Economia
Congresso Nacional promulga acordo Mercosul-União Europeia
Economia
Em sessão solene, o Congresso Nacional promulgou nesta terça-feira (17) o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia.

Ao assinar o decreto que ratifica o acordo comercial no Brasil, o presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), apontou que o acordo envia um sinal claro em defesa da paz e da prosperidade no momento em que o mundo sofre com guerras e tensões comerciais.
“O comércio é a chave da paz mundial. Países que negociam entre si têm mais a perder com a guerra do que ganhar com ela. O comércio cria nações amigas, nações parceiras. Conflitos armados, que destroem vidas e riqueza, dificilmente ocorrem entre economias que compartilham cadeias de produção, de investimento e de mercados consumidores. O comércio gera paz e prosperidade”, destacou Alcolumbre em discurso, diante de outros parlamentares e autoridades do governo federal, como o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Industria e Comércio, Geraldo Alckmin.
Após cerca de 26 anos de negociações, iniciadas ainda em 1999, os termos do acordo, que criará uma zona de livre comércio de 718 milhões de habitantes e cerca de R$ 113 trilhões em Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços), foram assinados no fim de janeiro, em Assunção, no Paraguai, entre representantes dos dois blocos.
Menos de dois meses depois, a ratificação foi concluída pelo Congresso Nacional no início deste mês. Era a última etapa para que o acordo, pelo lado brasileiro, entrasse em vigor. Os parlamentos de Argentina, Uruguai e Paraguai, demais sócios do Mercosul, também já ratificaram o acordo.
Do lado da União Europeia, o Parlamento Europeu pediu, em janeiro, que o Tribunal de Justiça do bloco faça uma avaliação jurídica sobre o acordo, mas a presidente da Comissão Europeia, Usrula von der Leyen, garantiu que o bloco aplicará o tratado de forma provisória a partir de maio, mesmo com a pendência de análise judicial.
“Em um mundo marcado pelo protecionismo, pelo unilateralismo e pela incerteza, este acordo tem também um valor político e civilizatório. Ele aproxima duas regiões que compartilham valores fundamentais: a defesa da democracia, do multilateralismo, dos direitos humanos e do desenvolvimento sustentável”, apontou o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), durante a sessão solene. Ele aproveitou para cobrar a internalização definitiva do acordo pelo lado europeu.
“Do lado de cá do Atlântico, faço um voto sincero e confiante: que o Parlamento Europeu e o Tribunal de Justiça do Bloco mostrem que estão à altura deste momento distinto e exerçam, com prontidão, a missão célebre que lhes cabe”, afirmou.
Números do acordo
Com o tratado, o bloco sul-americano, composto por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, vai zerar tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos. Já União Europeia eliminará tarifas sobre 95% dos bens vendidos pelo Mercosul em até 12 anos.
“O acordo diversifica mercados, reduz vulnerabilidades externas, fortalece nossa integração, avança e amplia a resiliência da economia brasileira frente a choques globais. Ele é, portanto, um instrumento de política econômica e também de política externa, alinhado a uma estratégia de desenvolvimento sustentável e inclusivo”, apontou Alckmin, ao lembrar que o acordo reúne agora o equivalente a um quarto da economia mundial.
Segundo o vice-presidente, estimativas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que o acordo vai gerar impacto positivo em praticamente todas as variáveis macroeconômicas, como expansão do PIB, aumento das exportações, geração de empregos, atração de investimentos, redução de custos e maior oferta de produtos ao consumidor.
Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira defendeu o caráter histórico da entrada em vigor do acordo.
“Como tem dito, repetidamente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o acordo de parceria entre Mercosul e União Europeia, é um marco histórico para ambos os blocos, especialmente relevante no atual contexto de forte fragmentação da ordem internacional. A União Europeia é nossa segunda maior parceira comercial, com uma corrente de comércio que superou os US$ 100 bilhões em 2025”, observou o chanceler.
