RECONHECIMENTO
TCE-MT SE CONSOLIDA COMO AGENTE DO DESENVOLVIMENTO COM APOIO À GESTÃO PÚBLICA DE MATO GROSSO
Com foco na administração municipal, Tribunal fortaleceu a capacitação e se aproximou dos jurisdicionados para garantir avanço socio-econômico de Mato Grosso
Política
Com foco na administração municipal, Tribunal fortaleceu a capacitação e se aproximou dos jurisdicionados para garantir avanço socio-econômico do estado
Modernização, colaboratividade, harmonia e orientação nortearam a gestão 2022/2023 do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), sob liderança do conselheiro José Carlos Novelli. Para elevar a administração pública do estado ao mesmo patamar de reconhecimento que ocupa hoje no Brasil, a Corte de Contas ampliou suas frentes de atuação e se tornou instrumento determinante para a efetividade dos serviços públicos prestados a mais de 3.6 milhões de pessoas.
Já em seu discurso de posse, em dezembro de 2021, Novelli anunciava a colaboratividade como uma das bases fundamentais para o que viria a se desenvolver. “Essa vai ser a gestão de Novelli, de Antonio Joaquim, Valter Albano, Waldir Teis, Gonçalo Domingos de Campos Neto, Guilherme Antonio Maluf e Sérgio Ricardo. Do conjunto dos servidores, técnicos, auditores e procuradores que formam esta Casa. Aqui vocês têm um soldado. Pronto para fazer o melhor de si”, disse à época.
Ali também estabeleceu o foco da gestão, pautada pela melhoria da Administração Pública, especialmente a municipal. E o propósito se cumpriu. Ao longo dos últimos dois anos o Tribunal fortaleceu a capacitação e se aproximou dos jurisdicionados, tendo alcançado mais 20 mil pessoas por meio das ações da Escola Superior de Contas, que realizou 123 capacitações e palestras ministradas por profissionais de renome em diferentes setores.
Garantida a orientação, o TCE-MT instituiu as mesas técnicas e passou a fazer da conciliação uma ferramenta para assegurar direitos essenciais e o avanço socioeconômico do estado. O sucesso da ferramenta pode ser atribuído a soluções como a manutenção das obras do novo Hospital Júlio Muller, para o fornecimento de alimentação adequada no sistema prisional, para a construção de moradias populares e para a continuidade da obra do sistema ferroviário estadual.
Assim, foi reforçado o status de uma das cortes mais modernas do país. “É um caminho sem volta rumo à efetividade e celeridade. Hoje, indubitavelmente, esta é a grande resolvedora de questões importantes que estavam emperradas. Este e outros trabalhos exitosos só foram possíveis a partir do momento em que tivemos o nosso Plenário completo. Pleno na sua legitimidade. Pleno no seu respeito”, salienta Novelli.
Neste percurso, elos fundamentais estruturaram a nova proposta. Exemplo disso é a parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) para a implementação do Programa de Gerenciamento do Planejamento Estratégico (GPE). “Após meses de capacitação, entregamos os Mapas Estratégicos e concluímos o MBA em Gestão Estratégica por Resultados Aplicada à Gestão Pública, o que refletirá na qualidade de vida das pessoas e na redução das desigualdades.”
Também vale destacar a união com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que resultou no “Tribunais em Ação”, projeto itinerante de formação técnica de prefeitos, vereadores e servidores dos poderes executivo e legislativo municipais. Em uma rede de intercâmbio pedagógico, também somam esforços ao TCE-MT o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT), Ministério Público do Estado (MPMT), Assembleia Legislativa (ALMT) e Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (TRT-MT).
As parcerias estão além do âmbito do ensino e incluem o Governo do Estado, Defensoria Pública (DPE-MT) e União das Câmaras Municipais (UCMMAT), dentre outras instituições. “Entendemos que o planejamento é a melhor ferramenta para auxiliar a boa governança. Mas também avançamos nas parcerias institucionais na busca de soluções para problemas em comum e estimulamos as ações colaborativas. Trabalhamos de forma integrada e fizemos do TCE uma ponte entre as organizações”, afirma o presidente.
