"Pioneiro"
Hospital Geral de Cuiabá e Eccor inovam em inédita técnica para cirurgia cardiovascular
A equipe de cirurgia cardiovascular do Hospital Geral e Maternidade de Cuiabá (ECCOR-HG) realizou na semana passada as inéditas Cirurgias Minimamente Invasivas (MICS).
Saúde
O cirurgião cardiovascular da Eccor e chefe do programa de residência do HG, Dr. Gibran Roder Feguri explicou que a MICS é um método que oferece a máxima preservação da anatomia, com a mínima agressão ao organismo, e consiste em um enorme aparato de material humano e tecnológico. “É uma grande inovação para o Estado de Mato Grosso, que pode contar com os avanços tecnológicos fantásticos que vem ocorrendo também na cirurgia cardiovascular”.
Essa técnica começou nos anos 90 nos Estados Unidos e Europa, e já é amplamente utilizada para tratar inúmeras doenças do coração. Porém, no Brasil a técnica não é empregada em todos os estados e serviços, sendo necessário como toda novidade um treinamento intensivo e dedicação da equipe para que o hospital, por exemplo, possa oferecer essa alternativa à cirurgia convencional de forma segura e eficiente.
É a cardiologia cumprindo o papel de ser uma das especialidades médicas que mais evoluem em busca de tratamentos inovadores e efetivos no controle e prevenção de doenças, em particular as cardiopatias. Importância amplificada se considerado que as patologias cardiovasculares respondem pela maioria das mortes no planeta, mais até que o câncer, conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS).
O Dr. Gibran destaca que essa técnica quando utilizada nas cirurgias cardíacas, traz inúmeros benefícios ao paciente: oferece menos dor, sangramento, menor risco de infecções, além de proporcionar uma recuperação mais rápida, menor tempo de hospitalização (três a cinco dias em média), menor tempo de ventilação mecânica; e pelo pouco sangramento, menor necessidade de transfusões, entre outros. Em apenas duas a três semanas há o retorno pleno às atividades, além da incisão e cicatrizes menores e o menor tempo na UTI.
Nessa abordagem, também assistida por vídeo, a tecnologia está a favor da saúde. A intervenção é feita a partir de incisões torácicas menores (reduz de 20 a 25 cm, nos processos tradicionais, para 5 a 10 cm), com excelentes resultados para os pacientes, como confirmam estudos na área.
O cirurgião cardiovascular ressalta que ainda são os passos iniciais, pois a técnica requer treinamento e instrumentos específicos, porém de forma muito entusiasmada afirma que é um caminho já definido.
“As formas tradicionais de revascularização do miocárdio e trocas valvares podem ter morbidade (efeitos pós-cirúrgicos indesejados) elevados, a depender das condições dos enfermos. Tempo mais demorado para voltar às atividades físicas e à vida normalmente, além da dor e dos desconfortos naturais da cirurgia são exemplos disso. Já a MICS alcança o mesmo resultado, com a principal diferença de preservar o osso esterno, que não é aberto, ou não aberto totalmente. Só com isso, a morbimortalidade dos procedimentos reduz-se drasticamente”, explica o especialista.
Quais procedimentos podem ser feitos pela MICS?
Muitos tipos de procedimentos cardíacos podem ser realizados com a cirurgia cardíaca minimamente invasiva, incluindo:
Ø Reparo ou substituição da valva mitral;
Ø Reparo ou substituição da valva tricúspide;
Ø Substituição da valva aórtica;
Ø Defeito do septo atrial e fechamento do forame oval patente;
Ø Cirurgia para correção de defeito do septo atrioventricular;
Ø Procedimento de labirinto para fibrilação atrial;
Ø Cirurgia de revascularização miocárdica;
Lembrando que a MICS não é uma opção para todos. Mas para aqueles que podem fazer esse tipo de procedimento pelas características anatômicas e estágio da doença. Sendo assim, os benefícios potenciais quando comparados à cirurgia de coração aberto podem incluir, conforme citado:
Ø Menor perda de sangue;
Ø Menor risco de infecção;
Ø Redução do trauma e da dor;
Ø Mobilização precoce;
Ø Redução no tempo de internação em UTI;
Ø Menor tempo de internação hospitalar total, recuperação mais rápida e retorno mais rápido às atividades normais;
Ø Cicatrizes menores e melhor resultado estético.
Saúde
HMC recebe quase metade dos pacientes regulados pelas UPAs e reforça papel estratégico na saúde de Cuiabá
Da Redação
O Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) consolidou sua posição como principal unidade de retaguarda da rede municipal de urgência e emergência. Levantamento referente aos meses de maio e junho de 2026 mostra que o hospital foi responsável por 44,8% de todas as transferências realizadas pelas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Cuiabá, recebendo 661 dos 1.479 pacientes regulados no período.