Para evitar que a nova zona de livre comércio crie desequilíbrios em cadeias produtivas e de valor, o governo brasileiro editou, há duas semanas, um decreto que regulamenta as regras de aplicação de salvaguardas para produtores nacionais.
As medidas de salvaguardas bilaterais poderão ser aplicadas quando as importações de um produto sujeito a condições preferenciais, em decorrência de um acordo, aumentarem em quantidade e em condições tais que causem ou ameacem causar um prejuízo grave à indústria doméstica. Esses instrumentos podem ser adotados para proteger tanto o setor industrial quanto o agrícola.
Economia
Dólar cai a R$ 5,08 e atinge menor valor em um mês
Num pregão marcado pelo movimento dos ativos domésticos e pela alta do petróleo, por causa das tensões no Oriente Médio, o dólar teve forte queda e fechou no menor valor em um mês. A bolsa de valores atingiu o maior nível desde maio.

Principais números
• Dólar à vista: R$ 5,089 (-0,79%);
• Dólar em setembro: queda de 1,82%;
• Dólar no ano: queda de 7,28%;
• Ibovespa: 187.366,84 pontos (+1,2%);
• Petróleo tipo Brent: US$ 97,92 (+0,9%);
• Petróleo tipo WTI: US$ 93,03 (+1,7%).
Dólar abaixo de R$ 5,10
O dólar à vista terminou o pregão cotado a R$ 5,089, com recuo de 0,79%. Foi a menor cotação de fechamento desde 7 de agosto, quando a moeda havia encerrado a sessão a R$ 5,084.
Durante o dia, a moeda americana oscilou entre R$ 5,1289, na máxima, e R$ 5,0713, na mínima. A queda ocorreu em meio à movimentação dos mercados locais e ao ambiente externo para moedas de países emergentes.
Com o resultado desta terça-feira, o dólar passou a acumular queda de 7,28% em 2026. Nos cinco primeiros pregões de setembro, a divisa recua 1,82%, depois de subir 2,16% em agosto.
Bolsa avança 1,2%
O Ibovespa subiu 1,20%, aos 187.366,84 pontos, e encerrou o pregão no maior nível desde 4 de maio.
O índice chegou a atingir 189.487,70 pontos durante a sessão e registrou mínima de 185.207,66 pontos. O volume financeiro movimentado na B3 foi R$ 29,76 bilhões.
Entre as ações de maior peso no índice, os papéis da Petrobras, os mais negociados no Ibovespa, acompanharam a valorização do petróleo no exterior. As ações preferenciais (com preferência na distribuição de dividendos) subiram 2,08%. Os papéis ordinários (com votação em assembleia de acionistas) valorizaram-se 2,36%.
Dados da B3 indicam que o fluxo estrangeiro para a bolsa brasileira permaneceu positivo em setembro. Nos três primeiros pregões do mês, a entrada líquida de capital externo somava R$ 3,9 bilhões.
Petróleo em alta
Os contratos de petróleo subiram nesta terça-feira em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio e a ataques contra instalações energéticas na Arábia Saudita.
O barril do tipo Brent, referência internacional, avançou 0,9%, para US$ 97,92. O barril WTI, referência nos Estados Unidos, ganhou 1,7%, para US$ 93,03.
O Brent encerrou no maior nível desde 23 de julho. O WTI também atingiu o maior fechamento desde junho.
Os ataques atingiram cidades no sul da Arábia Saudita e instalações ligadas ao setor de energia. O cenário aumentou as preocupações sobre o abastecimento de petróleo e os efeitos das interrupções no transporte na região do Golfo Pérsico.
O Estreito de Ormuz permanece no centro das preocupações sobre o fluxo internacional de petróleo. Antes da escalada do conflito, cerca de 20% do abastecimento mundial da commodity passava pela região.
Apesar da alta, os contratos reduziram parte dos ganhos registrados durante o dia diante das preocupações com os efeitos dos combustíveis mais caros sobre a inflação, os juros e o crescimento econômico global.
*Com informações da Reuters.
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