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Pragas ameaçam R$ 223 bilhões da produção brasileira

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A falta de controle de pragas, doenças e plantas daninhas nas lavouras de soja poderia provocar perdas de R$ 223,5 bilhões na produção brasileira, segundo estudo da Universidade Federal de Viçosa (UFV). A pesquisa, baseada em simulações de diferentes condições de manejo, dimensiona o peso da proteção das lavouras sobre a produtividade, as exportações e os preços dos alimentos. Os resultados ganham importância justamente quando os produtores estão implantando a safra 2026/27, em um cenário de custos elevados e necessidade de preservar as margens de rentabilidade.

O levantamento, desenvolvido em cooperação com uma associação do setor de tecnologias agrícolas, calculou que a ausência de controle fitossanitário reduziria a produtividade de 72 para 32 sacas por hectare, uma queda de aproximadamente 55%. Em escala nacional, a perda média simulada chegaria a 121,3 milhões de toneladas. Os pesquisadores ressaltam, entretanto, que se trata de um cenário hipotético extremo, destinado a medir a importância do manejo, e não de uma previsão de prejuízo para a safra em andamento.

A pesquisa analisou quatro doenças, cinco pragas e nove plantas daninhas, considerando diferentes níveis de proteção. No cenário de controle parcial, a produtividade estimada foi de 52 sacas por hectare, enquanto o manejo considerado ótimo elevou o rendimento para 72 sacas. Para chegar aos resultados, foram realizadas 10 mil simulações por estado, combinando dados oficiais de produção, informações sobre a ocorrência dos agentes prejudiciais às lavouras e modelos científicos de perdas.

A diferença entre os cenários mostra o impacto econômico das decisões tomadas dentro da propriedade. Em uma área de mil hectares, por exemplo, a distância entre colher 32 e 72 sacas por hectare representa 40 mil sacas de soja. O cálculo ilustra o potencial de perdas, embora os resultados efetivos dependam das condições climáticas, da pressão de pragas e doenças, das características do solo e da eficiência do manejo adotado.

O problema ultrapassa os limites das fazendas. Segundo os pesquisadores, uma redução expressiva da oferta nacional poderia elevar o preço da soja em até 49%, com reflexos sobre o óleo destinado ao consumo humano e o farelo utilizado na alimentação de aves, suínos e bovinos. A simulação aponta um impacto adicional de 0,26 ponto percentual na inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

A proteção da soja também influencia o uso da terra. Para compensar a produção perdida no cenário sem manejo, seria necessário acrescentar aproximadamente 33,5 milhões de hectares à área cultivada, extensão próxima à do estado de Goiás. O resultado demonstra que preservar a produtividade das áreas existentes é uma estratégia importante para ampliar a oferta agrícola sem depender da expansão territorial.

Mas a proteção não se resume à aplicação de defensivos químicos. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) recomenda o manejo integrado, que combina monitoramento, escolha de cultivares, controle biológico, práticas culturais e uso criterioso de produtos fitossanitários.

No caso dos insetos, as orientações técnicas para as safras 2025/26 e 2026/27 destacam que o produtor deve acompanhar regularmente a população de pragas e avaliar os danos antes de decidir pela aplicação. A presença de insetos na lavoura, isoladamente, não significa que o controle químico seja economicamente necessário. Aplicações sem justificativa técnica elevam os custos, podem eliminar inimigos naturais das pragas e favorecer o desenvolvimento de resistência.

Entre as doenças, a ferrugem-asiática continua sendo uma das maiores ameaças à cultura. Identificada no Brasil em 2001, ela pode provocar perdas de até 90% da produtividade quando não controlada, segundo a Embrapa. O fungo encontra condições favoráveis de desenvolvimento em ambientes úmidos, especialmente quando há períodos prolongados de molhamento das folhas.

Para reduzir esse risco, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mantém o programa nacional de controle da ferrugem-asiática, com regras de vazio sanitário e calendário de semeadura. O objetivo é interromper a sobrevivência do fungo entre as safras e reduzir a pressão da doença sobre as lavouras comerciais.

A preocupação é particularmente relevante para o ciclo 2026/27. Pesquisas da Embrapa apontam que condições de chuva frequente e temperaturas favoráveis podem acelerar o desenvolvimento da ferrugem, exigindo acompanhamento das condições meteorológicas e atenção aos primeiros registros da doença. A escolha de cultivares resistentes e o planejamento da semeadura também fazem parte das estratégias de prevenção.

O desafio é equilibrar proteção, custo e segurança. Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que soja, milho e cana-de-açúcar concentram 76% do consumo de agrotóxicos no Brasil. O uso desses produtos exige atenção aos riscos ambientais e à saúde humana, além do cumprimento das recomendações técnicas e das condições autorizadas para cada aplicação.

A conclusão econômica é que o produtor não deve confundir redução de gastos com eliminação de cuidados fitossanitários. Deixar de controlar uma doença ou praga capaz de comprometer a colheita pode gerar prejuízos muito superiores ao custo do manejo. Por outro lado, aplicações desnecessárias consomem recursos sem garantir retorno produtivo.

Para a safra que está sendo plantada, a decisão mais importante é identificar os riscos reais de cada área e utilizar as ferramentas adequadas no momento correto. O estudo da UFV dimensiona o custo potencial da ausência de proteção; as recomendações da Embrapa mostram que proteger a produtividade depende tanto da tecnologia disponível quanto da qualidade das decisões tomadas pelo agricultor.

