Agricultura
Semana será dedicada ao avanço da genética Nelore
Agricultura
Mato Grosso do Sul será o centro das atenções da pecuária de corte brasileira de amanhã (08.06) até domingo (14) com a realização da Semana do Programa Embrapa Geneplus 2026. O evento reunirá pesquisadores, criadores, técnicos, centrais de inseminação e empresas de genética em uma programação voltada ao melhoramento genético bovino, considerada uma das principais ferramentas para ampliar a produtividade e a rentabilidade da pecuária nacional.
Realizada em Campo Grande, a iniciativa ganhou relevância nacional ao longo dos últimos anos e se consolidou como um dos principais fóruns de discussão sobre seleção genética de bovinos de corte no Brasil. Em 2026, o encontro também marca os 30 anos de atuação do Programa Embrapa Geneplus, referência na avaliação genética e no desenvolvimento de tecnologias para aumento da eficiência dos rebanhos brasileiros.
O destaque da programação será o Encontro Técnico Embrapa Geneplus, marcado para o dia 12 de junho, quando serão divulgados os resultados da GP PAD Nelore 2026, uma das mais importantes provas de avaliação de desempenho da raça Nelore do país, além da aguardada lista dos touros GP ATJ Nelore 2026, programa que identifica e seleciona jovens reprodutores de alto potencial genético.
A GP PAD Nelore tem papel estratégico para a pecuária brasileira. Realizada dentro da Embrapa Gado de Corte, a prova avalia características ligadas à eficiência alimentar, desempenho produtivo, qualidade de carcaça e atributos reprodutivos dos animais. Os resultados servem de base para a seleção de touros capazes de transmitir características economicamente importantes aos rebanhos comerciais.
Desde o início do programa, mais de mil touros Nelore já passaram pelas avaliações da Embrapa Geneplus. O trabalho contribui para o desenvolvimento de animais mais eficientes, capazes de produzir mais carne consumindo menos recursos, uma demanda cada vez mais importante diante da necessidade de elevar a produtividade sem ampliar áreas de pastagem.
A programação da semana inclui visitas técnicas a criatórios parceiros, workshops promovidos por empresas de genética, mostras de animais selecionados, dias de campo e leilões. Entre os criatórios participantes estão Elge, Cachoeirão, Genética Aditiva, Baía Boa Vista, Nelore Meab, Montana Calidad e 7 Estrelas, além de eventos comerciais voltados à oferta de reprodutores e matrizes de elevado mérito genético.
Segundo os organizadores, a edição deste ano terá como tema central a relação entre genética e rentabilidade. A proposta é mostrar como a seleção baseada em índices econômicos pode impactar diretamente os resultados financeiros das fazendas, reduzindo custos de produção, aumentando a eficiência alimentar e melhorando a qualidade dos animais destinados à reprodução e ao abate.
Responsável por cerca de 80% do rebanho de corte brasileiro, a raça Nelore continua sendo a principal base genética da bovinocultura nacional. Por isso, os avanços obtidos por programas de avaliação genética como o Embrapa Geneplus têm reflexos diretos sobre a competitividade da pecuária brasileira, tanto no mercado interno quanto nas exportações de carne bovina.
A expectativa dos organizadores é reunir durante a semana alguns dos principais nomes da genética bovina do país, fortalecendo a troca de conhecimento entre pesquisadores e produtores e acelerando a adoção de tecnologias que permitam à pecuária brasileira produzir mais carne, com maior qualidade e sustentabilidade.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Doenças ampliam alerta sanitário e ameaçam produção e exportações
A avicultura brasileira enfrenta um novo período de atenção sanitária. Enquanto Santa Catarina trabalha para conter os focos da doença de Newcastle, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mantém seis investigações de ocorrências respiratórias e neurológicas em aves, cinco delas no estado catarinense. O avanço da vigilância ocorre em uma das principais regiões produtoras de carne de frango do País e reforça a preocupação com possíveis prejuízos à produção, aos contratos de exportação e à renda dos avicultores.
O painel de Investigações de Síndrome Respiratória e Nervosa das Aves (SRN), atualizado nesta quinta-feira (29.10), registra quatro ocorrências em criações domésticas de galinhas no Oeste de Santa Catarina. Uma está localizada em Quilombo, outra em Coronel Freitas e duas em Nova Itaberaba. Os municípios ficam próximos das áreas onde foram identificados os focos de Newcastle a partir de 18 de outubro.
Há ainda uma investigação envolvendo pombos silvestres em Itajaí, no litoral catarinense, e outra em uma criação doméstica de galinhas em São José do Belmonte, Pernambuco. Em todos os seis casos, as amostras coletadas aguardavam resultados laboratoriais conclusivos na atualização de quinta-feira.
