Mato Grosso
Escola de Saúde divulga locais de prova de seleção para residências em Área Profissional da Saúde
Mato Grosso
O processo seletivo para cinco programas de residência da Escola de Saúde Pública (ESP), vinculada à Secretaria de Estado de Saúde (SES), terá a prova objetiva de múltipla escolha realizada neste domingo (8.2), a partir das 8h, nos municípios de Cáceres, Cuiabá e Sorriso.
Foram 420 candidatos inscritos nos perfis profissionais de enfermagem, farmácia, fisioterapia, nutrição, odontologia, psicologia e serviço social para as 28 vagas de residência disponíveis em Cáceres, Cuiabá, Sorriso e Várzea Grande.
São cursos de pós-graduação lato sensu, nas modalidades multiprofissional e uniprofissional, com bolsa no valor bruto de R$ 4.106,09.
As residências são nas áreas de Oncologia, em Cáceres; Saúde da Família, em Cáceres e em Várzea Grande; Atenção Psicossocial, em Cuiabá; Saúde Integral da Mulher, em Cuiabá; e Enfermagem Obstétrica, em Sorriso.
Segundo a superintendente da Escola de Saúde Pública, Sílvia Tomaz, a Residência Multiprofissional em Saúde Mental – Atenção Psicossocial, em Cuiabá, foi a mais concorrida de todas, com 124 candidatos inscritos, sendo 62 de psicologia, 43 de serviço social e 19 de enfermagem.
“A escola recebeu mais de 400 inscrições para os cinco programas de residência ofertados, o que demonstra a relevância dos cursos para a formação contínua dos profissionais e para melhorarmos a saúde pública de Mato Grosso”, afirmou.
Os cursos terão duração de 24 meses, sendo a carga horária total de 5.760 horas, distribuídas em 60 horas semanais, das quais 1.152 horas (20%) correspondem a atividades teóricas e 4.608 horas (80%) a atividades práticas. Para cada ano de curso, o residente usufruirá de trinta dias de férias.
A avaliação terá 40 questões de múltipla escolha, sendo 30 de Conhecimentos Gerais do SUS, Políticas Públicas de Saúde e Legislação do SUS e dez perguntas sobre Conhecimentos Específicos, referentes à respectiva área de formação.
Os candidatos devem chegar ao local da prova com antecedência mínima de 30 minutos do horário previsto para o início da prova (8h), que terá três horas de duração.
Confira os locais de prova:
Cáceres – Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) – Bloco III – Unidade Cavalhada. Av. São João, 563 – Cavalhada
– Programa de Residência Multiprofissional em Atenção Oncologia
– Programa de Residência Multiprofissional em Atenção Básica – Saúde da Família – Em Rede (Cáceres/MT)
Cuiabá – Universidade de Cuiabá (Unic) – Bloco F – Av. Manoel José de Arruda, n° 3100 – Jardim Europa
– Programa de Residência Multiprofissional em Atenção Básica – Saúde da Família – Em Rede (Várzea Grande/MT)
– Programa de Residência Multiprofissional em Saúde Mental – Atenção Psicossocial
– Programa de Residência Multiprofissional em Atenção à Saúde da Mulher – Saúde Integral da Mulher
Sorriso – Faculdade FASIPE – Bloco C – Perimetral Sudoeste, Flor do Cerrado, 3675
– Programa de Residência Uniprofissional em Enfermagem Obstétrica
Veja outras informações sobre o processo seletivo no site da Secretaria e sobre os resultados no link.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
Lei Maria da Penha: magistradas do TJMT destacam avanços, desafios e a luta para salvar vidas
A cada mulher que rompe o silêncio, uma história de coragem se sobrepõe ao medo. Há 20 anos, a Lei Maria da Penha passou a oferecer instrumentos concretos para proteger vítimas de violência doméstica e familiar, transformando a forma como o Brasil enfrenta um problema que, por muito tempo, permaneceu invisível dentro dos lares. Apesar dos avanços conquistados desde então, magistradas do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) alertam que a mudança cultural ainda é o maior desafio para impedir que novas mulheres tenham suas vidas interrompidas pela violência.
A juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa, que atuou por muitos anos na 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e atualmente responde pela 2ª Vara Especializada de Família e Sucessões, destaca que a legislação representou uma mudança histórica ao reconhecer diferentes formas de violência contra a mulher e criar mecanismos de proteção mais efetivos.
Segundo ela, além de ampliar o conceito de violência doméstica para incluir as agressões psicológica, sexual, patrimonial e moral, a Lei Maria da Penha instituiu medidas protetivas com análise prioritária, fortaleceu a punição aos agressores e criou varas especializadas com equipes multidisciplinares e atuação integrada com a rede de proteção.
