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Carnes e soja fazem exportações do agro somar R$ 80 bilhões em maio

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Impulsionado pelo avanço das exportações de soja e proteínas animais, o agronegócio brasileiro movimentou cerca de R$ 80 bilhões em maio de 2026, registrando o segundo maior faturamento da história para o mês. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), analisados pela Consultoria Agro do Itaú BBA, as vendas externas do setor alcançaram aproximadamente R$ 80 bilhões, resultado 8,2% superior ao registrado em maio do ano passado.

O desempenho reforça o papel do agronegócio como principal sustentáculo da balança comercial brasileira. Mesmo em um cenário de volatilidade nos mercados internacionais, o setor conseguiu compensar a retração observada no complexo sucroenergético com embarques robustos de grãos e proteínas, mantendo o Brasil entre os maiores fornecedores mundiais de alimentos.

A soja continuou liderando a pauta exportadora nacional. Em maio, os embarques do grão alcançaram 14,8 milhões de toneladas, alta de 5% em relação ao mesmo período de 2025. A receita gerada pelo produto somou aproximadamente R$ 31,5 bilhões, sustentada pela combinação entre grande oferta e preços internacionais mais favoráveis. O farelo de soja também apresentou crescimento expressivo, com exportações de 2,5 milhões de toneladas, enquanto o óleo de soja registrou uma das maiores altas do mês, avançando 34% em volume.

As proteínas animais também tiveram papel decisivo no resultado. As exportações de carne bovina in natura atingiram 262 mil toneladas em maio, crescimento de 20% sobre o mesmo mês do ano passado. O faturamento do segmento chegou a cerca de R$ 8,5 bilhões, beneficiado pela valorização dos preços internacionais e pela forte demanda dos mercados asiáticos.

A carne de frango apresentou um dos melhores desempenhos do período. Os embarques alcançaram 442 mil toneladas, alta de 32% na comparação anual. Já a carne suína manteve a trajetória positiva observada ao longo de 2026, com exportações de 111 mil toneladas, crescimento próximo de 5%.

Entre os demais produtos, o milho registrou a maior variação percentual. As exportações cresceram mais de 570% em relação a maio de 2025, embora os volumes ainda sejam considerados modestos devido ao início da colheita da segunda safra. O algodão também manteve forte ritmo de expansão, com avanço superior a 50% nos embarques, enquanto o suco de laranja apresentou crescimento de 17%, reforçando a liderança brasileira no mercado global da bebida.

Na contramão, o complexo sucroenergético enfrentou um cenário mais desafiador. As exportações de açúcar bruto recuaram 10%, pressionadas pela queda dos preços internacionais. O etanol sofreu retração ainda mais intensa, com redução de 79% nos embarques, refletindo a menor competitividade do produto brasileiro no mercado externo.

Além das questões de mercado, o setor acompanha com atenção as discussões comerciais nos Estados Unidos. Propostas de novas tarifas sobre determinados produtos brasileiros estão em análise pelas autoridades norte-americanas, embora boa parte dos principais itens do agronegócio — como carnes, café, frutas, cereais e suco de laranja — tenha permanecido fora das listas de sobretaxação.

Apesar das incertezas geopolíticas e da oscilação dos preços internacionais, os resultados de maio demonstram a resiliência do agro brasileiro. Com uma safra recorde e demanda firme por alimentos, fibras e proteínas, o setor continua ampliando sua participação no comércio mundial e reforçando sua importância para a geração de divisas e para o crescimento da economia nacional.

Fonte: Pensar Agro



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Futuro da carne bovina e rastreabilidade em debate nesta quarta

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O futuro da pecuária brasileira, as exigências dos mercados internacionais e os custos para adaptar a produção às novas regras de rastreabilidade estarão no centro dos debates do Pecuária em Pauta, que será realizado nesta quarta-feira (04.11), em São Paulo. Promovido pela Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), em parceria com o Insper, o encontro reunirá pesquisadores, produtores e representantes da cadeia da carne bovina para discutir os desafios econômicos e ambientais de uma atividade que ocupa posição estratégica nas exportações brasileiras.

Esta será a primeira edição paulista do evento, que tem como público principal jornalistas e profissionais de comunicação. A proposta é aproximar a imprensa das questões enfrentadas dentro das propriedades rurais e ampliar o debate sobre temas que influenciam diretamente a competitividade da carne brasileira.

Um dos principais assuntos será a rastreabilidade bovina, que ganhou importância com o avanço das exigências de compradores internacionais. A identificação individual dos animais e o acompanhamento de sua movimentação ao longo da cadeia produtiva são considerados instrumentos importantes para comprovar a origem do rebanho, fortalecer o controle sanitário e atender às regras de acesso a determinados mercados.

A implantação desses mecanismos, entretanto, envolve investimentos em identificação, tecnologia, registros e gestão das propriedades. Para os pecuaristas, especialmente os pequenos e médios, o desafio é incorporar essas exigências sem comprometer a rentabilidade da atividade.

O tema será abordado por André Ribeiro Bartocci, presidente da Câmara Setorial da Carne Bovina e integrante do Comitê Assessor da Embrapa Gado de Corte. A discussão deverá considerar a realidade das fazendas e as condições necessárias para que os protocolos de produção sejam efetivamente aplicados.

As perspectivas da cadeia da carne bovina no Brasil e no mundo serão apresentadas pelo professor Marcos Jank, coordenador do Insper Agro Global. O debate ocorre em um momento em que a pecuária brasileira precisa conciliar a demanda internacional por proteína animal com a concorrência de outros países exportadores e as exigências crescentes de seus compradores.

A programação também abordará a relação entre sustentabilidade econômica e ambiental. Os pesquisadores Sérgio Lazzarini e Fernanda Lemos, do Insper Metricis, discutirão propostas de governança para aproximar os objetivos de conservação ambiental das condições necessárias à continuidade da produção.

A questão é relevante para a pecuária brasileira porque a adoção de práticas sustentáveis depende não apenas de exigências legais ou comerciais, mas também de instrumentos de financiamento, assistência técnica e mecanismos que permitam ao produtor recuperar os investimentos realizados.

Outro destaque será a participação da pecuarista Terezinha Helena Staut Costa, conhecida como Dona Teka, que apresentará sua trajetória na atividade. A experiência de quem acompanhou a expansão da pecuária em Mato Grosso ajudará a contextualizar as transformações ocorridas nas propriedades e na organização da produção ao longo das últimas décadas.

O encontro também marcará o lançamento oficial da União Nacional da Pecuária (Unapec), iniciativa voltada à representação do setor. A apresentação está prevista para o encerramento da programação, depois de um painel que reunirá especialistas e representantes da cadeia produtiva.

A abertura será conduzida pelo presidente da Acrimat, Nando Conte. A programação inclui ainda um painel de debates mediado por Daniel Latorraca, com a participação de representantes da produção e de pesquisadores.

Ao reunir diferentes segmentos da pecuária, o evento coloca em discussão uma questão central para o produtor brasileiro: como manter a competitividade da carne bovina diante de exigências comerciais, sanitárias e ambientais cada vez mais complexas, sem transferir integralmente os custos dessa adaptação para dentro da porteira.

O Pecuária em Pauta será realizado no auditório Steffi e Max Perlman, no Insper, localizado na Rua Uberabinha, s/n, Vila Olímpia, em São Paulo. A programação começa às 14h, com encerramento dos debates previsto para as 18h e lançamento da Unapec na sequência. O encontro é direcionado a jornalistas e profissionais de comunicação. O prazo de inscrições gratuitas divulgado pela organização terminou em 29 de outubro.

Fonte: Pensar Agro



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