Todos esses princípios também foram reforçados nas seis edições do Interage TCE e no 2º Laboratório de Boas Práticas dos Tribunais de Contas. Realizado em parceria com a Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), o evento retornou às suas origens e voltou a Cuiabá em 2023, trazendo projetos de todo o Brasil. Ainda considerando a relevância nacional, realizou o II Congresso Ambiental dos Tribunais de Contas: Desenvolvimento e Sustentabilidade, que reuniu mais de duas mil pessoas em Cuiabá.
Frente às dificuldades enfrentadas por muitas prefeituras, o presidente instituiu, em março deste ano, o Sistema Único e Integrado de Execução Orçamentária, Administração Financeira e Controle (SIAFIC-MT) no âmbito do TCE-MT. A medida garante a utilização gratuita do software desenvolvido pelo órgão, aderente ao Decreto Federal 10.540/2020, que tornou obrigatório o uso de sistema único de planejamento e contabilidade.
Novelli destaca que 95% das cidades do estado não têm recursos humanos ou financeiros para atender os requisitos do Decreto e que a não adequação pode resultar no impedimento do recebimento de transferências voluntárias e contratação de operações de crédito, por exemplo. “Este é um marco para a política de transparência na gestão fiscal e o Tribunal está oferecendo esta solução sem custos, pois a implantação é complexa e dispendiosa aos entes municipais”, pontua o conselheiro.
Também pensando nesses desafios financeiros, em abril, foi lançado o Programa de Sustentabilidade e Desenvolvimento de Municípios de Mato Grosso. O objetivo é que os municípios tenham mais autonomia sobre a gestão tributária e avancem em suas vocações econômicas. “Implementamos o GPE e depois este programa, o que demonstra uma visão da transversalidade, pois seria em vão desenvolver um planejamento estratégico de longo prazo sem recursos financeiros suficientes para efetivá-lo.”
Grande parte destas inovações só foi possível graças à aprovação do Novo Regimento Interno (Resolução Normativa n° 16/2021), que também deu base para o lançamento do primeiro Código de Processo de Controle Externo do Brasil. Neste contexto, aliando inovação e empenho, o Tribunal retomou rigor na entrega dos pareceres das contas de governo e de gestão, reformulou o Plenário Virtual e instituiu um novo modelo de atuação fiscalizatória às Secretarias de Controle Externo do Tribunal (Secex), zerando o estoque de processos antigos em 2023 e aumentando em mais 200% a produtividade das seis unidades técnicas.
Essa reestruturação também resultou na criação das Comissões Permanentes de Infraestrutura, Tecnologia e Desestatização (CPID); de Meio Ambiente e Sustentabilidade (CPMAS); de Saúde e Assistência Social (CPSA); de Educação e Cultura (CPEC); Segurança Pública (CPSeg); e Sustentabilidade Fiscal e Desenvolvimento (CPSFD), que levam em consideração demandas sociais atuais e urgentes. Ainda no âmbito das novidades, vale mencionar a inauguração da programação da TV Contas, canal 30.2 na televisão aberta.
Frente a tantos avanços, cresce a lista de contribuições históricas deixadas por José Carlos Novelli ao Tribunal. São mais de 20 anos de história em comum, quase um terço de seus 69 anos de vida e uma boa porção dos 70 anos de existência do órgão, celebrados neste ano. O conselheiro foi presidente por dois mandatos (48ª Mesa Diretora – Biênio 2006/2007 e 51ª Mesa Diretora – Biênio 2012/2013), vice-presidente, corregedor-geral e supervisor da Escola Superior de Contas.
“Melhorar as cidades é melhorar a vida de todos e esse foi o principal objetivo desta gestão. Promovemos uma verdadeira guinada nos rumos do TCE-MT, que se estabeleceu como motor da transformação e da melhoria da gestão pública municipal de Mato Grosso e já começa a colher os bons frutos disso. Não tenho dúvida de que todos esses esforços construirão uma nova cultura na administração pública, cada vez mais bem-sucedida, capaz de prestar excelentes serviços”, concluiu Novelli.