Os números evidenciam a importância da unidade na organização da assistência hospitalar. Sozinho, o HMC recebeu quase quatro vezes mais pacientes que o segundo hospital com maior volume de transferências, contribuindo para garantir maior agilidade na internação de pacientes e desafogar as UPAs.
A secretária municipal de Saúde, Deisi Bocalon, destacou que os resultados refletem o fortalecimento da rede pública de saúde.
“Os números demonstram que o Hospital Municipal de Cuiabá cumpre um papel essencial na organização da nossa rede de urgência e emergência. Ser responsável por praticamente metade das transferências das UPAs significa garantir acesso mais rápido à internação, desafogar as unidades de pronto atendimento e oferecer um cuidado mais resolutivo à população. Nosso compromisso é continuar fortalecendo a rede municipal com planejamento, investimentos e ampliação da capacidade assistencial”, afirmou.
Liderança nas internações em enfermaria
O desempenho do HMC torna-se ainda mais expressivo quando analisadas apenas as internações em enfermaria. Nos dois meses avaliados, a unidade recebeu 638 pacientes — 335 em maio e 303 em junho —, concentrando 53,6% de todas as transferências destinadas a leitos clínicos e cirúrgicos da rede.
Nas admissões em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a maior demanda foi absorvida pelo Hospital Municipal São Benedito (HMSB) e pelo Hospital e Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá (HPSMC), responsáveis por 27,3% e 24,9% das vagas, respectivamente. O HMC respondeu por 8% das internações em terapia intensiva, reforçando sua vocação como principal retaguarda para leitos de enfermaria.
Além do HMC, o HPSMC e o HMSB receberam 170 e 164 pacientes regulados, respectivamente. Outro destaque foi o Hospital Estadual de Câncer, que registrou crescimento superior a 200% nas transferências entre maio e junho, passando de 25 para 79 pacientes.
Gestão destaca eficiência e qualidade da assistência
A diretora-geral da Empresa Cuiabana de Saúde Pública, Kelluby de Oliveira, atribuiu os resultados ao trabalho integrado das equipes e ao fortalecimento da gestão hospitalar.
“O protagonismo do HMC é resultado do empenho diário de equipes multiprofissionais altamente qualificadas e de uma gestão comprometida com a eficiência e a humanização da assistência. Além de sermos referência em urgência, emergência, politrauma e tratamento de queimados, temos ampliado a oferta de cirurgias eletivas e procedimentos especializados, garantindo mais acesso e qualidade no atendimento prestado aos usuários do SUS”, destacou.
Hospital amplia serviços especializados
Referência estadual em urgência, emergência, politrauma, traumato-ortopedia e tratamento de queimados, por meio do Centro de Tratamento de Queimados (CTQ), o HMC funciona em regime de portas abertas para atendimentos de urgência e emergência.
A unidade dispõe de enfermarias adulta e infantil, Hospital Dia, centros cirúrgicos, salas de medicação e decisão médica, seis leitos destinados à saúde mental e estrutura completa para assistência ambulatorial e hospitalar.
Nos últimos meses, o hospital também ampliou a oferta de procedimentos especializados. Entre junho e julho, iniciou um mutirão de cirurgias de vesícula por videolaparoscopia, com previsão de 30 procedimentos para reduzir a fila de espera do Sistema Único de Saúde (SUS).
Outra ação inédita colocou Cuiabá em destaque no cenário nacional. O HMC promoveu um mutirão exclusivo de cirurgias reparadoras para vítimas de queimaduras elétricas decorrentes de acidentes de trabalho, tornando-se a única unidade do país a realizar uma iniciativa voltada exclusivamente para esse público. Aproximadamente 20 pacientes foram atendidos durante a ação.
Para o diretor técnico do HMC, Dr. Eduardo Andraus, os indicadores confirmam a capacidade da unidade em atender pacientes de média e alta complexidade.
“O HMC foi concebido para ser um hospital de alta resolutividade. Nossa capacidade de receber pacientes regulados das UPAs permite que essas unidades continuem atendendo novos casos de urgência e emergência. Contamos com equipes preparadas, protocolos bem estabelecidos e uma estrutura capaz de atender desde casos clínicos até situações de alta complexidade, como politrauma, queimados e cirurgias especializadas. Os resultados de maio e junho demonstram que estamos cumprindo essa missão com eficiência”, concluiu.
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