Fonte: Pensar Agro



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Frango reage nos preços, mas embargos ainda preocupam setor

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O mercado brasileiro de frango encerrou outubro com recuperação gradual dos preços, sustentada pelo equilíbrio entre produção e consumo e pelo desempenho das exportações. A melhora, observada principalmente nas regiões Sul e Sudeste, ocorre enquanto a avicultura enfrenta restrições comerciais provocadas pela doença de Newcastle em Santa Catarina. Embora as medidas sanitárias tenham avançado no estado, a retomada integral das vendas externas ainda depende de negociações com os países importadores.

Em Santa Catarina, os três focos da doença identificados em granjas comerciais de perus, nos municípios de Nova Itaberaba, Coronel Freitas e Nova Erechim, já passaram pelos procedimentos de eliminação das aves, limpeza e desinfecção. Segundo balanço divulgado nesta segunda-feira (02.11) pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), todas as propriedades afetadas estão em período de vazio sanitário, etapa necessária para reduzir o risco de circulação do vírus antes da retomada da criação.

A vigilância epidemiológica também avançou. As equipes concluíram as inspeções nas mais de 2.700 propriedades mapeadas na área de emergência, incluindo 202 estabelecimentos avícolas comerciais. As autoridades sanitárias continuam acompanhando os resultados laboratoriais e mantendo medidas de controle na região. A conclusão dessas etapas não significa, entretanto, que todos os embargos internacionais tenham sido retirados.

Uma mudança importante ocorreu em 30 de outubro, quando o México reconheceu a regionalização sanitária e voltou a permitir a importação de produtos avícolas dos demais estados brasileiros habilitados. A restrição mexicana passou a atingir apenas Santa Catarina. A China também adotou medidas limitadas ao estado catarinense, preservando as exportações de outras regiões produtoras.

A regionalização evita que uma ocorrência localizada interrompa automaticamente as vendas de todo o país. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o reconhecimento desse mecanismo pelos parceiros comerciais tem sido fundamental para reduzir os prejuízos potenciais decorrentes de emergências sanitárias.

Apesar dos avanços, Santa Catarina continua exposta aos efeitos das restrições impostas por determinados compradores internacionais. A recuperação completa das exportações dependerá da conclusão dos procedimentos sanitários e da aceitação dos resultados pelas autoridades dos países importadores.

No mercado interno, outubro foi marcado por reajustes nas cotações do frango vivo e de alguns cortes comercializados no atacado. Levantamento de mercado aponta que o quilo da ave viva passou de R$ 5,70 para R$ 5,80 em São Paulo. Em Mato Grosso do Sul e Goiás, avançou de R$ 5,30 para R$ 5,45, enquanto Minas Gerais e Distrito Federal registraram elevação de R$ 5,40 para R$ 5,50.

Nas regiões de produção integrada do Sul, os preços permaneceram estáveis. Em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, a referência ficou em R$ 4,75 por quilo, enquanto no Oeste do Paraná se manteve em R$ 4,65. Essas cotações devem ser interpretadas com cautela, porque a produção integrada envolve contratos e critérios de remuneração diferentes dos praticados no mercado independente de aves vivas.

O atacado também apresentou recuperação. Em São Paulo, o peito de frango congelado passou de R$ 9,50 para R$ 9,95 por quilo durante outubro, enquanto a asa subiu de R$ 12,50 para R$ 13,00. A coxa permaneceu em R$ 7,80. Entre os cortes resfriados, o peito avançou de R$ 9,60 para R$ 10,05, e a asa passou de R$ 12,60 para R$ 13,10.

A valorização não foi uniforme. A estabilidade de alguns cortes mostra que a capacidade de repassar preços continua limitada pelo comportamento do consumidor. Ainda assim, a carne de frango mantém vantagem de preço em relação à bovina, fator que favorece sua presença nas compras das famílias.

O comércio exterior continua sendo um dos principais sustentáculos da atividade. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o país exportou 500,3 mil toneladas de carne de frango em setembro, crescimento de 3,7% em relação ao mesmo mês de 2025. A receita alcançou aproximadamente R$ 5,37 bilhões, considerando a conversão pela cotação de R$ 5,46 por dólar.

Entre janeiro e setembro, os embarques somaram 4,42 milhões de toneladas, alta de 14% na comparação anual. A receita acumulada equivale a aproximadamente R$ 47,35 bilhões. Os números mostram a importância do mercado internacional para o escoamento da produção brasileira e ajudam a dimensionar os riscos de eventuais interrupções comerciais.

Os indicadores parciais de outubro também apontaram crescimento das exportações de carnes de aves e miudezas, embora ainda não representem o resultado consolidado do mês. Em 16 dias úteis, os embarques chegaram a 395,7 mil toneladas, com avanço de 14,8% na média diária em relação a outubro de 2025.

Para os produtores, a continuidade da recuperação dependerá de três fatores: manutenção do consumo doméstico, controle da oferta e preservação do acesso aos mercados externos. A programação dos alojamentos de pintainhos também exige atenção, porque um crescimento excessivo da produção pode pressionar os preços e reduzir as margens da atividade.

O quadro de Santa Catarina acrescenta uma preocupação sanitária a esse planejamento. Mesmo com o avanço do controle dos focos, a normalização das exportações não é automática. A recuperação dos preços internos e o crescimento dos embarques nacionais oferecem algum alívio à avicultura, mas a estabilidade do setor continuará condicionada à demanda e à capacidade de evitar novas restrições comerciais.

Fonte: Pensar Agro



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