Galeria


Política
Retrospectiva: Câmara aprovou propostas de combate à violência contra a mulher
A Câmara dos Deputados aprovou, no primeiro semestre deste ano, um conjunto de propostas que reforçam o combate à violência contra a mulher, com medidas voltadas à prevenção, ao atendimento das vítimas e à punição de agressores.
Entre os principais destaques estão a criação do Sistema Nacional de Enfrentamento da Violência contra Meninas e Mulheres e de um protocolo unificado de atendimento às vítimas de estupro.
Números do semestre
No total, foram aprovados no primeiro semestre de 2026, pelo Plenário, 118 projetos de lei, 9 projetos de lei complementar, 20 medidas provisórias, 12 projetos de decreto legislativo, 5 projetos de resolução e 4 propostas de emenda à Constituição.
Sistema nacional de enfrentamento
Por meio do Projeto de Lei Complementar (PLP) 41/26, a Câmara dos Deputados aprovou a criação do Sistema Nacional de Enfrentamento da Violência contra Meninas e Mulheres. A proposta está em análise no Senado.
De autoria da deputada Jack Rocha (PT-ES) e outros, o texto foi relatado pela deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e prevê colaboração integrada entre o Ministério das Mulheres e os entes federativos.
O texto também permite que estados participantes do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) direcionem parte dos recursos vinculados a investimentos para ações do sistema.
O novo sistema de enfrentamento da violência contra meninas e mulheres terá como diretrizes ampliar a capacidade de prevenir e enfrentar o problema com ações intersetoriais, respeitada a autonomia dos entes federativos.
Gil Ferreira/Agência CNJ
Delegacias deverão registrar a ocorrência e encaminhar vítima a unidade de saúde
Atendimento a vítimas de estupro
Com a aprovação do Projeto de Lei 2525/24, da deputada Coronel Fernanda (PL-MT), a Câmara defendeu a criação de um protocolo unificado de atendimento em unidades de saúde e delegacias para casos de estupro e violência contra mulher, criança, adolescente e pessoas em situação de vulnerabilidade.
A proposta está em análise no Senado.
Relatado pela deputada Soraya Santos (PL-RJ), o texto define procedimentos para preservar provas, garantir o encaminhamento da vítima entre os serviços de saúde e segurança pública e evitar a revitimização durante o atendimento.
Programa “Antes que aconteça”
A Câmara aprovou também proposta que cria o programa “Antes que aconteça” para prevenir casos de violência contra a mulher e dar mais efetividade às medidas protetivas.
Convertido na Lei 15.398/26, o Projeto de Lei 6674/25, do Senado, foi relatado pela deputada Amanda Gentil (PP-MA) e prevê:
- campanhas educativas;
- capacitação de profissionais das áreas de saúde, segurança, educação, Justiça e assistência social;
- monitoramento eletrônico de agressores;
- atendimento itinerante em regiões de difícil acesso; e
- programas de reeducação de autores de violência.
Akira Onume/Governo do Pará
Delegado poderá instalar tornozeleira em agressor de mulher em cidades sem juiz
Tornozeleira obrigatória
Outra medida aprovada pelos deputados e transformada em lei determina que o juiz poderá exigir o uso imediato de tornozeleira eletrônica por agressores quando houver risco à mulher em situação de violência doméstica.
A regra consta do Projeto de Lei 2942/24, dos deputados Marcos Tavares (PDT-RJ) e Fernanda Melchionna (Psol-RS), convertido na Lei 15.383/26.
Segundo o texto, relatado pela deputada Delegada Ione (PL-MG), a medida também poderá ser aplicada pelo delegado em cidades que não têm juiz no local. Nesses casos, a decisão precisará ser confirmada pelo magistrado.
A norma também amplia a punição para quem descumprir medidas protetivas relacionadas ao monitoramento eletrônico e garante à vítima dispositivo de alerta sobre eventual aproximação do agressor.
Homicídio vicário
O homicídio vicário ocorre quando uma pessoa é assassinada para causar sofrimento psicológico à mulher, geralmente filhos ou outros familiares, no contexto da violência doméstica e familiar.
