Agricultura
Crédito ao agro pode atingir R$ 652 bilhões, mas esbarra em limites fiscais
Agricultura
As negociações para o Plano Safra 2026/27 avançam em meio a discussões sobre o espaço fiscal disponível para subsidiar o crédito rural. A proposta em análise pelo governo prevê ampliar em cerca de 10% os recursos destinados ao financiamento da agropecuária, elevando o montante total para R$ 652 bilhões, além de reduzir em até dois pontos percentuais as taxas de juros para médios e grandes produtores.
Os números ainda estão em discussão entre os ministérios da Agricultura, da Fazenda e do Desenvolvimento Agrário e podem sofrer alterações antes do anúncio oficial, previsto para o início de julho. A principal incógnita é a capacidade do Tesouro Nacional de suportar os custos da equalização dos juros em um cenário de restrições orçamentárias.
Na safra atual, foram disponibilizados R$ 594,4 bilhões para pequenos, médios e grandes produtores. Desse total, R$ 516,2 bilhões foram destinados à agricultura empresarial. A proposta em análise é elevar esse montante para perto de R$ 570 bilhões na temporada 2026/27.
A discussão sobre os juros é considerada o ponto mais sensível das negociações. Caso a proposta seja integralmente atendida, as taxas para médios e grandes produtores poderão cair para cerca de 8% ao ano nas operações de custeio e para até 6,5% em algumas linhas de investimento. Na safra 2025/26, as taxas variaram entre 10% e 14% nas linhas de custeio da agricultura empresarial.
A possibilidade de redução das taxas depende do início do ciclo de queda da Selic e do espaço fiscal disponível para a equalização dos juros. O mecanismo é utilizado pelo governo para cobrir a diferença entre o custo de captação das instituições financeiras e a taxa efetivamente paga pelos produtores.
Outra frente das negociações envolve os limites para os spreads bancários. A equipe econômica decidiu manter tetos para o custo administrativo e tributário cobrado pelas instituições financeiras nas operações com recursos equalizados. A medida busca evitar aumento excessivo do custo final do crédito e reduzir a pressão sobre os gastos públicos com subsídios.
No custeio empresarial, por exemplo, o limite para o spread foi fixado em 4,7% ao ano. Quanto maior esse percentual, maior tende a ser o desembolso da União para sustentar as taxas subsidiadas.
A estratégia ocorre em um momento em que instrumentos privados de financiamento ganham espaço no campo. Entre julho de 2025 e maio de 2026, as operações realizadas por meio de Cédulas de Produto Rural (CPRs) e recursos livres movimentaram cerca de R$ 170 bilhões. Os títulos privados passaram a integrar os números do Plano Safra recentemente e vêm compensando parte da retração observada nas linhas tradicionais de crédito.
Na agricultura familiar, a expectativa é de manutenção das taxas de juros entre 2% e 6% ao ano. O volume de recursos para o segmento poderá chegar a R$ 82 bilhões, alta de cerca de 5% em relação aos R$ 78,2 bilhões disponibilizados na temporada atual.
Os desembolsos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) indicam forte demanda pelos recursos. Até maio, os produtores familiares haviam contratado R$ 60,9 bilhões, o equivalente a quase 80% do total disponível para a safra em curso.
A definição do Plano Safra 2026/27 ocorre em um ambiente de custos financeiros ainda elevados e de crescente demanda por recursos para sustentar a expansão da produção agrícola. O desafio do governo será ampliar a oferta de crédito e, ao mesmo tempo, preservar o equilíbrio das contas públicas em um cenário de restrições fiscais.
A expectativa é que os números finais sejam anunciados no início de julho, quando também deverão ser definidos os volumes de recursos e as taxas de juros para a agricultura empresarial e para os programas voltados à agricultura familiar.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Safra 26/27 deve começar sob excesso de chuva no Sul e seca no Centro-Oeste
O plantio da safra de verão 2026/27 deverá começar sob riscos climáticos opostos: excesso de chuva no Sul e perda de umidade no solo no Centro-Oeste. Enquanto a chuva acima da média ameaça aumentar a pressão de doenças sobre o trigo no Sul, a redução da umidade do solo poderá dificultar a implantação da soja no Centro-Oeste. Temperaturas mais elevadas também são previstas para praticamente todo o País.
