CRIME ORGANIZADO
OPERAÇÃO DA PF MIRA SUSPEITOS DE ENTREGAREM 43 MIL ARMAS PARA FACÇÕES NO BRASIL
Foram cumpridos 25 mandados de prisão preventiva, 6 de prisão temporária e 52 mandados de busca e apreensão no Brasil, Estados Unidos e Paraguai.
Polícia
A Polícia Federal deflagrou a Operação DAKOVO nesta terça-feira (05/12), contra um grupo criminoso suspeito de entregar 43 mil armas para os líderes das maiores facções do país, movimentando valores aproximados de cerca de R$ 1,2 bilhão ao ano.
No total, foram cumpridos 25 mandados de prisão preventiva, seis de prisão temporária e 52 mandados de busca e apreensão no Brasil, Estados Unidos e Paraguai. O principal alvo da ação, Diego Hernan Dirísio, está em território português e ainda não foi encontrado.
De acordo com a PF, Dirísio é o maior contrabandista de armas da América do Sul.
Até o momento, foram presos:
5 suspeitos no Brasil;
11 no Paraguai.
Segundo determinação da Justiça da Bahia, responsável por conduzir a operação, os alvos de prisão que estiverem fora do país devem ser incluídos na lista vermelha de Interpol. Caso sejam presos, devem ser extraditados para o Brasil.
A apuração do caso começou a ser feita ainda em 2020, quando pistolas e munições foram apreendidas no interior da Bahia. Os revólveres tinham o número de série raspado, mas a PF conseguiu obter informações das armas após perícia e avançar nas investigações.
Neste período foram feitas 67 apreensões, com o total de 659 armas apreendidas em 10 estados brasileiros: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e Ceará.
Três anos depois, a ação que levou à operação de hoje indicou que um argentino, dono de uma empresa chamada IAS, que tem sede no Paraguai, comprava pistolas, fuzis, rifles, metralhadoras e munições de fabricantes de países como Croácia, Turquia, República Tcheca e Eslovênia.
Depois, essas armas eram vendidas para facções brasileiras, especialmente as de São Paulo e do Rio de Janeiro. Doleiros e empresas de fachada no Paraguai e nos EUA também estavam envolvidos no esquema.
As investigações ainda apontam que havia corrupção e tráfico de influência na Direccion de Material Belico (DIMABEL), órgão do Paraguai que controla, fiscaliza e libera o uso de armas, o que facilita o funcionamento do esquema.
Polícia
Chico Guarnieri é o 5º candidato mais multado do país por desmatamento
O deputado estadual Chico Guarnieri (PSDB), que busca a reeleição este ano, aparece como o quinto candidato mais multado do Brasil por infrações ambientais desde 2023, segundo levantamento realizado pela Agência Tatu em parceria com o Intercept Brasil. A pesquisa identificou 49 candidatos de 15 partidos que, juntos, acumulam R$ 15,5 milhões em multas aplicadas pelo Ibama.
De acordo com o levantamento, Guarnieri recebeu uma autuação de R$ 970 mil por suposto desmatamento de 194 hectares sem autorização em uma propriedade localizada em Barra do Bugres, na região Médio-Norte de Mato Grosso. A área está inserida no bioma Amazônia.
Com o valor, o parlamentar tucano ocupa a quinta posição no ranking nacional de candidatos com maiores autuações ambientais. O levantamento também aponta que o PL concentra o maior número de nomes na lista: 13 candidatos do partido somam aproximadamente R$ 6 milhões em multas ambientais nos últimos três anos.
Defesa contesta autuação
A defesa de Chico Guarnieri, no entanto, questiona administrativamente a autuação do Ibama e contesta a dimensão da área apontada pelo órgão ambiental.
Segundo os advogados, durante a fiscalização teriam sido identificados apenas cerca de nove hectares dentro de área de preservação, número significativamente inferior aos 194 hectares considerados na autuação.
A defesa também sustenta que, posteriormente, a propriedade teve o Cadastro Ambiental Rural (CAR) validado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), sem registro de passivo ambiental.
O episódio ganha peso político em meio à campanha eleitoral de 2026. Guarnieri tenta renovar o mandato na Assembleia Legislativa e, no início desta semana, ganhou um importante aceno político ao receber o apoio público do senador Flávio Bolsonaro, durante visita do presidenciável a Campo Novo do Parecis.
A situação, portanto, coloca o candidato tucano em uma posição de atenção justamente em um momento de disputa eleitoral, ao mesmo tempo em que sua defesa busca reverter administrativamente a penalidade aplicada pelo órgão ambiental.
Até o momento, trata-se de uma autuação administrativa contestada pela defesa, e não de uma condenação definitiva por crime ambiental.
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