Esse crime foi incluído no Código Penal, com pena de reclusão de 20 a 40 anos, graças a uma proposta aprovada pela Câmara.
De autoria das deputadas Laura Carneiro (PSD-RJ), Fernanda Melchionna e Maria do Rosário (PT-RS), o Projeto de Lei 3880/24 foi relatado pela deputada Silvye Alves (União-GO) e convertido na Lei 15.384/26.
O crime será considerado homicídio vicário quando for cometido contra descendente, ascendente, dependente, enteado ou pessoa sob guarda ou responsabilidade direta da mulher.
A pena será aumentada de 1/3 se o crime for cometido:
- na presença da mulher a quem se pretende causar sofrimento;
- contra criança ou adolescente, pessoa idosa ou com deficiência; ou
- em descumprimento de medida protetiva de urgência.
Além do aumento das penas, esse crime passa a ser considerado hediondo.
Depositphotos
Lei aumentou penas para lesão corporal praticadas contra mulher por razões do sexo feminino
Lesão corporal
Com a aprovação do Projeto de Lei 3662/25, a Câmara dos Deputados apoiou o aumento das penas de lesão corporal grave, gravíssima ou seguida de morte praticadas contra a mulher por razões do sexo feminino (quando envolve violência doméstica, menosprezo ou discriminação à condição de mulher).
A proposta está em análise no Senado.
De autoria da deputada licenciada Nely Aquino (MG), o texto, relatado pela deputada Franciane Bayer (Republicanos-RS), considera alguns casos de lesões por essas razões como crime hediondo.
Assistência jurídica
Outro destaque do primeiro semestre foi a aprovação do Projeto de Lei 6415/25, que cria a Política Nacional de Assistência Jurídica às Vítimas de Violência.
A proposta foi enviada ao Senado.
De autoria da deputada Soraya Santos, o texto, relatado pela deputada Greyce Elias (PL-MG), prevê que essa assistência engloba todos os atos processuais e extrajudiciais necessários à efetiva proteção da vítima, inclusive o seu encaminhamento a atendimento psicossocial, de saúde e de assistência social.
A assistência poderá ser prestada, de forma gratuita, solidária, cooperativa ou suplementar, por vários órgãos, como:
- defensorias públicas;
- ministérios públicos;
- Ordem dos Advogados do Brasil (OAB);
- entidades e programas de assistência jurídica conveniados com os entes federativos; e
- núcleos de prática jurídica, escritórios-escola, clínicas de direitos humanos e programas equivalentes de cursos de Direito de instituições de ensino superior, públicas ou privadas, desde que atuem sob supervisão de profissional habilitado na OAB.
Depositphotos
Preso em regime aberto que continuar ameaçando a vítima pode ir para o RDD
Regime diferenciado
Outro projeto aprovado pela Câmara dos Deputados para combater a violência contra a mulher prevê a aplicação do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) ao preso que ameace ou volte a praticar violência contra a vítima ou seus familiares.
No RDD, o preso cumpre a pena em regime fechado, em cela individual, com restrições de visitas e de saídas para banho de sol. As entrevistas são monitoradas e a correspondência, fiscalizada.
O Projeto de Lei 2083/22, do Senado, foi aprovado pela Câmara com parecer favorável da deputada Laura Carneiro e transformado na Lei 15.410/26.
Spray de pimenta
Por fim, aguarda sanção presidencial o Projeto de Lei 727/26, que regulamenta a venda e o uso de spray de pimenta para autodefesa por mulheres.
O texto estabelece regras para comercialização, utilização e penalidades em caso de uso indevido.
De autoria da deputada Gorete Pereira (MDB-CE), o projeto foi relatado pela deputada Gisela Simona (União-MT) e exige que o produto seja aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A intenção é evitar agressões físicas e/ou sexuais contra as mulheres.
Os estados do Rio de Janeiro e de Rondônia já aprovaram leis permitindo o acesso das mulheres ao spray, normalmente restrito às forças de segurança.
O spray será de uso individual e intransferível, e não poderá conter substâncias de efeito letal ou de toxicidade permanente.
Reportagem – Eduardo Piovesan
Edição – Natalia Doederlein
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