ROMBO NA SAÚDE
Juiz determina fiança de R$ 800 mil para HC de advogado preso na Operação Cartão-Postal
Desembargador do TJMT revogou a prisão preventiva de suspeito em caso de desvio de recursos na área de saúde
Polícia
Desembargador do TJMT revogou a prisão preventiva de suspeito em caso de desvio de recursos na área de saúde
ATUALIZADA às 18h14 – O desembargador Pedro Sakamoto, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), na questão do advogado Hugo Florêncio de Castilho, preso na Operação ‘Cartão-Postal’, aceitou os argumentos da defesa deste e deferiu pedido de habeas corpus impetrado em seu favor, mas condicionou a fiança no valor de R$ 800 mil. Castilho é suspeito da prática de diversos crimes, incluindo integrar uma organização criminosa, peculato-desvio e lavagem de capitais. As acusações estão relacionadas a desvios de recursos na área de saúde no município de Sinop.
A prisão preventiva do advogado Castilho foi decretada no contexto da “Operação Cartão-Postal”, que investiga um esquema de desvio de recursos na Secretaria de Saúde de Sinop. A defesa do advogado alegou que o Juízo do Núcleo de Inquéritos Policiais (NIPO) da Comarca de Cuiabá não teria competência para a decisão, uma vez que os supostos crimes ocorreram em Sinop e não tinham conexão com outra operação, a “Operação Hypnos,” que investigava desvios na Empresa Cuiabana de Saúde Pública (ECSP), vinculada à Secretaria de Saúde de Cuiabá.
A defesa argumentou ainda de que não havia provas suficientes da materialidade dos crimes e argumentou que medidas cautelares menos gravosas poderiam ser aplicadas. A defesa enfatizou os predicados pessoais de Castilho, como sua primariedade e profissão de advogado.
O desembargador Pedro Sakamoto destacou que, embora a prisão preventiva seja uma medida extrema, a jurisprudência permite sua concessão em casos de urgência e relevância evidentes. No entanto, após analisar o caso, Sakamoto considerou que a prisão preventiva de Castilho não se justificava.
Ele ressaltou que a alegação de incompetência do Juízo do NIPO não poderia ser analisada em um habeas corpus e que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) permite a ratificação de decisões pelo juízo competente em casos de incompetência absoluta. Quanto à alegação de falta de provas, o desembargador enfatizou que essa questão demandaria uma análise mais aprofundada e não poderia ser decidida em um habeas corpus.
Sakamoto também ressaltou que a gravidade dos crimes em si não é justificativa suficiente para a prisão preventiva e que a prisão cautelar deve ser baseada na necessidade de garantir o andamento do processo ou evitar a reiteração delitiva. Ele considerou que, no caso de Castilho, outras medidas cautelares seriam suficientes.
Como resultado dos argumentos da defesa do acusado, o advogado Hugo Florêncio de Castilho, o desembargador revogou a sua prisão preventiva e condicionou sua liberdade ao pagamento de uma fiança no valor de R$ 800.000,00. Além disso, foram impostas várias medidas cautelares, como a proibição de manter contato com outros suspeitos e testemunhas, a proibição de acesso a determinadas instituições e a obrigatoriedade de comparecimento a todos os atos do processo. Castilho também está proibido de se ausentar da Comarca sem prévia comunicação ao juízo.
Polícia
Chico Guarnieri é o 5º candidato mais multado do país por desmatamento
O deputado estadual Chico Guarnieri (PSDB), que busca a reeleição este ano, aparece como o quinto candidato mais multado do Brasil por infrações ambientais desde 2023, segundo levantamento realizado pela Agência Tatu em parceria com o Intercept Brasil. A pesquisa identificou 49 candidatos de 15 partidos que, juntos, acumulam R$ 15,5 milhões em multas aplicadas pelo Ibama.
De acordo com o levantamento, Guarnieri recebeu uma autuação de R$ 970 mil por suposto desmatamento de 194 hectares sem autorização em uma propriedade localizada em Barra do Bugres, na região Médio-Norte de Mato Grosso. A área está inserida no bioma Amazônia.
Com o valor, o parlamentar tucano ocupa a quinta posição no ranking nacional de candidatos com maiores autuações ambientais. O levantamento também aponta que o PL concentra o maior número de nomes na lista: 13 candidatos do partido somam aproximadamente R$ 6 milhões em multas ambientais nos últimos três anos.
Defesa contesta autuação
A defesa de Chico Guarnieri, no entanto, questiona administrativamente a autuação do Ibama e contesta a dimensão da área apontada pelo órgão ambiental.
Segundo os advogados, durante a fiscalização teriam sido identificados apenas cerca de nove hectares dentro de área de preservação, número significativamente inferior aos 194 hectares considerados na autuação.
A defesa também sustenta que, posteriormente, a propriedade teve o Cadastro Ambiental Rural (CAR) validado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), sem registro de passivo ambiental.
O episódio ganha peso político em meio à campanha eleitoral de 2026. Guarnieri tenta renovar o mandato na Assembleia Legislativa e, no início desta semana, ganhou um importante aceno político ao receber o apoio público do senador Flávio Bolsonaro, durante visita do presidenciável a Campo Novo do Parecis.
A situação, portanto, coloca o candidato tucano em uma posição de atenção justamente em um momento de disputa eleitoral, ao mesmo tempo em que sua defesa busca reverter administrativamente a penalidade aplicada pelo órgão ambiental.
Até o momento, trata-se de uma autuação administrativa contestada pela defesa, e não de uma condenação definitiva por crime ambiental.
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