O cenário consta do Boletim Agroclimatológico do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), elaborado para o trimestre de julho a setembro. O período é decisivo porque combina o desenvolvimento das culturas de inverno, a conclusão da colheita do milho e do algodão e a preparação de aproximadamente 49 milhões de hectares para o plantio da próxima safra de soja.
A preocupação aumenta com o fortalecimento do El Niño. O fenômeno já está ativo no Oceano Pacífico e deverá ganhar intensidade até o fim do ano, segundo o centro de previsão climática dos Estados Unidos. A probabilidade de permanecer até o início de 2027 é de 97%.
Modelos experimentais indicam a possibilidade de um episódio muito forte. A expressão “Super El Niño”, porém, não constitui uma categoria meteorológica oficial e não deve ser tratada como uma intensidade já confirmada. A força definitiva do evento dependerá da evolução das temperaturas do Pacífico nos próximos meses.
No Sul, a previsão indica chuva acima da média em praticamente toda a região, acompanhada de temperaturas mais elevadas. A disponibilidade de água no solo deverá permanecer alta, condição inicialmente favorável ao desenvolvimento do trigo, da aveia, da cevada e de outras culturas de inverno.
O problema aparece quando a umidade persiste. Períodos prolongados de chuva e nebulosidade reduzem a entrada de máquinas, dificultam a aplicação de defensivos e criam ambiente favorável às doenças fúngicas. Dependendo da fase das lavouras, também podem provocar acamamento, germinação dos grãos ainda na espiga e perda de qualidade.
O alerta ocorre em uma safra que já começou menor. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o Brasil colherá 6 milhões de toneladas de trigo em 2026, queda de 23,5% em relação ao ano anterior. Com menos área e produtividade projetada mais baixa, novas perdas climáticas aumentariam a necessidade de importação do cereal.
A chuva no Sul também poderá reduzir as janelas disponíveis para concluir a colheita do milho segunda safra no Paraná. O Estado entrou na segunda metade de julho com os trabalhos atrasados em relação às temporadas anteriores. A umidade elevada não significa necessariamente perda imediata, mas aumenta os gastos com secagem e o risco de deterioração quando o milho maduro permanece por mais tempo no campo.
No Centro-Oeste, o quadro é diferente. A previsão de chuvas próximas da média e temperaturas elevadas tende a favorecer a conclusão da colheita do milho e do algodão. Mato Grosso já retirou mais de 90% do milho, mas Mato Grosso do Sul e Goiás ainda têm uma parcela expressiva da produção nas lavouras.
O tempo mais seco ajuda as máquinas, reduz a umidade dos grãos e facilita o transporte. Ao mesmo tempo, o armazenamento de água no solo deverá cair progressivamente entre agosto e setembro, justamente quando começam os preparativos para a soja.
A área brasileira de soja poderá chegar a 49,1 milhões de hectares em 2026/27. As primeiras estimativas apontam produção próxima de 180 milhões de toneladas, mas esse potencial dependerá da regularização das chuvas a partir de setembro.
Em Mato Grosso, maior produtor nacional, o vazio sanitário termina em 6 de setembro. Isso não significa que o plantio começará imediatamente em todas as propriedades. Para uma germinação uniforme, o produtor precisa encontrar umidade suficiente no perfil do solo e perspectiva de continuidade das precipitações.
O chamado “plantio no pó”, realizado antes da consolidação das chuvas, aumenta o risco de germinação irregular e replantio. A decisão de esperar também tem custo, porque o atraso da soja reduz a janela disponível para o milho e o algodão cultivados na sequência.
No Sudeste, o boletim prevê chuvas próximas da média na maior parte da região, com volumes menores no Espírito Santo e no extremo nordeste de Minas Gerais. Áreas do sul e do leste de São Paulo podem receber precipitações acima do padrão.
