Agricultura
Indústria da celulose cresce 10,1% em 2025 com alta das exportações
Agricultura
O avanço de 10,1% da indústria de celulose e papel em Minas Gerais em 2025, revelado na mais recente edição da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sinaliza mais do que um ciclo positivo: reforça o peso crescente das exportações na dinâmica do setor.
O desempenho coloca o segmento entre os de maior expansão da indústria mineira no período, atrás apenas da produção de veículos automotores, que subiu 12,1%. e acompanha um movimento mais amplo da cadeia florestal no Brasil, que vem ampliando participação no comércio internacional de celulose. O país hoje figura entre os maiores produtores e exportadores globais, com vantagem competitiva baseada na produtividade do eucalipto.
Em Minas, o crescimento está diretamente associado ao aumento dos embarques. A Celulose Nipo-Brasileira S.A., instalada no Vale do Rio Doce, e a LD Celulose S.A., no Triângulo Mineiro, operam com foco externo e ampliaram produção em resposta à demanda internacional, especialmente da Ásia.
O movimento, no entanto, não se limita às grandes companhias. Dados do setor indicam que empresas de médio porte também ampliaram a produção, ainda que em ritmo mais moderado, enquanto pequenas indústrias seguem avançando de forma gradual, sustentadas pelo mercado doméstico e por nichos específicos.
A expansão ocorre em um contexto de mudança no perfil de consumo global. A demanda por celulose segue aquecida não apenas para papel e embalagens, mas também para aplicações industriais, como fibras têxteis e produtos químicos, o que amplia o espaço para produtores com escala e eficiência.
No plano nacional, o Brasil tem consolidado posição estratégica nesse mercado. A combinação de base florestal plantada, tecnologia e ganhos logísticos recentes tem permitido ao país ampliar competitividade frente a concorrentes tradicionais, como Canadá e Estados Unidos.
Apesar do cenário favorável, o setor ainda enfrenta desafios estruturais. Custos de transporte, gargalos logísticos e volatilidade cambial seguem como fatores de risco, sobretudo para operações voltadas à exportação. Há também pressão crescente por critérios ambientais, o que exige investimentos contínuos em certificação e manejo sustentável.
Para Minas Gerais, o desempenho de 2025 reforça o papel do estado como um dos eixos da indústria florestal brasileira. A expectativa é de manutenção do ritmo de crescimento, mas com maior sensibilidade às condições do mercado externo, que passou a ditar o ritmo de expansão da produção.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Tarifaço vigora a partir de hoje e põe o agro no centro de disputa que vai além do comércio
A tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros entra em vigor nesta quarta-feira (22.07) colocando cadeias do agronegócio no centro de uma disputa que começou longe das lavouras. Mais do que corrigir supostos desequilíbrios comerciais, a medida é utilizada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, como instrumento de pressão política sobre o Brasil, tendo como pano de fundo temas como regulação das plataformas digitais, sistemas de pagamento (o nosso Pix), propriedade intelectual e acesso ao mercado de etanol.
A sobretaxa será cobrada dos importadores norte-americanos e se soma às tarifas que já incidiam sobre cada mercadoria. Na prática, o custo adicional pode reduzir a competitividade dos produtos brasileiros, provocar o cancelamento de encomendas e pressionar empresas exportadoras a renegociar preços.
A investigação que deu origem à medida foi aberta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. O governo dos Estados Unidos acusa o Brasil de adotar práticas que restringiriam o comércio, especialmente no ambiente digital.
O próprio documento que oficializou a tarifa, porém, deixa claro que a legislação permite atingir setores que não tenham relação direta com as práticas questionadas. A justificativa é que uma tarifa abrangente amplia o poder de negociação dos Estados Unidos e cria pressão para que o país investigado modifique suas políticas.
É nesse ponto que o agronegócio passa a funcionar como instrumento de barganha. Enquanto parte da investigação trata de plataformas digitais e meios de pagamento, segmentos como máquinas agrícolas, papel, açúcar e outros produtos agroindustriais ficaram sujeitos à cobrança. Pedidos para retirar esses setores da medida foram rejeitados, embora não haja relação direta entre a produção dessas mercadorias e as regras brasileiras para empresas de tecnologia.
O etanol é a exceção mais evidente, porque aparece diretamente no contencioso comercial. Produtores norte-americanos alegam enfrentar dificuldades de acesso ao mercado brasileiro e pressionam pela redução das tarifas aplicadas pelo Brasil ao biocombustível importado. A sobretaxa sobre o produto brasileiro, portanto, também atende a interesses da indústria de etanol dos Estados Unidos.
O desenho das exceções mostra que Washington procurou preservar mercadorias consideradas necessárias à própria economia. Produtos que poderiam causar desabastecimento, pressionar a inflação ou que não são produzidos em quantidade suficiente pelos Estados Unidos foram poupados. Já cadeias nas quais há concorrência com produtores norte-americanos ou capacidade de exercer pressão sobre Brasília permaneceram expostas.
Para pesquisadores das áreas de comércio e regulação digital, as críticas às regras brasileiras para plataformas também revelam uma disputa por soberania regulatória. O governo norte-americano sustenta que decisões judiciais e novas obrigações impostas às empresas de tecnologia ameaçam a liberdade de expressão. Especialistas brasileiros contestam essa interpretação e afirmam que o país está estabelecendo responsabilidades semelhantes às já adotadas em outros mercados, especialmente na União Europeia.
Nessa leitura, os Estados Unidos procuram proteger empresas de tecnologia sediadas no país contra controles nacionais sobre conteúdo, concorrência, uso de dados e funcionamento dos algoritmos. O Brasil também seria estratégico por seu tamanho e pela influência que suas decisões regulatórias podem exercer sobre outros países da América Latina. Trata-se, contudo, de uma interpretação sobre os interesses envolvidos, e não da justificativa formal apresentada pelo USTR.
Para o agro, a consequência mais imediata não é apenas a cobrança na alfândega. A redução das compras norte-americanas pode alcançar indústrias, usinas, fabricantes de máquinas e fornecedores de matérias-primas. Dependendo da duração da medida, o efeito poderá chegar ao produtor por meio de menor demanda, pressão sobre preços e adiamento de investimentos.
O governo brasileiro contesta as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos e considera que temas internos, como decisões judiciais e regulação de empresas, não devem ser utilizados para impor sanções comerciais. As negociações continuam, mas Washington sinalizou que pretende manter a cobrança enquanto não houver mudanças nas políticas questionadas.
A entrada em vigor da tarifa, portanto, é apenas o começo do impasse. O que está em discussão não é somente quanto os Estados Unidos comprarão do Brasil, mas até que ponto o acesso ao maior mercado consumidor do mundo será usado para influenciar decisões regulatórias brasileiras. Nesse confronto, o agronegócio tornou-se um dos principais pontos de pressão — mesmo quando pouco tem a ver com a origem da disputa.
Fonte: Pensar Agro
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