Política
Professora e analista do CNJ transforma experiência pessoal em alerta sobre assédio no trabalho
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Nem o título de Doutora em Direito tampouco a vasta experiência no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) foram capazes de blindar a professora Celina Ribeiro Coelho da Silva contra a dor do assédio. Em uma abertura impactante, que marcou o início da Semana de Prevenção e Combate ao Assédio e à Discriminação no Poder Judiciário de Mato Grosso (PJMT) nesta segunda-feira (25), a palestrante revelou que já sentiu na pele as “violências invisíveis” do ambiente de trabalho.
“As experiências que passei no passado foram tão ou mais importantes do que o meu currículo, porque foi o que efetivamente me fez repensar o trabalho no serviço público”, compartilhou Celina, emocionando o auditório ao recordar situações que iam de “gracinhas inoportunas” a humilhações públicas por lealdade profissional.
Ao relatar episódios vividos por ela própria, a professora contou que, em uma reunião formada apenas por colegas homens, chegou atrasada e não encontrou lugar para sentar. Segundo Celina, o dirigente máximo do órgão afirmou, diante de todos, que ela poderia sentar no colo dele. “Todos riram e eu fiquei sem ação”, relembrou. A palestrante disse que, na época, não conseguiu reconhecer a situação como violência no ambiente de trabalho. “Para mim era uma gracinha inoportuna. Eu entendia que era eu que tinha que me adequar, evitar certos lugares e certos espaços para me proteger”, afirmou, ao destacar os avanços do debate sobre assédio dentro das instituições públicas.
O evento, promovido pela Comissão de Prevenção e Enfrentamento do Assédio no PJMT, busca ir além da frieza das normas. Analista judiciária do CNJ com atuação estratégica em políticas nacionais e processos disciplinares, Celina Ribeiro trouxe um “gancho” provocativo: é possível aplicar direitos humanos em sentenças para o público externo e ignorar a humanidade nos corredores dos fóruns? Para ela, a palestra não é sobre punição, mas sobre sobrevivência. “O meu objetivo realmente não é alarmar ninguém. O objetivo é falar sobre humanidade”, destacou.
O silêncio que adoece
Um dos maiores obstáculos no combate ao assédio, segundo a especialista, é a subnotificação gerada pelo medo. Durante sua fala, Celina apresentou dados de pesquisas internas e nacionais, destacando que, embora as estruturas institucionais existam, as vítimas ainda hesitam em denunciar por receio de retaliação, exposição e descrença na punição. “O maior desafio que nós vemos ainda é a confiança de que as estruturas que foram criadas vão agir a contento no caso de assédio”, afirmou.
A palestrante alertou que o silêncio não deve ser lido como harmonia. Pelo contrário, muitas vezes é apenas um modo de sobrevivência em ambientes onde o assediador utiliza o cargo para intimidar. Celina citou casos trágicos, como o de uma policial civil e de servidores federais que tiraram a própria vida, para ilustrar o custo incalculável do assédio para o erário e para a saúde mental. “Temos que parar de enxergar o assédio no trabalho como um problema da vítima e do assediador. É um problema do órgão, é um problema de todos nós”, sentenciou.
Liderança define o ambiente de trabalho
Na segunda parte de sua exposição, Celina Ribeiro focou no papel dos gestores, lembrando que todo chefe tem um chefe e que metas, embora importantes, não podem ser usadas como pretexto para abusos. Ela defendeu que a flexibilidade com a vida pessoal e o reconhecimento diário são o combustível para uma equipe produtiva. “O gestor nunca vai alcançar meta sozinho. Sem uma boa relação com a equipe, é muito mais difícil atingir resultados”, explicou. Ela reforçou ainda que a pressão psicológica constante leva a erros e afastamentos médicos.
A palestrante também detalhou as recentes atualizações da Resolução nº 351 do CNJ, que agora protege explicitamente contra a retaliação. Exemplos como exonerações sem motivação logo após denúncias ou alterações abruptas na avaliação de desempenho agora são vistos com lupa pela administração. “A gente precisa se sentir gente ali, sabe? Sentir que eu não era só uma máquina de produzir minutas”, concluiu Celina ao relatar como o acolhimento de sua própria chefia foi crucial durante um problema de saúde.
A programação da Semana de Prevenção e Combate ao Assédio continua com foco no interior do estado. Na terça e quarta-feira (26 e 27), serão realizadas rodas de conversa nas comarcas de Tangará da Serra, Barra do Garças, Jauru, Pontes e Lacerda, Porto Esperidião e Rio Branco.
Autor: Roberta Penha
Fotografo: Alair Ribeiro
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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Ouvidoria do Poder Judiciário ganha novo formulário e amplia acessibilidade ao cidadão
O Poder Judiciário de Mato Grosso modernizou o acesso aos serviços da Ouvidoria com o lançamento de um novo formulário integrado à plataforma TodoJud. A atualização trouxe uma interface mais intuitiva, organizada e acessível, permitindo ao cidadão identificar com mais facilidade os canais disponíveis para registro de manifestações. Para conferir clique aqui: (https://manifestacao.tjmt.jus.br/ouvidoria).
A mudança ocorreu em razão da migração do sistema anteriormente utilizado, o Click Jud, para o ambiente digital do TodoJud. A adequação resultou em um layout mais moderno, funcional e objetivo, favorecendo a navegação tanto em computadores quanto em dispositivos móveis.
Entre as principais melhorias implementadas está a inclusão, diretamente na página principal, das orientações sobre as competências da Ouvidoria. Antes, essas informações eram disponibilizadas por meio de uma janela complementar (pop-up). Com a nova estrutura, o cidadão consegue visualizar de forma imediata quais demandas podem ser encaminhadas ao canal, reduzindo dúvidas e contribuindo para o correto direcionamento das manifestações.
A página (https://ouvidoria.tjmt.jus.br/) também passou a reunir em um único espaço os principais tipos de atendimento oferecidos pela Ouvidoria, tornando a navegação mais clara e acessível. Entre as opções disponíveis estão sugestões, elogios, pedidos de informação, reclamações e denúncias.
Os elementos visuais foram reorganizados para facilitar a identificação do tipo de manifestação desejada, tornando o processo mais rápido e intuitivo para o usuário.
Após o registro da manifestação, a solicitação é recebida pela equipe da Ouvidoria, responsável pela análise inicial e, quando necessário, pelo encaminhamento da demanda à unidade competente. O acompanhamento é realizado até a emissão da resposta conclusiva ao manifestante.
Todo o procedimento ocorre de forma eletrônica, garantindo maior agilidade, rastreabilidade e transparência ao atendimento prestado ao cidadão.
Canais
Além da plataforma digital, os cidadãos também podem entrar em contato com a Ouvidoria pelo telefone 0800-647-1420, com atendimento das 14h às 18h, ou pelo e-mail [email protected].
Atenção!!!
Apesar da ampliação dos canais de acesso, a Ouvidoria Judiciária não atende determinadas demandas, como dúvidas sobre matéria processual, solicitações relativas a outros órgãos públicos, informações de processos sob segredo de justiça, manifestações anônimas, além de reclamações que substituam recursos processuais ou interfiram no andamento de ações judiciais.
Autor: Patrícia Neves
Fotografo:
Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT
Email: [email protected]
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