante de Cuiabá, ressaltou que o encontro também representa um espaço para discutir temas relacionados à saúde mental das mulheres negras e às diversas formas de violência e discriminação enfrentadas por esse público. “A participação das mulheres é extremamente importante, principalmente quando falamos de saúde mental das mulheres negras. É extremamente importante que as pessoas comecem a perceber o quanto é importante continuar falando de negritude e continuar falando das dificuldades, porque nós somos as maiores estatísticas, nós estamos entre os maiores números e o sofrimento mental da mulher preta é muito invisibilizado. Precisamos falar para tirar esse estigma, desmistificar tudo isso e trazer essa realidade para dentro desse contexto”, afirmou.

A representante também destacou que o debate envolve diferentes formas de violência e desigualdade. “No contexto da saúde mental, falamos muito do racismo, do machismo, do preconceito, do sexismo e de todas as outras formas de opressão, principalmente da violência patrimonial e dos demais tipos de violência. A mulher preta, por ela ser preta, já enfrenta um marcador social e, por isso, é acometida por diversas formas de opressão e violência”, disse.

A professora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e representante do Ministério das Mulheres, Josiane Oliveira, destacou a importância da organização das mulheres negras para ampliar a conquista de direitos e fortalecer políticas públicas voltadas à equidade. “Eu espero que as mulheres negras cada vez mais possam estar se organizando aqui no estado, reivindicando seus direitos e lutando por um Mato Grosso cada vez mais inclusivo, com mais equidade e com um lugar de bem viver para todas as mulheres, especialmente as mulheres negras aqui no estado”, afirmou.

O 4º Encontro de Mulheres Negras buscou fortalecer o debate sobre direitos, equidade e inclusão, além de ampliar a articulação entre lideranças, instituições e representantes da sociedade civil na construção de políticas públicas voltadas às mulheres negras e ao enfrentamento das desigualdades.



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Modelo do Pix desafia controle financeiro dos EUA sobre o Brasil

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O Pix brasileiro virou um dos alvos do governo dos Estados Unidos (EUA), entre outros motivos, por desafiar o controle financeiro de Washington sobre a infraestrutura brasileira de pagamentos eletrônicos. A avaliação é de especialistas em economia e relações internacionais consultados pela Agência Brasil.

A razão do governo de Donald Trump para incluir o Pix entre as justificativas para o tarifaço de 25% seria, em primeiro lugar, geopolítica, e não estritamente econômica motivada pela concorrência com empresas dos EUA como Visa, MasterCard ou Whatsapp Pay.

O professor de economia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) Maicon Cláudio da Silva destaca que o ataque ao Pix tem relação direta com a perda de poder e controle dos EUA sobre o sistema financeiro do Brasil.

“Esse tipo de medida deixa evidente que os EUA não querem perder esse poder que eles têm hoje sobre o sistema financeiro em boa parte do mundo. Não à toa, a China não usa Visa e Mastercard. Ela tem sistemas próprios, e isso tem a ver com uma maior soberania e autonomia desse país”, disse.


20/07/2026 - O professor de economia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Maicon Cláudio da Silva.  Foto UFRRJ/ Divulgação
20/07/2026 - O professor de economia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Maicon Cláudio da Silva.  Foto UFRRJ/ Divulgação

Professor de economia da UFRRJ, Maicon Cláudio da Silva diz que ataque ao Pix tem relação direta com perda de poder dos EUA sobre sistema financeiro do Brasil – Foto: UFRRJ/ Divulgação

Silva lembrou que o Pix aumentou a bancarização da população brasileira, trazendo ganhos econômicos também para as empresas dos EUA.

“Movimentos econômicos que antes ocorriam só no dinheiro passaram a ocorrer via sistema financeiro, através do Pix. Isso facilita o acesso das pessoas a contas bancárias e, eventualmente, também a cartão de crédito”, explicou.

Em 2025, os cartões movimentaram R$ 4,5 trilhões na esteira da expansão do Pix. Um crescimento de 10,1%, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs).

Perdas econômicas imediatas

Como os EUA têm superávit comercial com o Brasil, o tarifaço tende a prejudicar mais as empresas americanas, observou o professor da UFRRJ. Nesse contexto, os interesses econômicos imediatos são deixados de lado.

“Do ponto de vista imediato, essas taxas acabam prejudicando mais os EUA. Por isso, essa é uma política econômica internacional focada em exercer poder por meio das sanções e tarifaços de maneira a pressionar os países a se submeterem aos EUA”, finalizou.

Pix como instrumento de poder

O professor de geopolítica da Escola Superior de Guerra (ESG) Ronaldo Carmona destacou que o Pix se tornou um instrumento de poder do Brasil, ampliando a soberania econômica e financeira do país.


20/07/2026 - O professor de geopolítica da Escola Superior de Guerra (ESG), Ronaldo Carmona. Foto: Sindicato dos Bancários da Bahia/ Divulgação
20/07/2026 - O professor de geopolítica da Escola Superior de Guerra (ESG), Ronaldo Carmona. Foto: Sindicato dos Bancários da Bahia/ Divulgação

Professor de geopolítica da Escola Superior de Guerra (ESG), Ronaldo Carmon fiz que Pix se tornou instrumento de poder do Brasil – Foto: Sindicato dos Bancários da Bahia

“Ao aumentar a autonomia e a soberania do país, o Brasil promove o comércio exterior bilateral com outros países em moedas nacionais, fugindo da arbitragem e da senhoriagem [receita oriundo da emissão de moeda] do dólar”, comentou.

Carmona citou ainda o fato de o Banco Central ter acordos de cooperação técnica com 47 países para implementação de sistemas semelhantes ao Pix em outras nações, o que pode fragilizar ainda mais o controle de Washington sobre as transações financeiras em outras partes do mundo.

O Pix barra sanções

Sistemas de pagamentos nacionais, como o Pix, limitam a aplicação de sanções econômicas dos EUA contra instituições e indivíduos, “diferentemente do que ocorre com sistemas americanos”, explicou Ronaldo Carmona.

Isso porque os sistemas de pagamento com sede nos EUA costumam cumprir todas as sanções da Casa Branca.

Maicon Cláudio da Silva, professor de economia da UFRRJ, citou as sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o bloqueio a Cuba como casos em que Washington projeta poder sobre países soberanos por meio de bloqueios financeiros.

“O avanço do bloqueio econômico dos EUA contra Cuba acabou levando a Visa e a Mastercard a deixar de operar na ilha. Ao controlar os meios de pagamento, os EUA podem, a qualquer momento, tomar algum tipo de sanção econômica contra países ou indivíduos”, explicou.

Europa busca soberania financeira

Em artigo publicado dias antes do anúncio do tarifaço contra o Brasil, a revista inglesa The Economist afirma que o Pix brasileiro, assim como outras iniciativas da União Europeia (UE), tem ameaçado a “supremacia” financeira dos EUA.

“A ascensão de sistemas ‘soberanos’, especialmente na Europa – uma grande fonte dos negócios internacionais da Visa e da Mastercard –, poderia corroer suas invejáveis margens operacionais de mais de 50%”, diz a revista especializada em finanças globais.

Recentemente, a UE anunciou o Euro Digital, sistema de pagamentos eletrônicos semelhante ao Pix, de acesso gratuito e público, com previsão de lançamento do projeto-piloto em 2027.

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, não escondeu que o objetivo é reduzir a dependência dos sistemas estrangeiros.

“Dependemos predominantemente das redes americanas, mas também, por vezes, das chinesas, para organizar os pagamentos. Precisamos de uma solução europeia porque queremos ser soberanos internamente”, afirmou ao portal Euronews.



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