É importante distinguir investigação de confirmação. A SRN não é uma doença específica, mas uma classificação utilizada pelo serviço veterinário oficial para identificar aves com sinais que exigem apuração. Entre as enfermidades investigadas estão a influenza aviária de alta patogenicidade e a doença de Newcastle. Portanto, os seis registros não representam seis novos focos confirmados.
A concentração das investigações no Oeste catarinense exige atenção especial pela importância econômica da região. A produção avícola local reúne propriedades integradas, cooperativas, frigoríficos e fornecedores de insumos. Uma eventual ampliação das restrições sanitárias poderia afetar o alojamento de aves, o funcionamento das indústrias e o transporte de animais e produtos.
O risco comercial também merece acompanhamento. Restrições impostas por países importadores em resposta à doença de Newcastle podem alcançar municípios, estados ou todo o território brasileiro, dependendo dos acordos sanitários estabelecidos com cada mercado. Mesmo quando os bloqueios ficam restritos a determinada região, frigoríficos precisam reorganizar embarques, contratos e destinos comerciais.
Além da vigilância sobre Newcastle e influenza aviária, outra enfermidade preocupa a avicultura nacional: a bronquite infecciosa aviária. Embora provoque sintomas respiratórios que podem se confundir com os de outras doenças, ela é causada por um vírus diferente e exige diagnóstico laboratorial específico. Não há, nas informações divulgadas sobre as seis investigações, confirmação de que alguma delas esteja relacionada à bronquite infecciosa.
Causada por um coronavírus que infecta galinhas, a bronquite infecciosa se espalha rapidamente entre as aves e compromete tanto a produção de carne quanto a de ovos. A transmissão ocorre pelo contato com animais infectados e por materiais contaminados, como equipamentos, roupas e utensílios utilizados nas granjas.
O problema vai além dos sintomas respiratórios. Dependendo da variante do vírus, a infecção também pode atingir os rins e o sistema reprodutivo das aves. Em frangos de corte, a redução do consumo de ração e do ganho de peso prejudica o desempenho dos lotes. Nas poedeiras, a doença pode provocar queda acentuada na produção e alterações na qualidade dos ovos.
Referências técnicas do setor apontam que, em situações graves, a redução na postura pode chegar a 70%. A recuperação dos indicadores produtivos pode levar várias semanas, especialmente quando há comprometimento do aparelho reprodutivo. Esses percentuais representam situações específicas e não devem ser interpretados como perdas esperadas em todas as granjas atingidas.
Para o produtor, os prejuízos incluem despesas com atendimento veterinário, maior necessidade de manejo, pior conversão alimentar e redução da quantidade de animais ou ovos comercializados. A presença de infecções secundárias também pode agravar o quadro e elevar a mortalidade.
A bronquite infecciosa, entretanto, tem consequências sanitárias e comerciais diferentes das doenças que motivam as investigações oficiais de SRN. Newcastle e influenza aviária de alta patogenicidade estão sujeitas a medidas específicas de controle e podem provocar restrições internacionais imediatas. A bronquite infecciosa exige atenção permanente das granjas, mas sua ocorrência não implica automaticamente os mesmos embargos comerciais.
Essa distinção é importante para evitar que sintomas semelhantes sejam tratados como confirmação de uma enfermidade. A identificação do agente causador depende de exames laboratoriais, e a resposta sanitária deve considerar a doença efetivamente diagnosticada.
O controle da bronquite infecciosa envolve vacinação, acompanhamento veterinário e medidas de biosseguridade. Os programas de imunização precisam considerar as características das aves, as variantes virais presentes na região e as condições de produção. A vacinação, isoladamente, não substitui o controle de acesso às instalações, a higienização de equipamentos e o monitoramento dos lotes.
No caso das investigações conduzidas pelo Mapa, a prioridade é identificar rapidamente a causa das alterações respiratórias e neurológicas observadas. A comunicação de suspeitas ao serviço veterinário oficial permite antecipar medidas de contenção quando necessárias e reduzir o risco de disseminação de enfermidades de maior impacto sanitário.
O momento exige atenção também dos fornecedores de milho e farelo de soja. A avicultura é uma das principais consumidoras desses produtos no mercado interno, e eventuais interrupções prolongadas na atividade industrial ou na criação de aves podem repercutir sobre a demanda regional por rações.
Para o Brasil, um dos maiores exportadores mundiais de carne de frango, preservar a condição sanitária dos plantéis é essencial para manter o acesso aos mercados internacionais. A competitividade do setor depende não apenas de produtividade e custos, mas também da capacidade de detectar, controlar e comunicar ocorrências sanitárias com rapidez.
As seis investigações em andamento ainda dependem de laudos conclusivos. Até que os resultados sejam divulgados, não é possível afirmar que representam novos focos de Newcastle, influenza aviária ou bronquite infecciosa. O que os registros demonstram é a necessidade de manter a vigilância em uma cadeia produtiva na qual um problema sanitário localizado pode produzir consequências econômicas muito além da propriedade afetada.
Fonte: Pensar Agro
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