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O desafio do marketing é fazer as perguntas certas

Perguntas bem formuladas não apenas revelam informações ocultas, como promovem o aprendizado contínuo, a criatividade e a tomada de decisões estratégicas

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Foto: Arquivo Pessoal/Dayane Nascimento

Dayane Nascimento

Em um mundo saturado de informações, a capacidade de fazer boas perguntas tornou-se uma habilidade fundamental para obter novos insights, solucionar problemas complexos e construir relacionamentos interpessoais mais profundos. Tornou-se fundamental aprender a formular perguntas eficazes para promover descobertas, aprendizado e inovação, destacando o valor de questionar de maneira estratégica.

Perguntas bem formuladas não apenas revelam informações ocultas, como promovem o aprendizado contínuo, a criatividade e a tomada de decisões estratégicas. Existem várias formas de se investigar um problema.

As perguntas investigativas buscam entender os fatos, as especulativas exploram novas possibilidades, as produtivas ajudam a transformar ideias em ação, as interpretativas dão significado às informações e as subjetivas revelam sentimentos e dinâmicas interpessoais.

Veja que para um problema que ouço dos empresários buscando soluções genéricas, tais como: ‘As vendas estão caindo’. Quanto mais específico for o problema, mas clara será a solução. Então começo a investigação (com vários tipos de perguntas). Reflita comigo algumas opções de questionamentos:

As pessoas preferem os concorrentes? Se sim, continuamos. Não tenho nenhum diferencial percebido? A marca não é tão forte? Se a resposta for não, podemos buscar outra abordagem. As pessoas estão saindo da categoria? A categoria perdeu relevância? Há alternativas melhores?

Bem… ainda temos outra abordagem: As pessoas estão achando caro? A expectativa em relação à entrega foi muito alta? A percepção de qualidade caiu? Existem muitas outras questões que poderão ser tratadas com o cliente, mas a essência é esta, “investigar”, ir ao cerne da questão.

Quando falamos em problema de comunicação, devemos sempre manter o foco nas pessoas. Não importa como está a economia, a política, o mundo… crie perguntas com foco nas pessoas. Devemos considerar a atitude, entendimento, comportamento e percepção das pessoas sobre determinado assunto (que pode ser seu produto ou serviço).

Voltemos ao exemplo de queda nas vendas: Atitude – pessoas preferem a marca concorrente; Entendimento – as pessoas não entenderam nossa proposta, atributos, benefícios; Comportamento – não consideram usar nosso produto; Percepção – as pessoas acham que nossa marca está envelhecida. Quando o problema realmente está identificado, ou seja, fica evidente, a solução está muito mais perto de se realizar.

Acredito que algumas empresas não tiveram boa experiência com o marketing ou publicidade justamente por não conseguirem definir seu problema. Se a empresa pede uma “campanha para vender” e não encontra quem faça o planejamento/pensamento estratégico, poderá sair frustrado com os resultados. Ou ainda que tenha conseguido, não consegui mantê-lo em longo prazo.

Tem uma frase atribuída ao grande cientista Albert Einstein que até pode ser um clichê, mas serve como uma luva para ilustrar o que conversamos: “Não são as respostas que movem o mundo, são as perguntas”. Em resumo, vá sempre atrás das causas e considere as perspectivas das pessoas! Lembrando sempre que bom marketing nunca está acabado, já que consiste na contínua construção da relação de conexão entre mim e o outro. Pense nisso (e esqueça as fórmulas mágicas)!

Dayane Nascimento, consultora marketing com formação na UFMT, especialista em planejamento estratégico e economia comportamento pela ESPM/SP e empresária

 

Foto: Arquivo Pessoal/Dayane Nascimento

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Saúde mental é inegociável

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O que aprendi em 10 anos liderando a pauta de saúde mental? Durante a última edição do Vittude Summit, subi ao palco diante de cerca de 1.800 pessoas e lembrei do primeiro evento que realizamos, em janeiro de 2020. Na época, a expectativa era reunir 200 participantes para discutir saúde mental no ambiente corporativo. Muitos acreditavam que ninguém apareceria: o evento recebeu 280 pessoas.

