"Opinião"
Saúde bucal: prevenir é o melhor caminho
Opinião
O nosso corpo está interligado por diversos sistemas e quando um desse está afetado, significa que o estado de saúde geral do indivíduo pode ser comprometido. Quando falamos de saúde bucal, devemos saber que o assunto vai muito além de aparência, estamos falando da saúde de um sistema responsável por funções importantíssimas em nossas vidas, como a nutrição, a autoestima e até mesmo a fonética.
A prevenção além de se tratar de um meio mais econômico, evitará desconforto e mal-estar, por isso temos que nos conscientizar sobre a importância da higienização oral, e outros métodos preventivos, para que a nossa saúde bucal não seja afetada.
Desde a primeira fase da vida, antes mesmo do nascimento dos primeiros dentinhos, é necessário a higienização, pois, não se trata de um cuidado apenas com o elemento dental. Aos responsáveis, é recomendado a higienização bucal desde os primeiros meses de vida de seu filho. A gengiva e a língua devem ser limpas com gazes, ou até mesmo fraldas umedecidas ao menos duas vezes ao dia.
Após o início da erupção dos dentes de leite, o uso de escovas macias e cremes dentais com no mínimo 1000ppm de flúor (certificar na embalagem da pasta) é essencial, a quantidade deverá ser semelhante a um grão de arroz cru. Os pais podem estimular os seus filhos ao escovarem os seus próprios dentes com o bebê no colo, e deixá-los brincar com a escova no início da escovação, isso poderá ajudar no processo de familiarização.
A partir do momento em que se tem um hospedeiro (dente), a suscetibilidade ao desenvolvimento da doença que mais acomete a saúde bucal está presente. A cárie dentária é uma das doenças mais prevalentes do mundo, e devemos entender que esta é uma doença multifatorial, e que se desenvolve a partir do momento em que temos a junção de três fatores, são eles o hospedeiro (dente), o micro-organismo (bactéria específica) e o substrato (alimentos ricos em carboidratos, como por exemplo o açúcar).
Ao realizar a escovação dental, estamos removendo mecanicamente os resíduos alimentares de nossa dieta, a partir do momento em que conseguimos realizar uma boa higienização e remover todos os restos alimentares de nossa boca, um dos fatores de desenvolvimento da cárie estará ausente, pois, as bactérias não terá o substrato para realizar a fermentação, o que levaria a diminuição do pH, tornando o meio ácido e acarretando a desmineralização do dente e sua cavitação.
Conhecendo o desenvolvimento da cárie, podemos entender dois importantes meios de prevenção para a doença, que é o cuidado com o excesso de alimentos ricos em carboidratos e a higienização após cada refeição. Vale ressaltar que, é responsabilidade dos pais ter o cuidado da alimentação e higienização dos seus filhos, já que estes não possuem consciência disso.
Em relação à escolha da escova dental é preferível sempre as que possuem cerdas macias e cabeças pequenas, os cremes dentais para adultos devem conter no mínimo 1200ppm e ser utilizado em quantidade semelhante a um grão de ervilha. A boa higienização não é aquela feita com força excessiva, pois isso poderá prejudicar a saúde da gengiva, é necessário a técnica correta com movimentos circulares nas áreas da frente do dente, movimento de vai e vem na região de mastigação e pela parte voltada para a língua e palato (céu da boca) o movimento seria parecido ao de vassoura, como se estivesse varrendo os dentes, da mesma forma para higienizar a língua. Para finalizar o uso do fio dental é obrigatório, pois é ele que removerá qualquer alimento que ainda permaneça entre os dentes.. Tudo isso deverá ser feito após cada refeição ou no mínimo 3 vezes ao dia.
Em relação aos enxaguantes bucais, estudos apontam que o seu uso diário pode agredir a mucosa oral, não sendo então recomendado, ou se ainda preferir poderá ser utilizado por no máximo 2 vezes na semana.
Aos pacientes que utilizam próteses e que ainda possuem dentes deverão manter os mesmos cuidados, removendo a prótese para higienizá-la e fazer higienização dental da mesma forma. Os pacientes que utilizam prótese total devem escovar-lá, e ainda limpar bem a gengiva, o céu da boca e a língua. É recomendado durante a noite dormir sem a prótese, deixando-a dentro de um copo com água e bicarbonato. A troca da prótese é indicada a cada 5 anos de uso.
