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Polícia Civil de MT desarticula esquema de tráfico interestadual com atuação em quatro estados

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A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quinta feira (12.2), a Operação Fourteen, para cumprimento de mais de 40 ordens judiciais, com o objetivo de desarticular um grupo criminoso dedicado ao tráfico interestadual de drogas, uso de documento falso e lavagem de dinheiro.

São cumpridos na operação 17 mandados de prisão preventiva e 21 de busca e apreensão, além de medidas de quebra de sigilo telefônico, sequestro de bens e bloqueio de contas bancárias vinculadas aos investigados, no valor de até R$ 500 mil.

As ordens judiciais foram deferidas pelo Núcleo 4.0 do Juiz de Garantias de Cuiabá com base em investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc).

Os mandados são cumpridos nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande, Nova Monte Verde, Sinop, Primavera do Leste, Alta Floresta, Guarantã do Norte, Rondonópolis, em Mato Grosso. Também estão sendo realizadas diligências em municípios dos estados do Espírito Santo e Rio Grande do Norte.

A operação integra os trabalhos o planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para o ano de 2026, por meio da Operação Pharus, dentro do Programa Tolerância Zero, voltado ao combate às facções criminosas em todo o Estado.

Investigação e estrutura criminosa

As investigações tiveram início em fevereiro de 2024, após a prisão em flagrante de uma das principais integrantes do grupo, que transportava oito tabletes de pasta base de cocaína em um ônibus intermunicipal. Com o aprofundamento das investigações e realização de diversas diligências, foi possível identificar uma complexa rede de tráfico que operava de forma organizada e hierarquizada para a prática do tráfico interestadual.

As investigações revelaram a existência de três núcleos criminosos principais, liderados por reeducandos que continuavam coordenando atividades ilícitas mesmo enquanto cumpriam pena no sistema penitenciário.

A análise técnica demonstrou que os investigados mantinham comunicação constante, orientavam novos integrantes e planejavam rotas de transporte de drogas para diversos estados, incluindo Goiás, Espírito Santo e Rio Grande do Norte.

Modo de ação

Para atuar no crime, o grupo utilizava métodos sofisticados para dificultar a ação policial, incluindo o uso de documentos falsos, mudanças constantes de endereço, comunicação cifrada e o recrutamento de “mulas” para o transporte interestadual de entorpecentes.

Os envolvidos também se dedicavam à lavagem de dinheiro, movimentando valores em contas bancárias de terceiros para ocultar a origem ilícita dos recursos. Diante dos elementos apurados, foi representado pelas ordens judiciais contra os investigados, que foram deferidas pela Justiça.

O material apreendido durante o cumprimento dos mandados será periciado pela Politec e subsidiará o inquérito policial que tramita sob sigilo na Justiça. Os presos serão conduzidos ao sistema penitenciário, onde permanecerão à disposição da Justiça.

As investigações prosseguem para identificar outros envolvidos, aprofundar o levantamento patrimonial dos investigados e mapear as rotas de tráfico utilizadas pelo grupo criminoso.

Operação Fourteen

O nome da operação faz alusão ao capítulo 14 do Livro de Números, passagem bíblica que trata das consequências da desobediência e da rebeldia, simbolizando a separação entre o bem e o mal e a punição inevitável àqueles que persistem na transgressão.

Segundo o delegado responsável pelas investigações, Marcelo Miranda Muniz, a operação representa não apenas a resposta do Estado à criminalidade, mas também a reafirmação de valores fundamentais de justiça, ordem e restauração.

“A investigação da Denarc revelou a atuação de um grupo que, de forma organizada, promoveu a disseminação de drogas, contribuindo para a destruição física, moral e social de inúmeras pessoas. Assim como no texto sagrado, a persistência na desobediência dos criminosos resultou em punição”, disse o delegado.

Operação Pharus – Farol da Justiça

O nome dado ao planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso, voltado ao combate às facções criminosas, evoca a imagem de uma estrutura imponente que projeta luz constantemente, atravessando a escuridão e alertando sobre os perigos ocultos. A mensagem busca mostrar que o Estado é o ponto de referência seguro que orienta a sociedade e, ao mesmo tempo, expõe e sinaliza as ameaças criminosas, tornando-as visíveis e combatíveis.

Fonte: Policia Civil MT – MT



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CPI da Saúde questiona ex-secretário sobre R$ 1,1 bilhão em indenizatórios

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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) ouviu nesta quarta-feira (14), o ex-secretário de Estado de Saúde (SES), Gilberto Figueiredo, na condição de investigado, para esclarecer questões relacionadas aos contratos firmados pela pasta entre 2019 e 2025. Durante a oitiva, conduzida pelo presidente da comissão, deputado estadual Wilson Santos (PSD), foram feitas cerca de 70 perguntas. O depoente, que estava acompanhado de advogado, abriu mão do direito ao silêncio para apresentar a sua defesa.

Ao ser questionado sobre a participação nas contratações, nos reconhecimentos de dívidas e nos pagamentos realizados pela Secretaria de Estado de Saúde, Gilberto explicou que as decisões não dependiam exclusivamente de sua autorização e que os processos passavam por diferentes departamentos e recebiam pareceres e observações de integrantes das nove secretarias adjuntas da pasta e que o seu papel era tomar a decisão final sobre os processos previamente analisados.