A juíza Tatyana Lopes de Araújo Borges, titular da 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a
Mulher de Cuiabá, também aponta a visibilidade dada ao problema como um dos maiores legados da legislação.
“Um dos principais avanços foi, principalmente, a visibilidade da violência doméstica contra a mulher. Hoje, nós conseguimos entender que não se trata de um problema no âmbito privado, como se entendia no passado, mas ela se tornou o centro do debate público. Hoje, nós discutimos não apenas a violência física, mas também a violência psicológica, moral, patrimonial, sexual e, mais recentemente, a violência vicária”, afirma.
Para a magistrada, dar visibilidade ao problema também permite produzir estatísticas e direcionar políticas públicas voltadas à prevenção e ao acolhimento das vítimas.
Desafio permanente
Mesmo após duas décadas da Lei Maria da Penha, as duas magistradas concordam que a violência doméstica não será combatida apenas com a aplicação da legislação.
Para a juíza Ana Graziela, trata-se de um problema social e estrutural. “A violência doméstica e familiar contra a mulher, para além de um problema judicial, é um problema social e estrutural. Esse é o maior desafio, a mudança social e estrutural do que gera e fomenta essa violência, não bastando a aplicação correta da lei para findar a violência e proteger as vítimas. Por isso se mostra tão importante a articulação em rede”, ressalta.
A magistrada observa ainda que nos últimos anos houve aumento das denúncias envolvendo violência psicológica e patrimonial, impulsionado pelo maior conhecimento sobre os direitos das mulheres. Ao mesmo tempo, o crescimento dos casos de feminicídio em Mato Grosso preocupa o Judiciário, que busca identificar fatores de risco para fortalecer as ações preventivas.
Na mesma linha, a juíza Tatyana lembra que o aumento das penas para feminicídio representa uma resposta importante do Estado, mas não é suficiente para mudar uma realidade construída ao longo de gerações. “Infelizmente, como a gente vê que isso não é um problema só legislativo, é um problema cultural, mesmo com a implantação da lei, no ano passado nós tivemos um aumento de feminicídio”, afirma.
Rede que protege
As magistradas destacam que nenhuma instituição consegue enfrentar a violência doméstica sozinha.
Ana Graziela defende investimentos permanentes em políticas públicas, fortalecimento das Delegacias Especializadas, ampliação da Patrulha Maria da Penha, atendimento psicológico e ações que promovam a autonomia financeira das mulheres. Para ela, a atuação integrada da rede é indispensável para garantir proteção efetiva às vítimas.
Tatyana reforça que o trabalho em rede também precisa olhar para o futuro, apostando na educação como instrumento de transformação social.
Ela cita iniciativas desenvolvidas pelo Poder Judiciário, como o projeto Lei Maria da Penha Vai às Escolas e o A Escola Ensina, a Mulher Agradece, que levam o debate sobre respeito, igualdade e prevenção da violência às salas de aula. “Por meio da educação, a gente pode transformar essa cultura de violência para uma cultura de respeito”, afirma.
Romper o silêncio salva vidas
Outro ponto destacado pelas magistradas é a importância da denúncia e das medidas protetivas de urgência.
Segundo Tatyana, Mato Grosso concede medidas protetivas em poucas horas, um dos melhores desempenhos do país. Ela ressalta que esses mecanismos têm papel fundamental na preservação da vida das mulheres. “As medidas protetivas realmente salvam vidas. No ano passado foram quase 20 mil medidas protetivas deferidas dentro do nosso estado. Milhares de mulheres estão protegidas por medidas protetivas e é de forma célere”, destaca.
Às mulheres que ainda enfrentam situações de violência, Ana Graziela deixa uma mensagem de acolhimento. “Procurem ajuda, seja de familiares, amigos ou ajuda especializada, se informem sobre os seus direitos, sobre as medidas de proteção que podem lhes ser deferidas e sobre as ações judiciais e sociais que podem ser adotadas”, orienta, lembrando que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso disponibiliza atendimento psicológico, social e diversas ações de apoio por meio do Centro Especializado de Atendimento às Vítimas (CEAV).
Tatyana faz um apelo semelhante e reforça que a denúncia deve vir acompanhada de uma rede de apoio. “O que eu diria para essa mulher é que ela procure primeiramente uma rede de apoio. Se for uma situação de emergência, realmente vá até uma delegacia especializada da mulher e ofereça essa denúncia. A partir desse momento em que ela procura essa ajuda inicial, serão feitos os encaminhamentos necessários para que ela possa realmente romper com esse ciclo da violência”, conclui.
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