TCE - MT
AUDITORIA DE INCENTIVOS FISCAIS DEBATE SOBRE O IMPACTO DAS MORATÓRIAS DA SOJA E DA CARNE
Sérgio Ricardo enfatizou que, com R$ 14 bilhões destinados a incentivos fiscais este ano, é crucial avaliar o retorno dessas empresas para o desenvolvimento e geração de emprego em Mato Grosso.
Política
O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) anunciou que realizará uma auditoria nos incentivos fiscais concedidos às empresas do estado.
A declaração foi feita pelo presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, durante o seminário “O Impacto das Moratórias da Soja e da Carne nas Desigualdades Sociais”. O evento ocorreu nesta terça-feira (28) em Cuiabá e contou com a presença de mais de mil representantes do agronegócio, produtores rurais e políticos.
A auditoria abordará as empresas que aderiram às moratórias, atendendo a uma solicitação de 127 Câmaras Municipais que argumentam que tais acordos limitam o desenvolvimento local ao restringir a movimentação de bilhões de reais, exacerbando as disparidades regionais. Sérgio Ricardo enfatizou que, com R$ 14 bilhões destinados a incentivos fiscais este ano, é crucial avaliar o retorno dessas empresas para o desenvolvimento e geração de emprego em Mato Grosso.
Ele apresentou dados sobre as discrepâncias na renúncia fiscal entre diferentes regiões do estado, destacando que áreas mais ricas recebem mais benefícios enquanto as mais pobres recebem menos. O conselheiro defendeu uma distribuição mais equilibrada dos recursos, visando um desenvolvimento uniforme.
Antônio Joaquim, conselheiro-ouvidor do TCE-MT, reforçou a posição contra a continuação dos incentivos fiscais para as empresas envolvidas nas moratórias. Ele também ressaltou a importância do Tribunal na fiscalização dessas práticas. Os acordos, que proíbem a compra de soja e carne de áreas desmatadas até 2008, são vistos como benéficos para as empresas signatárias, apesar de contradizerem novas regulamentações como o Código Florestal de 2012.
Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja Mato Grosso, criticou as moratórias por infringirem o direito dos produtores ao uso legal da terra e destacou o compromisso do setor com a sustentabilidade. O evento também abordou temas como o Cadastro Ambiental Rural, regularização fundiária e ambiental, e foi organizado em parceria com várias instituições regionais, incluindo a Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso e a Associação Mato-grossense dos Municípios.
Política
Retrospectiva: novo piso salarial dos professores foi destaque entre aprovações da Câmara na área de educação
No primeiro semestre deste ano, a Câmara dos Deputados aprovou a Medida Provisória 1334/26, que criou uma nova regra de reajuste do piso salarial dos profissionais do magistério público da educação básica. O texto, também aprovado no Senado, foi convertido na Lei 15.437/26.
A norma determina que, a partir de janeiro de 2026, o reajuste será baseado na soma:
- da variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do ano anterior (no caso, 2025); e
- de 50% da média da variação percentual da receita real de cinco anos anteriores (de 2021 a 2025, no caso de 2026) vinda de estados, Distrito Federal e municípios para compor o Fundeb.
A variação real corresponde ao que ficou acima do INPC no período.
A regra também valerá para profissionais contratados por tempo determinado.
De acordo com o Ministério da Educação (MEC), o reajuste do piso em 2026 foi de 5,40%. Esse percentual reúne o INPC de 2025, de 3,90%, e um ganho real de 1,50%.
O piso nacional passou de R$ 4.867,77 para R$ 5.130,63 em janeiro de 2026.
INSS de bolsistas
Na área de educação, os deputados também aprovaram o Projeto de Lei 2950/15, que torna obrigatória a participação do bolsista de pós-graduação como contribuinte individual da Previdência Social para fins de acesso a benefícios como aposentadoria e auxílios.
De autoria do ex-deputado Davidson Magalhães (BA), o texto aprovado pela Casa foi relatado pelo deputado Ricardo Galvão (Rede-SP) e está em análise no Senado.
A contribuição assegurará, por exemplo, cobertura previdenciária em situações de doença, maternidade e incapacidade temporária. Além disso, possibilita a contagem do tempo dedicado à pesquisa para fins de aposentadoria.
A contribuição a ser recolhida pela instituição cedente da bolsa será de 11% sobre um salário mínimo (atualmente R$ 1.621,00).
Com essa alíquota, o acesso à aposentadoria será somente por idade, atualmente em 62 anos para mulher e 65 anos para homem.
Caso deseje aposentadoria por tempo de contribuição ou que o tempo possa ser aproveitado para se aposentar por algum regime próprio de servidores públicos, o interessado deverá complementar a contribuição recolhida pela instituição com mais 9% sobre a base de cálculo, a fim de totalizar 20% de recolhimento.
Escolas sustentáveis
O Programa Nacional de Escolas Resilientes e Sustentáveis foi aprovado pela Câmara dos Deputados para ajudar na adaptação às mudanças climáticas e no uso de recursos naturais.
Pedro Ventura/Agência Brasília
Deputados aprovaram programa que incentiva ações sustentáveis nas escolas
De autoria do deputado Tarcísio Motta (Psol-RJ), o Projeto de Lei 2841/24 foi relatado pela deputada Socorro Neri (PP-AC) e tramita agora no Senado.
O texto prevê ações como:
- a instalação, a manutenção e a melhoria dos sistemas de drenagem, ventilação e climatização;
- utilização de sistemas de energia renovável e equipamentos eficientes; e
- uso racional da água, da energia e gestão de resíduos.
Outras medidas incluem a arborização para evitar incidência solar e diminuir a temperatura média no ambiente, além de reformas e melhorias estruturais para aumentar a resistência das edificações a eventos climáticos extremos.
Cultura nas escolas
A Câmara dos Deputados aprovou ainda no primeiro semestre, a política nacional “Mais Cultura nas Escolas”, objeto do Projeto de Lei 533/24, em análise hoje no Senado.
De autoria da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), a proposta foi aprovada com a relatoria do deputado Tarcísio Motta, prevendo parceria entre a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios com a sociedade civil no setor da cultura.
Segundo o texto, a União deverá apoiar os outros entes federativos na elaboração de um plano de atividade cultural anual para as escolas públicas de educação básica.
Para viabilizar a execução dos planos, poderão ser utilizados os moldes operacionais e regulamentares do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE).
Cada plano deverá conter as ações, as metas, o cronograma de execução e a previsão de início e término das atividades, envolvendo bens e serviços necessários à realização das atividades artísticas, culturais e pedagógicas previstas.
Números do semestre
No total, foram aprovados no primeiro semestre de 2026, pelo Plenário, 118 projetos de lei, 9 projetos de lei complementar, 20 medidas provisórias, 12 projetos de decreto legislativo, 5 projetos de resolução e 4 propostas de emenda à Constituição.
Reportagem – Eduardo Piovesan
Edição – Marcelo Oliveira
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