As temperaturas deverão permanecer elevadas em toda a região. A redução da água armazenada no solo exige atenção nas lavouras de café e no trigo cultivado sem irrigação. Para a cafeicultura, agosto e setembro também marcam a conclusão da colheita e a preparação das plantas para a próxima florada.
Chuvas durante a colheita podem interromper a retirada e a secagem do café, enquanto a falta de umidade no momento da florada prejudica o pegamento dos frutos. O produtor, portanto, enfrenta um equilíbrio delicado entre a necessidade de tempo seco para finalizar a safra atual e a chegada das precipitações necessárias ao próximo ciclo.
No Nordeste, a tendência é de chuva abaixo da média e calor mais intenso. A combinação deverá ampliar o déficit hídrico e aumentar os riscos para milho e feijão de terceira safra cultivados sem irrigação. Nas áreas onde o solo já possui pouca reserva, mesmo períodos curtos de estiagem podem comprometer o enchimento dos grãos.
O tempo seco, por outro lado, favorece a maturação e a colheita do algodão no oeste do Matopiba. A menor umidade reduz interrupções, facilita o funcionamento das máquinas e ajuda a preservar a qualidade da pluma, desde que não seja acompanhada por calor extremo ou ventos capazes de aumentar perdas.
Na Região Norte, a disponibilidade de água deverá continuar satisfatória em algumas áreas durante julho e agosto, beneficiando milho e sorgo em maturação. No centro-sul da região, entretanto, o déficit hídrico tende a se intensificar ao longo do trimestre, elevando também o risco de incêndios e os problemas para pastagens.
O impacto econômico do El Niño não será uniforme. O mesmo fenômeno capaz de aumentar as chuvas em uma região pode provocar seca em outra. Também não é possível concluir antecipadamente que determinado produto necessariamente ficará mais caro, porque os preços dependem dos estoques, da demanda, do câmbio e da produção de vários países.
O Brasil chega a esse período com uma produção de grãos estimada em 360,1 milhões de toneladas na safra 2025/26. O volume inclui 180,3 milhões de toneladas de soja e 141,7 milhões de milho. Além de abastecer o mercado interno, o País deverá exportar 116,3 milhões de toneladas de soja e permanece entre os maiores fornecedores mundiais de milho, carnes, açúcar e café.
Essa posição cria oportunidades quando concorrentes enfrentam perdas, mas não garante rentabilidade. Uma oferta brasileira maior pode pressionar as cotações internacionais, enquanto fertilizantes, crédito, frete, energia e armazenagem continuam pesando sobre os custos.
A recomendação é que o produtor acompanhe não apenas o volume previsto de chuva, mas também a distribuição das precipitações em sua propriedade. Escalonamento do plantio, escolha de cultivares, manejo de doenças, seguro rural, comercialização antecipada e proteção de preços ganham importância em uma safra marcada por maior instabilidade.
Fonte: Pensar Agro
-
Política4 dias atrásÀs vésperas da convenção, Mauro e Pivetta reúnem tropa contra Jayme Campos
-
Cidades4 dias atrásPrefeitura distribui mudas gratuitas e incentiva arborização em Várzea Grande
-
Cidades6 dias atrásDAE cria plano de recuperação financeira para enfrentar crise e garantir abastecimento em Várzea Grande
-
Cidades5 dias atrásAcelera VG Regularização Fundiária chega ao bairro da Manga e inicia cadastramento para entrega de títulos definitivos
-
Cidades6 dias atrásPrefeitura apoia pesquisa da UFMT para monitoramento de lagartas em propriedades rurais de Várzea Grande
-
Economia3 dias atrásCidades, Transportes e Fazenda lideram desbloqueio do Orçamento
-
Cidades6 dias atrásEscola reúne pais para apresentar planejamento estratégico do segundo semestre
-
Cidades3 dias atrásJulho Amarelo: HPS de Várzea Grande reforça segurança do paciente com capacitação e ações de prevenção às hepatites virais

