Agricultura
Agrorosário se consolida como vitrine tecnológica do Matopiba
Agricultura
A AgroRosário 2026, marcada para os dias 5 a 7 de março em Correntina (cerca de 900 km da capital, Salvador), na Bahia, se consolidou como principal vitrine tecnológica do Oeste baiano — região que integra o chamado Matopiba e responde por parcela relevante da produção de soja, milho e algodão do Estado. A área tem expandido produtividade nas últimas décadas, mas enfrenta agora um ciclo de maior seletividade financeira e ajustes nos preços das commodities.
Na edição de 2025, o evento reuniu cerca de 15 mil visitantes e mais de 160 expositores, segundo dados da organização. A movimentação estimada superou R$ 100 milhões em intenções e negócios iniciados durante os três dias — número inferior ao de grandes feiras nacionais, mas significativo para uma economia regional baseada na produção de grãos e pecuária de corte.
O papel econômico das feiras mudou nos últimos anos. Se antes eram predominantemente vitrines de máquinas e insumos, hoje funcionam também como ambiente de negociação financeira. Com bancos mais cautelosos, muitas operações são estruturadas diretamente nos estandes, onde produtores conseguem comparar condições, prazos e pacotes tecnológicos.
Em 2024 e 2025, grandes eventos do setor no País registraram recordes de negócios, mesmo em um cenário de juros elevados. A tendência sinaliza que, apesar da desaceleração de margens agrícolas, o produtor segue investindo — mas de forma mais seletiva, priorizando eficiência operacional e redução de custos.
No Oeste da Bahia, a expectativa é que a edição de 2026 reflita justamente esse comportamento: menos compras por impulso e mais decisões técnicas. Empresas de sementes, fertilizantes e máquinas devem concentrar a estratégia em soluções de produtividade e gestão de risco.
A região de Correntina e municípios vizinhos mantém relevância no mapa agrícola brasileiro. O Oeste baiano tem apresentado crescimento consistente na produção de soja nas últimas duas décadas, além de expansão em milho segunda safra e algodão. A proximidade com corredores logísticos para exportação reforça a atratividade da área para investimentos.
Para 2026, o setor trabalha com expectativa de safra volumosa, ainda que sob pressão de custos e volatilidade cambial. A recuperação parcial dos preços internacionais pode estimular negócios em insumos e tecnologia, mas o produtor tende a avaliar cuidadosamente o retorno de cada investimento.
Além da comercialização direta, feiras como a AgroRosário têm efeito multiplicador sobre a economia regional. Hotéis, restaurantes, transporte e comércio local registram aumento de movimento durante o evento. Em cidades de porte médio, esse impacto temporário ajuda a movimentar cadeias de serviços que orbitam o agronegócio.
Outro aspecto relevante é a aproximação entre produtores e fornecedores sem a necessidade de deslocamento para grandes centros como Luís Eduardo Magalhães ou Barreiras. Isso reduz custos de transação e fortalece o ambiente empresarial local.
SERVIÇO:
AgroRosário 2026
📅 Dia 5 e 7 de março
📍 Distrito de Rosário, área rural do município de Correntina, no Oeste da Bahia
🔗 Saiba mais: https://agrorosario.com.br/
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Pragas ameaçam R$ 223 bilhões da produção brasileira
A falta de controle de pragas, doenças e plantas daninhas nas lavouras de soja poderia provocar perdas de R$ 223,5 bilhões na produção brasileira, segundo estudo da Universidade Federal de Viçosa (UFV). A pesquisa, baseada em simulações de diferentes condições de manejo, dimensiona o peso da proteção das lavouras sobre a produtividade, as exportações e os preços dos alimentos. Os resultados ganham importância justamente quando os produtores estão implantando a safra 2026/27, em um cenário de custos elevados e necessidade de preservar as margens de rentabilidade.
O levantamento, desenvolvido em cooperação com uma associação do setor de tecnologias agrícolas, calculou que a ausência de controle fitossanitário reduziria a produtividade de 72 para 32 sacas por hectare, uma queda de aproximadamente 55%. Em escala nacional, a perda média simulada chegaria a 121,3 milhões de toneladas. Os pesquisadores ressaltam, entretanto, que se trata de um cenário hipotético extremo, destinado a medir a importância do manejo, e não de uma previsão de prejuízo para a safra em andamento.