Além do autocuidado, é sempre importante a visita ao dentista para um exame de rotina com intervalos de 6 meses, para que se tenha um diagnóstico precoce de qualquer doença. O autoexame também se faz fundamental, devemos sempre estar atentos e observar as regiões de língua e tecidos moles e qualquer sinal de feridas que durarem por um período maior que 2 semanas é indispensável uma consulta odontológica para a avaliação de um profissional cirurgião-dentista.
Dr. Andressa Lima é cirurgiã-dentista…
Opinião
Saúde mental é inegociável
O que aprendi em 10 anos liderando a pauta de saúde mental? Durante a última edição do Vittude Summit, subi ao palco diante de cerca de 1.800 pessoas e lembrei do primeiro evento que realizamos, em janeiro de 2020. Na época, a expectativa era reunir 200 participantes para discutir saúde mental no ambiente corporativo. Muitos acreditavam que ninguém apareceria: o evento recebeu 280 pessoas.
Poucos meses depois, a pandemia transformou definitivamente a forma como as empresas passaram a enxergar o tema. O que antes era tratado como assunto secundário passou a ocupar espaço nas agendas das lideranças. Em poucos anos, vimos crescer rapidamente o interesse das organizações por estratégias estruturadas de promoção da saúde mental.
Os números que não podem mais ser ignorados
Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número da série histórica e o terceiro ano consecutivo de crescimento. O dado, porém, mostra apenas parte do problema. Ele considera apenas afastamentos superiores a 15 dias, deixando de fora atestados mais curtos e um fenômeno igualmente preocupante: o presenteísmo, quando o colaborador está presente, mas não consegue desempenhar plenamente suas atividades.
No Censo de Saúde Mental da Vittude, realizado com 175 mil trabalhadores de 35 grandes corporações, identificamos uma perda média de produtividade de 32%. Em outras palavras, de cada R$ 100 investidos em folha de pagamento, cerca de R$ 32 deixam de se converter em trabalho efetivo em função do adoecimento emocional. Ou seja, são perdas financeiras e humanas.
O papel da segurança psicológica
Um dos principais achados do estudo foi a relação direta entre segurança psicológica e saúde mental. Entre os colaboradores que relataram baixos níveis de segurança psicológica, todos os indicadores analisados pioraram significativamente. A ideação suicida passou de 14,75% para 19%, enquanto a propensão ao burnout saltou de 5,94% para 21%. Já entre aqueles que percebiam altos níveis de segurança psicológica, a propensão ao burnout foi praticamente nula.
Esses dados mostram que boa parte do adoecimento está concentrada em ambientes onde as pessoas não se sentem seguras para pedir ajuda ou expressar opiniões. Por isso, saúde mental não depende apenas da oferta de benefícios. Depende, principalmente, da cultura organizacional.
A prevalência de ideação suicida entre os trabalhadores avaliados no Censo (14,75%) foi inferior à observada na população brasileira em geral (18%, segundo estudo do Instituto Cactus). Isso mostra que o trabalho pode funcionar como fator de proteção quando oferece pertencimento, reconhecimento e relações saudáveis.
O problema é que muitos ambientes ainda não oferecem essas condições. Com a atualização da NR-1 já em vigor, o gerenciamento dos riscos psicossociais passou a integrar oficialmente as responsabilidades das empresas.
O que aprendemos na prática
Ao longo desses dez anos, ficou claro que os programas de saúde mental mais efetivos compartilham uma característica: método. Não basta contratar fornecedores ou oferecer benefícios. É preciso diagnosticar riscos, definir prioridades, acompanhar indicadores, testar iniciativas e envolver a liderança de forma consistente durante todo o processo.
Foi dessa experiência que surgiu o Método VITAL — Verificar, Idealizar, Testar, Amadurecer e Liderar — desenvolvido a partir do trabalho com organizações de diferentes setores. O aprendizado é simples: iniciativas isoladas dificilmente produzem mudanças duradouras.
Promover saúde mental exige planejamento, acompanhamento contínuo e compromisso da liderança.
Em dez anos, a pauta amadureceu.
Hoje, o cenário é diferente. Líderes, profissionais de RH, médicos do trabalho e executivos passaram a discutir segurança psicológica, riscos psicossociais e saúde mental com uma frequência que parecia improvável poucos anos atrás.
A atualização da NR-1 consolida essa mudança. E depois de uma década acompanhando essa transformação, vejo que chegamos a um ponto de virada. Ainda há muito a fazer, mas, pela primeira vez em muitos anos, há uma combinação de conscientização, evidências e compromisso institucional capaz de acelerar essa mudança. E isso, sem dúvida, é motivo de esperança.
* Tatiana Pimenta CEO da Vittude
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