Em relação aos pagamentos indenizatórios que somaram R$ 1,1 bilhão ao longo de sete anos, com base no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) nº 01/2019, ele confirmou o montante e afirmou que, durante o período em que esteve à frente da SES, o orçamento da pasta ultrapassou R$ 31 bilhões. “Os pagamentos indenizatórios não nascem na sala de um secretário e, sim, por uma atividade que foi realizada, contratada ou adquirida e que depois o Estado está obrigado a pagá-la por questão de não ter risco de enriquecimento ilícito”, justificou.

Wilson Santos contestou a explicação e observou que a pandemia da Covid-19 foi uma situação excepcional, durante a qual houve flexibilização da legislação, mas que o pagamento por indenização parece ter se tornado uma prática mantida mesmo após o período emergencial. Ele acrescentou que houve um crescimento de quase 500% no número de pagamentos indenizatórios no período pós-pandemia.

Em resposta, Gilberto afirmou que não houve acomodação da gestão diante da situação e defendeu a existência de procedimentos para comprovar os serviços prestados. “Nós tomamos as decisões e reformulamos a estrutura da SES. Não acostumei. Vou querer aprofundar sobre essa situação (indenizatórios). Não existe pagamento que não esteja com um robusto processo de comprovação de serviços realizados”, declarou.

O ex-secretário também esclareceu que o TAC teria sido firmado inicialmente com duração de dois anos e afirmou que o instrumento permanecia vigente. O presidente da CPI, por sua vez, contrapôs a informação, alegando que o prazo havia se encerrado em 31 de agosto de 2026. Logo, Gilberto confirmou que a atual gestão da SES prorrogou o acordo por mais 60 dias. “Eu mesmo fui autor do comunicado ao Ministério Público Estadual que era o TAC nº 01/2019. O objetivo primeiro era não paralisar e não colapsar o serviço de saúde. No TAC existe o compromisso elaborado tanto na questão da gestão de pessoal como também na contratação de serviço”, explicou.

Diante das informações apresentadas, a CPI vai requisitar novos esclarecimentos sobre a tramitação do TAC para a Secretaria de Estado de Saúde. Outras indagações feitas ao ex-secretário foram referentes aos motivos pelos quais a pasta não teria atendido a alertas de órgãos de controle, como a Controladoria-Geral do Estado (CGE) e a Procuradoria-Geral do Estado (PGE), que identificaram irregularidades e recomendaram a suspensão ou a correção de determinados procedimentos.

Gilberto Figueiredo esclareceu que interromper a prestação de um serviço de saúde poderia colocar vidas em risco e que, diante dessas situações, cabia ao gestor avaliar os pareceres e tomar decisões. “O gestor, sim, ele é assessorado por parecer, mas ele está sentado no cargo para tomar a decisão. Eu nunca fui omisso, nunca abri mão de tomar uma decisão por causa de alerta para não deixar o paciente morrer. Eu tive o coração de correr os riscos. E estou sujeito a eles. Vou passar pelos escrutínios”, afirmou o investigado.

Outro ponto abordado durante a oitiva foi a contratação de empresas sem processo licitatório e a ocorrência de irregularidades envolvendo prestadoras de serviços. O depoente afirmou que é difícil para a administração pública acompanhar mudanças na composição societária, na razão social ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) das empresas.

“Tem empresas que têm mais de 100 sócios. Eu apurei e fui buscar. Como um gestor vai conseguir controlar isso? Tomei conhecimento, sim, fiz demanda junto da PGE de como poder evitar isso. Infelizmente, tem empresas que não cumprem contrato e no outro dia nasce com um outro nome ou outro CNPJ e o governo não tem como impedir”, declarou.

A CPI também questionou o ex-secretário sobre a pessoa mencionada em autos de processos investigatórios relacionados à Operação Espelho como a “Mulher da SES”, apontada no contexto das investigações sobre contratos e licitações. Gilberto contestou a referência e afirmou que não existia uma pessoa identificada dessa forma, mas um quadro de aproximadamente 6,5 mil servidores na Secretaria, dos quais 4.194 seriam mulheres. Diante da resposta, Wilson Santos informou que apresentará requerimento para convocar, na condição de testemunha, a atual secretária adjunta de Orçamento e Finanças da SES, Ivone Rosset. “Eu não vou ficar dando nomes às pessoas que estão legalmente investidas nos cargos publicados em Diário Oficial”, disse o ex-secretário.

Ao final da oitiva, Gilberto solicitou que um exemplar de seu livro “Sem tempo para respirar”, fosse incluído nos autos da CPI da Saúde. Segundo ele, a obra apresenta detalhes da atuação da SES durante a pandemia e das medidas adotadas para salvar vidas. “Não fico feliz com os óbitos que ocorreram, mas fico feliz, se muitos de nós estamos aqui hoje, é porque trabalhamos muito para que isso acontecesse. Criamos o maior centro de triagem de Covid-19 e atendemos milhares de pessoas”, declarou.

Também participaram da reunião o relator da CPI, deputado estadual Beto Dois a Um (União), e os membros Dilmar Dal Bosco (União) e Chico Guarnieri (PSDB).

Fonte: ALMT – MT



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