Agricultura
Agro exporta R$ 101 bilhões e reforça investimentos em infraestrutura
Agricultura
O agronegócio consolidou-se como o motor da balança comercial mineira ao fechar 2025 com uma receita de R$ 101 bilhões em exportações, o equivalente a 43% de todo o valor exportado pelo estado. O dado foi um dos destaques apresentados pelo secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Thales Fernandes, durante a edição desta quarta-feira (17/6) do programa Assembleia Fiscaliza, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
O balanço das ações da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) revelou uma estratégia focada na descentralização e no suporte direto à agricultura familiar. No quesito regularização fundiária, o programa estadual atingiu a marca de 3.341 títulos de propriedade rural emitidos apenas entre janeiro e meados de junho de 2026. Desde 2019, o projeto regularizou 15.618 imóveis, garantindo segurança jurídica para que pequenos produtores possam acessar linhas de crédito e investir no aumento da produtividade.
Tecnologia e Infraestrutura
A política de fomento à produtividade também se traduz em números no campo: o programa Irriga Minas entregou 2.559 kits de irrigação no primeiro semestre de 2026. A iniciativa, que visa mitigar os efeitos da irregularidade climática para pequenos agricultores, já alcançou 16.456 famílias desde 2019, com a meta de atingir 20 mil unidades até o fim deste ano.
No campo da infraestrutura pesada, o governo mineiro concentrou recursos em projetos estratégicos para a segurança hídrica, como a construção de três barragens no Projeto Fanado, obras de macrodrenagem e a recuperação do canal principal do Projeto Jaíba, no Norte do estado. O suporte aos municípios também foi intensificado: entre 2020 e 2025, foram firmados 549 convênios, somando R$ 326 milhões em investimentos, além da doação de 306 máquinas agrícolas a prefeituras, viabilizadas por emendas parlamentares e pelo acordo de reparação do Rio Doce.
Fortalecimento do Sistema Agricultura
A estrutura de assistência técnica e pesquisa do estado passou por um ciclo de fortalecimento. O Sistema Agricultura, que engloba a Emater-MG, a Epamig e o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), registrou um aumento expressivo no aporte de recursos.
A Epamig, pilar da inovação no campo mineiro, viu seu orçamento para pesquisa saltar de R$ 22,6 milhões em 2019 para R$ 158,1 milhões em 2025. O reforço no quadro de pessoal também foi priorizado: a Emater-MG recebeu mais de 660 novos profissionais no período, enquanto o IMA, responsável pela sanidade agropecuária, concluiu a contratação de 183 servidores via concurso e investiu quase R$ 60 milhões em modernização, reformas e renovação de frota.
Para o secretário Thales Fernandes, o balanço reflete um modelo de gestão baseado no diálogo contínuo. “Ouvir os produtores rurais, que enfrentam os desafios reais do campo, e o parlamento é fundamental para que nossas políticas ganhem eficiência e capilaridade”, afirmou o gestor durante a audiência.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Trigo sobe com safra 27% menor e qualidade ameaçada pelas chuvas
Os preços do trigo voltaram a subir no Brasil diante da perspectiva de uma safra menor e da dificuldade para encontrar grãos com qualidade adequada à fabricação de farinha. Com a colheita em andamento, lotes de padrão inferior começaram a aparecer no Paraná e em São Paulo, enquanto moinhos disputam a parcela da produção que atende às exigências da panificação.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o País colherá 5,74 milhões de toneladas na safra 2025/26, redução de 27,1% em relação ao ciclo anterior. A área cultivada encolheu 21,2%, reflexo da baixa rentabilidade enfrentada pelos produtores e do receio de novas perdas climáticas.
A diminuição da área já indicava uma oferta mais restrita. O excesso de chuva, a umidade elevada e o avanço de doenças nas lavouras acrescentaram um segundo problema: além de colher menos, o Brasil pode obter uma proporção menor de trigo próprio para a produção de farinha de melhor qualidade.
Levantamento divulgado nesta terça-feira (22) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostra que os compradores estão mais atentos ao padrão dos lotes oferecidos. No Paraná e em São Paulo, já foram registrados grãos dos tipos 2 e 3 e menor disponibilidade de trigo tipo 1.
A classificação considera fatores como presença de impurezas, grãos danificados e peso hectolítrico, conhecido pela sigla PH. O indicador mede o peso do cereal em determinado volume e ajuda a avaliar o rendimento industrial. Em geral, quanto menor o PH, menor tende a ser a quantidade de farinha obtida pelo moinho.
As chuvas próximas da maturação também podem reduzir a força do glúten e o Falling Number, ou número de queda. A força do glúten interfere na elasticidade e na capacidade da massa de reter os gases da fermentação. Já o Falling Number identifica alterações provocadas principalmente pela germinação do grão ainda na espiga. Quando esses índices recuam, o trigo pode perder valor para a panificação e ser destinado a produtos menos exigentes ou à alimentação animal.
O problema cria um mercado dividido. O trigo de qualidade inferior enfrenta descontos e maior resistência dos compradores. Já os lotes de padrão superior tendem a receber preços mais firmes, principalmente nas regiões próximas aos moinhos.
No Rio Grande do Sul, referências ao produtor chegaram a R$ 71 por saca em algumas regiões em setembro. No Paraná, negócios envolvendo trigo destinado à panificação passaram a indicar valores entre R$ 1.550 e R$ 1.600 por tonelada, dependendo da qualidade, da localização e das condições de entrega.
A valorização, portanto, não beneficia todos os agricultores da mesma maneira. O produtor que conseguir entregar trigo com bom PH, força de glúten e número de queda poderá encontrar maior procura. Quem colher lotes danificados pela umidade corre o risco de receber descontos capazes de anular parte ou toda a alta observada no mercado.
A menor produção também aumentará a dependência brasileira do cereal estrangeiro. A Conab estima importações de 7,06 milhões de toneladas, volume superior a toda a safra nacional prevista. Isso significa que mais da metade do trigo necessário ao abastecimento brasileiro deverá vir de outros países.
A Argentina continuará como a principal fornecedora, favorecida pela proximidade e pela ausência de tarifa dentro do Mercosul. O custo efetivo das compras, porém, dependerá da safra argentina, da disponibilidade de trigo de qualidade, do transporte e da cotação da moeda brasileira.
Para os moinhos, a dificuldade não está apenas em completar o volume necessário, mas em obter trigo com características compatíveis com cada tipo de farinha. Produtos de qualidade diferente podem ser misturados para alcançar o padrão industrial desejado, mas esse processo aumenta a necessidade de controle, armazenamento separado e planejamento das compras.
O consumidor ainda não deve sentir um repasse imediato e uniforme nos preços do pão, das massas e dos biscoitos. O trigo representa apenas parte dos custos dessas mercadorias, que incluem moagem, energia, embalagem, transporte, mão de obra e margens comerciais. Uma alta persistente da matéria-prima e das importações, contudo, poderá pressionar os preços nos próximos meses.
Para o produtor, os cuidados nesta fase concentram-se no acompanhamento da maturação, no controle de doenças e na realização da colheita assim que a lavoura atingir as condições adequadas. Também será decisivo separar e classificar os lotes, evitando que uma parcela de qualidade inferior reduza o valor de toda a produção.
A safra menor sustenta as cotações, mas a qualidade definirá quem conseguirá aproveitar esse movimento. Em 2026, produzir trigo não será suficiente: o prêmio ficará com quem conseguir entregar o grão exigido pela indústria.
Fonte: Pensar Agro
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