PRIMEIRA-DAMA DE MATO GROSSO
Liberdade, discernimento e responsabilidade são fundamentais na vida
Liberdade sem discernimento e responsabilidade pode se tornar um caminho perigoso.
Opinião
A liberdade, o discernimento e a responsabilidade são pilares fundamentais na condução de nossas vidas. A liberdade nos concede a capacidade de fazer escolhas, de decidir o caminho que desejamos seguir. É um poderoso presente que nos permite explorar e moldar nosso destino.
No entanto, a liberdade vem acompanhada do discernimento. Ter discernimento significa não apenas fazer escolhas, mas também compreender as implicações e consequências de cada decisão. É a habilidade de enxergar além do momento presente, considerando os efeitos a curto e longo prazo de nossas ações.
Nesse contexto, a responsabilidade se torna essencial. Com a liberdade de escolher e o discernimento para fazer escolhas sábias, também assumimos a responsabilidade pelas nossas ações. Cada decisão que tomamos afeta não apenas a nós mesmos, mas também as pessoas ao nosso redor e o mundo em geral.
A liberdade sem discernimento e responsabilidade pode se tornar um caminho perigoso. Escolhas impulsivas ou egoístas podem levar a consequências indesejadas, prejudicando não só a nós mesmos, mas também aqueles que amamos.
É fundamental lembrar que somos seres interdependentes e nossas ações têm impacto no coletivo. A liberdade deve ser exercida com sabedoria, considerando o bem-estar de todos. O discernimento nos ajuda a fazer escolhas alinhadas com nossos valores e objetivos, buscando sempre o crescimento pessoal e o bem comum. A responsabilidade nos convida a ser agentes ativos da nossa própria vida, assumindo o controle das nossas escolhas e aceitando as consequências que elas trazem.
Ao fazer isso, fortalecemos nossa autonomia e amadurecemos como indivíduos.
Portanto, é crucial cultivar uma mentalidade consciente, que nos permita exercer nossa liberdade com discernimento e responsabilidade. Através desse equilíbrio, encontramos uma trajetória mais significativa e gratificante, construindo um futuro que seja verdadeiramente nosso, em harmonia com os outros e com o mundo ao nosso redor.
Que este artigo sirva como reflexão para todos, visto que estamos apenas de passagem neste mundo. Faça o bem! Não importa a circunstância, ainda que lhe façam o mal, responda com amor. Lembremos que tudo nos é permitido, mas nem sempre nos convém. A justiça do homem pode demorar, mas a de Deus não falha.
Virginia Mendes é economista e primeira-dama de MT

Opinião
Saúde mental é inegociável
O que aprendi em 10 anos liderando a pauta de saúde mental? Durante a última edição do Vittude Summit, subi ao palco diante de cerca de 1.800 pessoas e lembrei do primeiro evento que realizamos, em janeiro de 2020. Na época, a expectativa era reunir 200 participantes para discutir saúde mental no ambiente corporativo. Muitos acreditavam que ninguém apareceria: o evento recebeu 280 pessoas.
Poucos meses depois, a pandemia transformou definitivamente a forma como as empresas passaram a enxergar o tema. O que antes era tratado como assunto secundário passou a ocupar espaço nas agendas das lideranças. Em poucos anos, vimos crescer rapidamente o interesse das organizações por estratégias estruturadas de promoção da saúde mental.
Os números que não podem mais ser ignorados
Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número da série histórica e o terceiro ano consecutivo de crescimento. O dado, porém, mostra apenas parte do problema. Ele considera apenas afastamentos superiores a 15 dias, deixando de fora atestados mais curtos e um fenômeno igualmente preocupante: o presenteísmo, quando o colaborador está presente, mas não consegue desempenhar plenamente suas atividades.
No Censo de Saúde Mental da Vittude, realizado com 175 mil trabalhadores de 35 grandes corporações, identificamos uma perda média de produtividade de 32%. Em outras palavras, de cada R$ 100 investidos em folha de pagamento, cerca de R$ 32 deixam de se converter em trabalho efetivo em função do adoecimento emocional. Ou seja, são perdas financeiras e humanas.
O papel da segurança psicológica
Um dos principais achados do estudo foi a relação direta entre segurança psicológica e saúde mental. Entre os colaboradores que relataram baixos níveis de segurança psicológica, todos os indicadores analisados pioraram significativamente. A ideação suicida passou de 14,75% para 19%, enquanto a propensão ao burnout saltou de 5,94% para 21%. Já entre aqueles que percebiam altos níveis de segurança psicológica, a propensão ao burnout foi praticamente nula.
Esses dados mostram que boa parte do adoecimento está concentrada em ambientes onde as pessoas não se sentem seguras para pedir ajuda ou expressar opiniões. Por isso, saúde mental não depende apenas da oferta de benefícios. Depende, principalmente, da cultura organizacional.
A prevalência de ideação suicida entre os trabalhadores avaliados no Censo (14,75%) foi inferior à observada na população brasileira em geral (18%, segundo estudo do Instituto Cactus). Isso mostra que o trabalho pode funcionar como fator de proteção quando oferece pertencimento, reconhecimento e relações saudáveis.
O problema é que muitos ambientes ainda não oferecem essas condições. Com a atualização da NR-1 já em vigor, o gerenciamento dos riscos psicossociais passou a integrar oficialmente as responsabilidades das empresas.
O que aprendemos na prática
Ao longo desses dez anos, ficou claro que os programas de saúde mental mais efetivos compartilham uma característica: método. Não basta contratar fornecedores ou oferecer benefícios. É preciso diagnosticar riscos, definir prioridades, acompanhar indicadores, testar iniciativas e envolver a liderança de forma consistente durante todo o processo.
Foi dessa experiência que surgiu o Método VITAL — Verificar, Idealizar, Testar, Amadurecer e Liderar — desenvolvido a partir do trabalho com organizações de diferentes setores. O aprendizado é simples: iniciativas isoladas dificilmente produzem mudanças duradouras.
Promover saúde mental exige planejamento, acompanhamento contínuo e compromisso da liderança.
Em dez anos, a pauta amadureceu.
Hoje, o cenário é diferente. Líderes, profissionais de RH, médicos do trabalho e executivos passaram a discutir segurança psicológica, riscos psicossociais e saúde mental com uma frequência que parecia improvável poucos anos atrás.
A atualização da NR-1 consolida essa mudança. E depois de uma década acompanhando essa transformação, vejo que chegamos a um ponto de virada. Ainda há muito a fazer, mas, pela primeira vez em muitos anos, há uma combinação de conscientização, evidências e compromisso institucional capaz de acelerar essa mudança. E isso, sem dúvida, é motivo de esperança.
* Tatiana Pimenta CEO da Vittude
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