A pesquisa analisou quatro doenças, cinco pragas e nove plantas daninhas, considerando diferentes níveis de proteção. No cenário de controle parcial, a produtividade estimada foi de 52 sacas por hectare, enquanto o manejo considerado ótimo elevou o rendimento para 72 sacas. Para chegar aos resultados, foram realizadas 10 mil simulações por estado, combinando dados oficiais de produção, informações sobre a ocorrência dos agentes prejudiciais às lavouras e modelos científicos de perdas.
A diferença entre os cenários mostra o impacto econômico das decisões tomadas dentro da propriedade. Em uma área de mil hectares, por exemplo, a distância entre colher 32 e 72 sacas por hectare representa 40 mil sacas de soja. O cálculo ilustra o potencial de perdas, embora os resultados efetivos dependam das condições climáticas, da pressão de pragas e doenças, das características do solo e da eficiência do manejo adotado.
O problema ultrapassa os limites das fazendas. Segundo os pesquisadores, uma redução expressiva da oferta nacional poderia elevar o preço da soja em até 49%, com reflexos sobre o óleo destinado ao consumo humano e o farelo utilizado na alimentação de aves, suínos e bovinos. A simulação aponta um impacto adicional de 0,26 ponto percentual na inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
A proteção da soja também influencia o uso da terra. Para compensar a produção perdida no cenário sem manejo, seria necessário acrescentar aproximadamente 33,5 milhões de hectares à área cultivada, extensão próxima à do estado de Goiás. O resultado demonstra que preservar a produtividade das áreas existentes é uma estratégia importante para ampliar a oferta agrícola sem depender da expansão territorial.
Mas a proteção não se resume à aplicação de defensivos químicos. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) recomenda o manejo integrado, que combina monitoramento, escolha de cultivares, controle biológico, práticas culturais e uso criterioso de produtos fitossanitários.
No caso dos insetos, as orientações técnicas para as safras 2025/26 e 2026/27 destacam que o produtor deve acompanhar regularmente a população de pragas e avaliar os danos antes de decidir pela aplicação. A presença de insetos na lavoura, isoladamente, não significa que o controle químico seja economicamente necessário. Aplicações sem justificativa técnica elevam os custos, podem eliminar inimigos naturais das pragas e favorecer o desenvolvimento de resistência.
Entre as doenças, a ferrugem-asiática continua sendo uma das maiores ameaças à cultura. Identificada no Brasil em 2001, ela pode provocar perdas de até 90% da produtividade quando não controlada, segundo a Embrapa. O fungo encontra condições favoráveis de desenvolvimento em ambientes úmidos, especialmente quando há períodos prolongados de molhamento das folhas.
Para reduzir esse risco, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mantém o programa nacional de controle da ferrugem-asiática, com regras de vazio sanitário e calendário de semeadura. O objetivo é interromper a sobrevivência do fungo entre as safras e reduzir a pressão da doença sobre as lavouras comerciais.
A preocupação é particularmente relevante para o ciclo 2026/27. Pesquisas da Embrapa apontam que condições de chuva frequente e temperaturas favoráveis podem acelerar o desenvolvimento da ferrugem, exigindo acompanhamento das condições meteorológicas e atenção aos primeiros registros da doença. A escolha de cultivares resistentes e o planejamento da semeadura também fazem parte das estratégias de prevenção.
O desafio é equilibrar proteção, custo e segurança. Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que soja, milho e cana-de-açúcar concentram 76% do consumo de agrotóxicos no Brasil. O uso desses produtos exige atenção aos riscos ambientais e à saúde humana, além do cumprimento das recomendações técnicas e das condições autorizadas para cada aplicação.
A conclusão econômica é que o produtor não deve confundir redução de gastos com eliminação de cuidados fitossanitários. Deixar de controlar uma doença ou praga capaz de comprometer a colheita pode gerar prejuízos muito superiores ao custo do manejo. Por outro lado, aplicações desnecessárias consomem recursos sem garantir retorno produtivo.
Para a safra que está sendo plantada, a decisão mais importante é identificar os riscos reais de cada área e utilizar as ferramentas adequadas no momento correto. O estudo da UFV dimensiona o custo potencial da ausência de proteção; as recomendações da Embrapa mostram que proteger a produtividade depende tanto da tecnologia disponível quanto da qualidade das decisões tomadas pelo agricultor.
Fonte: Pensar Agro
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