"Opinião"
Quem nunca fez dieta após a virada do ano?
Opinião
Que atire a primeira pedra quem nunca fez uma dieta após as festas de final de ano! É clichê mas é ao mesmo tempo muito atual. No final do ano várias promessas são feitas e com certeza cuidar da saúde sempre está na lista. Mas a que custo?
Às vezes esse desespero pela boa forma é tão grande que leva a procura de dietas milagrosas que na maioria das vezes traz mais danos que benefícios. A sensação de que estamos pesados, de que estamos intoxicados e até mesmo com a auto estima abalada favorece as tomadas de decisões impensadas com foco só na balança.
As dietas na maioria são muito restritivas e com isso comprometem o fornecimento de nutrientes, dificultando o metabolismo por falta de matéria prima para as atividades, incluindo a queima de gordura.
Sim, é isso mesmo que você leu: emagrecer depende de comer com qualidade e não somente diminuir quantidade. Restrição calórica é diferente de déficit calórico. Quantas dietas com baixa calorias você já fez? e porque está aqui lendo este artigo? Se dietas funcionassem provavelmente vc já fez algumas não estaria em busca de nenhuma mais.
Existe uma taxa de calorias necessárias para o desenvolvimento das atividades basais e isto merece ser respeitado para uma perda progressiva de gordura corporal. As dietas milagrosas prometem perda de peso, quando na verdade só se consegue na maioria, apenas uma desidratação temporária.
Sabia que os primeiros quilos perdidos correspondem à água? A queima de gordura é mais demorada porque o corpo se adapta para não perder gordura. Perder peso exige constância! Constância em montar um prato saudável, com mais alimentos in natura (da feira), constância em se mexer diariamente, constância em preservar as horas de sono, constância em aliviar estresse de forma correta e não somente cortar calorias.
O processo do emagrecimento duradouro começa com mudanças de comportamento. A obesidade para ser tratada exige muito mais de terapia comportamental do que redução de comida pura e simples. A forma como você lida com a comida faz toda diferença na perda de peso e na manutenção de um estilo de vida saudável.
As dietas milagrosas têm prazo para começar e terminar e normalmente terminam quando a sua saúde já piorou um tanto com essas restrições. Se posso te ajudar? Comece a sua lista de promessas para o próximo ano, com a busca por um nutricionista que não só calcule dieta mas que te ensine estratégias para comer melhor a cada dia para que no final do próximo ano, você nem se preocupe com este assunto e apenas recomece a vida com a mesma tranquilidade que terminou os 365 dias.
A melhor dieta é aquela que você consegue executar. Tudo é difícil! Portanto não é da blogueira, não é da capa da revista, não é a da vizinha.
Existem particularidades que devem ser levadas em conta na hora de começar um processo de perda de peso.
Eu prefiro chamar isto de mudança de estilo de vida em busca de qualidade de vida. Ao contrário das dietas, esta mudança não tem prazo para terminar. Busque ajuda e comece este ano uma nova vida mais coerente e leve!
Ira Soraya C. Arruda é nutricionista e integra a equipe multidisciplinar do IGPA
Opinião
Saúde mental é inegociável
O que aprendi em 10 anos liderando a pauta de saúde mental? Durante a última edição do Vittude Summit, subi ao palco diante de cerca de 1.800 pessoas e lembrei do primeiro evento que realizamos, em janeiro de 2020. Na época, a expectativa era reunir 200 participantes para discutir saúde mental no ambiente corporativo. Muitos acreditavam que ninguém apareceria: o evento recebeu 280 pessoas.
Poucos meses depois, a pandemia transformou definitivamente a forma como as empresas passaram a enxergar o tema. O que antes era tratado como assunto secundário passou a ocupar espaço nas agendas das lideranças. Em poucos anos, vimos crescer rapidamente o interesse das organizações por estratégias estruturadas de promoção da saúde mental.
Os números que não podem mais ser ignorados
Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número da série histórica e o terceiro ano consecutivo de crescimento. O dado, porém, mostra apenas parte do problema. Ele considera apenas afastamentos superiores a 15 dias, deixando de fora atestados mais curtos e um fenômeno igualmente preocupante: o presenteísmo, quando o colaborador está presente, mas não consegue desempenhar plenamente suas atividades.
No Censo de Saúde Mental da Vittude, realizado com 175 mil trabalhadores de 35 grandes corporações, identificamos uma perda média de produtividade de 32%. Em outras palavras, de cada R$ 100 investidos em folha de pagamento, cerca de R$ 32 deixam de se converter em trabalho efetivo em função do adoecimento emocional. Ou seja, são perdas financeiras e humanas.
O papel da segurança psicológica
Um dos principais achados do estudo foi a relação direta entre segurança psicológica e saúde mental. Entre os colaboradores que relataram baixos níveis de segurança psicológica, todos os indicadores analisados pioraram significativamente. A ideação suicida passou de 14,75% para 19%, enquanto a propensão ao burnout saltou de 5,94% para 21%. Já entre aqueles que percebiam altos níveis de segurança psicológica, a propensão ao burnout foi praticamente nula.
Esses dados mostram que boa parte do adoecimento está concentrada em ambientes onde as pessoas não se sentem seguras para pedir ajuda ou expressar opiniões. Por isso, saúde mental não depende apenas da oferta de benefícios. Depende, principalmente, da cultura organizacional.
A prevalência de ideação suicida entre os trabalhadores avaliados no Censo (14,75%) foi inferior à observada na população brasileira em geral (18%, segundo estudo do Instituto Cactus). Isso mostra que o trabalho pode funcionar como fator de proteção quando oferece pertencimento, reconhecimento e relações saudáveis.
O problema é que muitos ambientes ainda não oferecem essas condições. Com a atualização da NR-1 já em vigor, o gerenciamento dos riscos psicossociais passou a integrar oficialmente as responsabilidades das empresas.
O que aprendemos na prática
Ao longo desses dez anos, ficou claro que os programas de saúde mental mais efetivos compartilham uma característica: método. Não basta contratar fornecedores ou oferecer benefícios. É preciso diagnosticar riscos, definir prioridades, acompanhar indicadores, testar iniciativas e envolver a liderança de forma consistente durante todo o processo.
Foi dessa experiência que surgiu o Método VITAL — Verificar, Idealizar, Testar, Amadurecer e Liderar — desenvolvido a partir do trabalho com organizações de diferentes setores. O aprendizado é simples: iniciativas isoladas dificilmente produzem mudanças duradouras.
Promover saúde mental exige planejamento, acompanhamento contínuo e compromisso da liderança.
Em dez anos, a pauta amadureceu.
Hoje, o cenário é diferente. Líderes, profissionais de RH, médicos do trabalho e executivos passaram a discutir segurança psicológica, riscos psicossociais e saúde mental com uma frequência que parecia improvável poucos anos atrás.
A atualização da NR-1 consolida essa mudança. E depois de uma década acompanhando essa transformação, vejo que chegamos a um ponto de virada. Ainda há muito a fazer, mas, pela primeira vez em muitos anos, há uma combinação de conscientização, evidências e compromisso institucional capaz de acelerar essa mudança. E isso, sem dúvida, é motivo de esperança.
* Tatiana Pimenta CEO da Vittude
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