Poucos meses depois, a pandemia transformou definitivamente a forma como as empresas passaram a enxergar o tema. O que antes era tratado como assunto secundário passou a ocupar espaço nas agendas das lideranças. Em poucos anos, vimos crescer rapidamente o interesse das organizações por estratégias estruturadas de promoção da saúde mental.

Os números que não podem mais ser ignorados

Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número da série histórica e o terceiro ano consecutivo de crescimento. O dado, porém, mostra apenas parte do problema. Ele considera apenas afastamentos superiores a 15 dias, deixando de fora atestados mais curtos e um fenômeno igualmente preocupante: o presenteísmo, quando o colaborador está presente, mas não consegue desempenhar plenamente suas atividades.

No Censo de Saúde Mental da Vittude, realizado com 175 mil trabalhadores de 35 grandes corporações, identificamos uma perda média de produtividade de 32%. Em outras palavras, de cada R$ 100 investidos em folha de pagamento, cerca de R$ 32 deixam de se converter em trabalho efetivo em função do adoecimento emocional. Ou seja, são perdas financeiras e humanas.

O papel da segurança psicológica

Um dos principais achados do estudo foi a relação direta entre segurança psicológica e saúde mental. Entre os colaboradores que relataram baixos níveis de segurança psicológica, todos os indicadores analisados pioraram significativamente. A ideação suicida passou de 14,75% para 19%, enquanto a propensão ao burnout saltou de 5,94% para 21%. Já entre aqueles que percebiam altos níveis de segurança psicológica, a propensão ao burnout foi praticamente nula.

Esses dados mostram que boa parte do adoecimento está concentrada em ambientes onde as pessoas não se sentem seguras para pedir ajuda ou expressar opiniões. Por isso, saúde mental não depende apenas da oferta de benefícios. Depende, principalmente, da cultura organizacional.

A prevalência de ideação suicida entre os trabalhadores avaliados no Censo (14,75%) foi inferior à observada na população brasileira em geral (18%, segundo estudo do Instituto Cactus). Isso mostra que o trabalho pode funcionar como fator de proteção quando oferece pertencimento, reconhecimento e relações saudáveis.

O problema é que muitos ambientes ainda não oferecem essas condições. Com a atualização da NR-1 já em vigor, o gerenciamento dos riscos psicossociais passou a integrar oficialmente as responsabilidades das empresas.

O que aprendemos na prática

Ao longo desses dez anos, ficou claro que os programas de saúde mental mais efetivos compartilham uma característica: método. Não basta contratar fornecedores ou oferecer benefícios. É preciso diagnosticar riscos, definir prioridades, acompanhar indicadores, testar iniciativas e envolver a liderança de forma consistente durante todo o processo.

Foi dessa experiência que surgiu o Método VITAL — Verificar, Idealizar, Testar, Amadurecer e Liderar — desenvolvido a partir do trabalho com organizações de diferentes setores. O aprendizado é simples: iniciativas isoladas dificilmente produzem mudanças duradouras.

Promover saúde mental exige planejamento, acompanhamento contínuo e compromisso da liderança.

Em dez anos, a pauta amadureceu.

Hoje, o cenário é diferente. Líderes, profissionais de RH, médicos do trabalho e executivos passaram a discutir segurança psicológica, riscos psicossociais e saúde mental com uma frequência que parecia improvável poucos anos atrás.

A atualização da NR-1 consolida essa mudança. E depois de uma década acompanhando essa transformação, vejo que chegamos a um ponto de virada. Ainda há muito a fazer, mas, pela primeira vez em muitos anos, há uma combinação de conscientização, evidências e compromisso institucional capaz de acelerar essa mudança. E isso, sem dúvida, é motivo de esperança.

* Tatiana Pimenta CEO da Vittude



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